<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142</id><updated>2012-02-29T12:47:44.137-08:00</updated><category term='Beatles'/><category term='anne sexton'/><category term='julio cortazar'/><category term='literatura japonesa'/><category term='religião'/><category term='letra de música'/><category term='Marco Polo'/><category term='muralha da china'/><category term='haruki murakami'/><category term='Dom Quixote'/><category term='vinicius de moraes'/><category term='lester bangs'/><category term='cultura indiana'/><category term='kafka'/><category term='verso livre'/><category term='literatura italiana'/><category term='william blake'/><category term='Ravi Shankar'/><category term='festa'/><category term='música'/><category term='sylvia plath'/><category term='don juan'/><category term='epístola'/><category term='eu lírico feminino'/><category term='conto'/><category term='literatura norte-americana'/><category term='quatro elementos'/><category term='rima interna'/><category term='prosa poética'/><category term='Dostoiévski'/><category term='aforismas'/><category term='nirvana'/><category term='vídeo'/><category term='Italo Calvino'/><category term='história'/><category term='poesia confessional'/><category term='oração'/><category term='ilustração'/><category term='crítica musical'/><category term='Tarkovsky'/><category term='Fernando Pessoa'/><category term='atitude'/><category term='edgar allan poe'/><category term='Oscar Wilde'/><category term='noite'/><category term='Alain Resnais'/><category term='tradução'/><category term='mitologia grega'/><category term='virada cultural'/><category term='literatura argentina'/><category term='Cem Anos de Solidão'/><category term='Jack Kerouac'/><category term='arthur rimbaud'/><category term='Egito'/><category term='terror'/><category term='poesia'/><category term='listas'/><category term='rock'/><category term='Cleópatra'/><category term='literatura francesa'/><category term='memorabilia'/><category term='literatura beatnik'/><category term='Blaise Pascal'/><category term='heinrich zimmer'/><category term='Allen Ginsberg'/><category term='orfeu'/><category term='amor'/><category term='Jorge Luis Borges'/><category term='Machado de Assis'/><category term='juventude'/><category term='diálogo'/><category term='kafka à beira mar'/><category term='estrangeiro'/><category term='Cláudia Baht'/><category term='biblioteca de babel'/><category term='poesia em inglês'/><category term='ingmar bergman'/><category term='esfinge'/><category term='ensaio poético'/><category term='manhã'/><category term='cinema'/><category term='Clarice Lispector'/><category term='Adolfo Bioy Casares'/><category term='tarde'/><category term='livros'/><category term='crítica literária'/><category term='shakespeare'/><category term='china'/><category term='Roma'/><category term='série'/><category term='crônica'/><category term='são paulo'/><category term='Alice no País das Maravilhas'/><category term='EUA'/><category term='Thomas More'/><title type='text'>Alexandre Rabelo</title><subtitle type='html'>WRITE AND DANCE LIKE NO ONE'S WATCHING</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>95</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-715008429441315747</id><published>2012-02-29T12:44:00.002-08:00</published><updated>2012-02-29T12:47:44.141-08:00</updated><title type='text'>mais notícias sobre o fim do mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo iria acabar às cinco horas da manhã, assim anunciavam os pequenos pontos de mofo nas pontas dos livros na prateleira, assim anunciou o pó endurecido sobre o souvenir de uma viagem feita há séculos, assim decretou o silêncio suspeito na árvore orvalhada lá fora. Assim ele soube; tão certo como em todas as outras madrugadas em que, cansado de absorver cultura, de promover para o si o espetáculo de alguma esperança escondida na entrelinha de um poema revisitado, na luz familiar de um novo clássico do cinema, ele reagrupava forças só para se permitir ser fraco, encarando a hora nua em que o passado passa em paz, um minuto apenas de doce espanto diante do nada em que tudo pode se reconstruir, perdoado já não só pelos homens que lhe imaginavam outro, mas pelo universo mudo e simples, como animal depois da fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não que o ontem não tenha sido gentil. Duas ou três palavras amigas, uma salada de frutas tropicais, pequenas celebrações familiares que, sem querer, escarneciam na face da ambição desmedida. Um dia perfeito. Algumas inimizades que o faziam sonhar, como na adolescência aberta a tudo, uma futura união das consciências de todos os vivos e ainda com a memória de todos os mortos; algumas dívidas lembradas a fim de tornar nítida a necessidade de ser mais que o pó da terra, para que valha a pena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a presença atual do fim do mundo fosse só a impaciência do curso natural de um corpo que se pede a si mesmo; nada que merecesse uma revolução social. Não era sequer tristeza, era mais a hora difícil do amor.&amp;nbsp;Sim, um dia acreditariam em seu amor transcendente, sem objeto, e será quando os suicidas sairão de seu ego e caminharão em direção ao sol justo da primeira hora da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fim do mundo agora era todo dia - &amp;nbsp;ele reconsiderou quando o relógio passou das cinco e meia - por isso a necessidade de projetos grandes, de novas políticas de apaziguamento na exuberância de uma alegria leve, sem grandes efeitos, dessa de criança que descobre o jogo que iniciou todos os jogos. Epifania sem nome de deus. As crianças sabem que é apenas um jogo, entretanto, se permitem acreditar sabendo ainda que o acreditar, ele próprio, é também jogo; sabendo que o mistério de iludir-se é tão justo quanto crer na ilusão do mistério. E adultos são aqueles que acordam um dia na preguiça de uma dor e lá ficam, semeando o peso de alguma eternidade grandiosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às seis horas batem no relógio e os ponteiros indicam o céu: é de novo o começo do mundo. Ele vai se rendendo ao domínio do sono, após invertidamente ter-se entregado ao reino dos sonhos. E, sem culpa, numa paz qualquer, pobrezinha e feliz, ele adormece logo após ter-se prometido: amanhã, depois do novo fim do mundo, eu saio para resgatar os que sobrarem. Então sorri por dentro, para que ninguém lhe tomasse a força que reconcilia o bem e o mal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-715008429441315747?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/715008429441315747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/mais-noticias-sobre-o-fim-do-mundo_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/715008429441315747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/715008429441315747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/mais-noticias-sobre-o-fim-do-mundo_29.html' title='mais notícias sobre o fim do mundo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-198719213153660855</id><published>2012-02-29T12:33:00.000-08:00</published><updated>2012-02-29T12:33:53.710-08:00</updated><title type='text'>mais notícias sobre o fim do mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo iria acabar às cinco horas da manhã, assim anunciavam os pequenos pontos de mofo nas pontas dos livros na prateleira, assim anunciou o pó endurecido sobre o souvenir de uma viagem feita há séculos, assim decretou o silêncio suspeito na árvore orvalhada lá fora. Assim ele soube; tão certo como em todas as outras madrugadas em que, cansado de absorver cultura, de promover para o si o espetáculo de alguma esperança escondida na entrelinha de um poema revisitado, na luz familiar de um novo clássico do cinema, ele reagrupava forças só para se permitir ser fraco, encarando a hora nua em que o passado passa em paz, um minuto apenas de doce espanto diante do nada em que tudo pode se reconstruir, perdoado já não só pelos homens que lhe imaginavam outro, mas pelo universo mudo e simples, como animal depois da fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não que o ontem não tenha sido gentil. Duas ou três palavras amigas, uma salada de frutas tropicais, pequenas celebrações familiares que, sem querer, escarneciam na face da ambição desmedida. Um dia perfeito. Algumas inimizades que o faziam sonhar, como na adolescência aberta a tudo, uma futura união das consciências de todos os vivos e ainda com a memória de todos os mortos; algumas dívidas lembradas a fim de tornar nítida a necessidade de ser mais que o pó que da terra para que valha a pena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez a presença atual do fim do mundo fosse só a impaciência do curso natural de um corpo que se pede a si mesmo; nada que merecesse uma revolução social. Não era sequer tristeza, era mais a hora difícil do amor.&amp;nbsp;Sim, um dia acreditariam em seu amor transcendente, sem objeto, e será quando os suicidas sairão de seu ego e caminharão em direção ao sol justo da primeira hora da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fim do mundo agora era todo dia - &amp;nbsp;ele reconsiderou quando o relógio passou das cinco e meia - por isso a necessidade de projetos grandes, de novas políticas de apaziguamento na exuberância de uma alegria leve, sem grandes efeitos, dessa de criança que descobre o jogo que iniciou todos os jogos. Epifania sem nome de deus. As crianças sabem que é apenas um jogo, entretanto, se permitem acreditar sabendo ainda que o acreditar, ele próprio, é também jogo; sabendo que o mistério de iludir-se é tão justo quanto crer na ilusão do mistério. E adultos são aqueles que acordam um dia na preguiça de uma dor e lá ficam, semeando o peso de alguma eternidade grandiosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às seis horas batem no relógio e os ponteiros indicam o céu: é de novo o começo do mundo. Ele vai se rendendo ao domínio do sono, após invertidamente ter-se entregado ao reino dos sonhos. E, sem culpa, numa paz qualquer, pobrezinha e feliz, ele adormece logo após ter-se prometido: amanhã, depois do novo fim do mundo, eu saio para resgatar os que sobrarem. Então sorri por dentro, para que ninguém lhe tomasse a força que reconcilia o bem e o mal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-198719213153660855?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/198719213153660855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/mais-noticias-sobre-o-fim-do-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/198719213153660855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/198719213153660855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/mais-noticias-sobre-o-fim-do-mundo.html' title='mais notícias sobre o fim do mundo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7323946340843094175</id><published>2012-02-24T17:14:00.000-08:00</published><updated>2012-02-24T17:14:01.349-08:00</updated><title type='text'>A DAMA DE FERRO - nem anjo, nem demônio</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vML-EELjKpI/T0g1tEylQuI/AAAAAAAAAQ0/nZpq4xt8gyM/s1600/The-Iron-Lady-poster-005.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-vML-EELjKpI/T0g1tEylQuI/AAAAAAAAAQ0/nZpq4xt8gyM/s400/The-Iron-Lady-poster-005.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Meryl Streep sabe por onde passa, e não é só pela arte. Numa de suas mais belas interpretações, pouco importa a qualidade estética do filme, que tem sido o foco dos críticos. Às vezes precisamos lembrar que cinema não é só cinema. O poder humanizador desta atriz abre caminho para uma discussão importante, a relativização da imagem de Margaret Thatcher, tal como esta foi cristalizada pela imprensa de trinta anos atrás. Como toda imagem estática, a primeira líder política mulher de uma democracia moderna, tal como a conhecemos, é apenas um bode expiatório pouco questionado de problemas que são sistêmicos, e não de responsabilidade de um certo indivíduo, sequer de um grupo político ou de uma única nação. Trocando em miúdos, o demônio Thatcher é problema nosso, não custa lembrar. Vejamos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Uma das medidas mais controversas tomadas pela política britânica, quando ainda era ministra da educação, já nos anos 70, foi abolir a doação de leite nas escolas públicas, com o discurso de que o foco do orçamento deveria ser as necessidades acadêmicas. Esta medida muito contribuiu para a criação de sua imagem política, ao ser manipulada pelo então atual governo trabalhista, os Labour, os de "esquerda", que sofriam a oposição dos "direitistas" Conservatives. É fácil confundirmos uma orientação esquerdista com medidas populistas. Antes de acusar Thatcher de racionalizar o orçamento da educação, é oportuno lembrar do que Paulo Maluf fez pela educação em São Paulo, que foi exatamente distribuir leite sem mexer nas bases da educação. A estratégia não deve ser apenas por mais crianças na escola, mas tornar a educação formal uma alternativa realmente eficaz na construção de uma cultura mais forte, que é a única base sólida para uma democracia forte. Estamos acostumados a achar que o papel do cidadão é apenas reivindicar direitos, e o do Estado, assumir deveres. Esta visão, sabemos, é tão paternalista quanto as políticas aristocráticas e coloniais de séculos atrás, herança que carregamos com particular peso no Brasil, e que predominava no governo populista britânico onde Thatcher começou a crescer como membro da oposição que era nestes anos - &amp;nbsp;pasme - o partido conservador.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Os anos 70 foram marcados pelo arrefecimento da Guerra Fria, baseada no poderio militar, imperialista, Estados protecionistas; e pela concomitante recuperação da especulação financeira, claramente representada pela crise do petróleo. Neste cenário, com uma concorrência internacional mais aberta, o que é bom e cruel ao mesmo tempo, Thatcher se tornou o grande símbolo da política neo-liberal, de mercado aberto, privatização de empresas estatais pouco produtivas. Penso que enquanto prevalecer uma economia financista, pós-industrial, abstrata, tal posicionamento político, sem extremismos, é inevitável, e por mais que demonizemos Thatcher e seus seguidores, como FHC, foi na esteira dessa política de Estado mínimo e grandes alianças econômicas multinacionais que Lula também fez seu governo. Esta discussão tem suas nuances, que não esgotaremos aqui; portanto, vamos fingir que isto é apenas uma crítica de cinema e seguir adiante.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;O problema de Thatcher, como líder da democracia britânica na virada para os anos 80 era o de uma elevada taxa de desemprego, resultante da crise econômica sistêmica, tal como a que vivemos hoje. Neste contexto, uma democracia não age sozinha, como os europeus querem fazer com a Grécia hoje. Uma democracia isolada no contexto de uma crise sistêmica só pode se segurar com medidas emergenciais.&amp;nbsp;Neste contexto, a primeira ministra britânica precisou mesmo ser de ferro para não apelar aos tapa-buracos dos empréstimos, e focou sua atenção em medidas internas que fossem emergenciais e ao mesmo tempo pudessem ter longo alcance. Uma dessas medidas foi sua luta contra os sindicatos, uma das principais razões pelas quais é demonizada pela imprensa e pelo senso comum ainda hoje. Poucos lembram do fato de que os sindicatos britânicos abriam seus fóruns de reivindicação não para os interesses dos trabalhadores efetivamente, mas muito mais para sua manutenção no poder, como aliados indispensáveis dos Trabalhistas populistas, que construíram sua imagem no tal paternalismo já mencionado. Não deveria ser novidade pra ninguém que os sindicatos britânicos das décadas de 70 e 80 eram o que são nossos sindicatos desde de a década de 90 e fortemente no novo século, ou seja, perderam seu caráter de verdadeiros representantes dos assalariados e só fazem greves pelos seus interesses na política interna de alianças nos governos, onde são pagos politicamente para apoiar a imagem de presidentes que vieram da classe, por exemplo. Se não for assim, por favor, alguém me explique porque as greves de professores são sempre uma piada, enquanto que as greves que mais conseguem se manter são as de outras partes do setor público e, principalmente, as greves do setor financeiro.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Ou então voltemos a falar de quanto Meryl Streep é "genial", seja lá o que signifique este adjetivo mitologizado. Ainda que bem intencionado em relativizar a imagem da mais longeva primeira ministra britânica do século XX, o filme de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Phyllida Lloyd não explora a fundo a política de uma das figuras mais centrais do mundo contemporâneo, atendo-se aos pontos mais controversos, como seria de se esperar numa narrativa de pouco menos de duas horas. O filme não discute, por exemplo, quais as estratégias de Thatcher para o fim do desemprego, como medidas para acabar com a inflação e com isto aumentar, a médio prazo, o poder de consumo e reforçar os pequenos e médios empresários. Suas inúmeras reformas no legislativo contribuíram para reduzir o poder das associações monopolizadoras de grandes industriais, inclusive nas indústrias públicas. Se uma das maiores polêmicas de seu governo foi a grande greve dos carvoeiros que sofriam grande desemprego, como em toda a indústira de base, isto só se deu porque as resoluções dos empresariado de grande porte, no sentido de contra-atacar o governo, foi responsabilizar adivinhem quem pela queda do lucro? Os trabalhadores, claro. Que de resto, aos poucos foram sendo incorporados no setor de serviços, por exemplo, sinal evidente de recuperação econômica. Aliás, a Dama de Ferro apenas seguiu o exemplo de sua nobre ancestral, também de pulso firme, a Rainha Elizabeth da época florescente de Shakespeare. Esta, ao criar os enclosures, revalidou o setor agrário improdutivo e aristocrático - qualquer coincidência com o nordeste brasileiro não é coincidência - e alinhou-se a quem realmente dinamizava a economia no momento. Pois não foi um trabalho de atualização semelhante ao que Thatcher fez? Pois não nos iludamos, ela não é criadora do neo-liberalismo, ela apenas criou uma política que pudesse se manejar no novo sistema econômico global, este é o grande ponto.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Para sair um pouco da arena econômica, serei sucinto ao lembrar da oposição firme da Dama de Ferro aos soviéticos e ao IRA, na Irlanda. Ainda existe alguém que defende os supra-citados? Naquela época havia, os acadêmicos carreiristas, por exemplo, que vivem na sua democracia perfeita e livresca. Melhor seria considerarmos o que nem o filme mostra, como o apoio incondicional de Margaret ao fim do apartheid na África do sul, à legalização do aborto e seu papel decisivo na descriminalização da homossexualidade.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"&gt;Finalmente, o ponto mais polêmico do governo Thatcher, a Guerra das Malvinas, pela posse das Ilhas Falklands, próxima do círculo polar, improdutiva, relativamente próxima da Argentina, mas de antiga colonização britânica. Pra começo de conversa, é curioso notar que o revanchismo tribal entre argentinos e brasileiros parece só se aplacar nas férias para Buenos Aires e no que diz respeito a esta guerra, se é que este conflito pode ser chamado de guerra. Mais curioso ainda é notar que nossos manuais didáticos e enciclopédias virtuais nunca questionam qual o foi motivo deste conflito, só que ele existiu. Ninguém lembra que o motivo da Argentina invadir as tais ilhas foi uma estratégia da ditadura militar argentina, que estava em crise de sucessão e precisava desviar os olhos dos assuntos internos para algo de fora que desse aos argentinos um perigoso ou no mínimo, inatual, &amp;nbsp;senso de patriotismo. À essa excrescência de autoritarismo, a primeira ministra britânica respondeu com ataques breves e definitivos, com perdas para ambas as partes, na casa das centenas de vidas - isso não é justificativa, mas a quantidade de mortos diários por fome, por exemplo, tampouco é bonita, e nossas alianças econômicas com países da África parecem só agudizar a desigualdade por lá, ao contribuir para a concentração de renda. Mas essa é uma outra questão, ou, um outro filme, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: black; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Trazer à tona o legado da Dama de Ferro, impulsionado por Meryl Streep, vem em boa hora pois, não para que seja aplaudido ou vaiado por extremistas, mas para que discutamos mais a política, e sua efetividade no mundo financista de hoje, este sim o demônio invisível que se compraz da tolice de uma falsa cidadania que pensa se exercer ao só enxergar heróis e vilões num cenário político de fachada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7323946340843094175?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7323946340843094175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/dama-de-ferro-nem-anjo-nem-demonio_24.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7323946340843094175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7323946340843094175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/02/dama-de-ferro-nem-anjo-nem-demonio_24.html' title='A DAMA DE FERRO - nem anjo, nem demônio'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vML-EELjKpI/T0g1tEylQuI/AAAAAAAAAQ0/nZpq4xt8gyM/s72-c/The-Iron-Lady-poster-005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3286550075136543042</id><published>2012-01-17T09:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T09:24:11.965-08:00</updated><title type='text'>Caleidoscópio Temporal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RwbhcybbH9k/TxWt6nmU3kI/AAAAAAAAAQk/0t69rug5s0o/s1600/3Drubikscube.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="236" src="http://2.bp.blogspot.com/-RwbhcybbH9k/TxWt6nmU3kI/AAAAAAAAAQk/0t69rug5s0o/s320/3Drubikscube.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há uma hora atrás eu percorria deslumbrado e lasso as ruas luminosas da cidade alta, cheias de cores que eu ainda não conhecia por ser guri de sete anos - eram só meus olhos que acompanhavam a rota necessária das gotas de chuva, indiscretas ao pintar apressadas o horizonte mínimo que se abre à janela de meu quarto trancado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há segundos atrás, enquanto se escreviam as linhas precedentes, eu tinha vinte anos - era só a ardência repetida de um corpo cheio de novos fluídos a se debater com uma alma senilizada pela leitura de aventuras impossíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque ontem fui um enrugado guru ancião, pintado da cabeça aos pés, cantando aos céus sortilégios com palavras ainda não inventadas, estas que só os bebês sabem reconhecer - eu era eternamente moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sou eu mesmo, vaga e ridícula palavra eu, graças aos céus que ainda não foram nomeados pelo homem - volto a ser ninguém. Salve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3286550075136543042?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3286550075136543042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/01/caleidoscopio-temporal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3286550075136543042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3286550075136543042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2012/01/caleidoscopio-temporal.html' title='Caleidoscópio Temporal'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RwbhcybbH9k/TxWt6nmU3kI/AAAAAAAAAQk/0t69rug5s0o/s72-c/3Drubikscube.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1427091860774914813</id><published>2011-10-24T23:23:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T23:23:38.504-07:00</updated><title type='text'>33</title><content type='html'>Meu corpo aqui, eu ouço&lt;br /&gt;No prazer do corpo que escorre para o desejo, no imaginar das mãos para o céu&lt;br /&gt;Peço ao céu de amanhã para que eu seja música&lt;br /&gt;Pouco resta além da expressão do novo amor, o antigo&lt;br /&gt;A lágrima que não tem nome, a água que o coração engole antes dos olhos&lt;br /&gt;Meus olhos lhe vêem dentro de mim como água cor de nada, cordilheira&lt;br /&gt;Imagino em seus olhos a beleza serena da manhã altíssima como se você fosse a vida&lt;br /&gt;E você é este mais aquele ali e ainda um pobre miserável&lt;br /&gt;E sou uma criança tola que só vê verdade no belo, e tudo é belo quando me escapa&lt;br /&gt;Sou mesmo dessas crianças que conheceram um dia a justiça ambígua da fome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansa sorrir o desespero, o riso é de luta, mas se pode lutar no suave da brisa que nem ri&lt;br /&gt;Aproveito o tempo da felicidade para nem dizer o quanto sou feliz&lt;br /&gt;No oposto, a suspeita difusa da morte, o avesso dos deuses num fio de baba&lt;br /&gt;Mas eu creio: fora a força da gravidade, estou no céu, tenho meu canto de universo&lt;br /&gt;E sinto a violência da esperança abrir entre os órgãos as dores guardadas no esquecimento&lt;br /&gt;Estrelas? Na dúvida, a saída é dançar pelas ruas, mesmo em fuga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou pirata das línguas que se enrolam em paz&lt;br /&gt;Porque é uma guerra ser pacífico, e ainda estamos na idade dos paradoxos&lt;br /&gt;E as fadas ainda correm pelos bosques em louvor de alguma nave mãe alienígena na calada da noite&lt;br /&gt;Tudo ainda é mito e delírio&lt;br /&gt;Como o inferno do outro que lhe deixou e a quem você culpa pela solidão&lt;br /&gt;Queremos ser crianças sob o sol ou outra luz artificial mas tememos ser crianças no escuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou seu medo, a vergonha de se deixar invadir pelo amor&lt;br /&gt;Onde? Nunca. Está dito há muito, o amor é o que se faz com o que sobra&lt;br /&gt;E quando a gente se amar de verdade, cabendo nos limites do mundo, mesmo esqueceremos de porque&lt;br /&gt;Porque termos tido tanta gana de repetir a tal palavra amor, palavra qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ora, o trabalho, dirão os incansáveis, as horas&lt;br /&gt;A espera da novidade repetida, a expectativa de uma resposta, a inquietude da pergunta&lt;br /&gt;Quando muito o que se tem mistura-se numa canção&lt;br /&gt;Ai de mim ser apenas humano, uma taxa, prefiro ser um canal sem nome ou preço&lt;br /&gt;E se existe o inverso do universo, lá estou também&lt;br /&gt;Agora, porém, na avenida mais próxima rasga persistente e uniforme o som do asfalto&lt;br /&gt;Chuvoso e seco como um mantra indiano, meu brasil de todos os mundos&lt;br /&gt;Ah tolos nacionalismos, ismo ismo ismo ismo ígnea vontade de mamar nas tetas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos escravos e estrangeiros da pobreza e da riqueza&lt;br /&gt;Somos a bola que nossa garganta não engole mais, antes, durante ou depois do jogo&lt;br /&gt;Somos a poesia cansada, somos aqueles que não sabem se amam ou se odeiam&lt;br /&gt;Somos o silêncio ridículo do respeito e a infâmia maldita do fio de faca numa língua&lt;br /&gt;E eu que me achava livre na hora do prazer e na impaciência do desterro&lt;br /&gt;E você que se acha mais ou menos que eu não é outra coisa senão a desmedida&lt;br /&gt;E o que lhe toca ou não em mim é problema seu&lt;br /&gt;Não quero sua luz nem sua ignorância, você é muito pouco para ser tão bom ou ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso usar a retórica da falsa modéstia e emitir: sou um idiota&lt;br /&gt;Posso gemer baixinho como passarinho perdido: sou uma inteligência que nem consegue se sustentar&lt;br /&gt;Confissão é o pobre ritual de quem tem vergonha, de quem é alguém&lt;br /&gt;Queremos cúmplices em nossos vícios superiores&lt;br /&gt;Enquanto não nos beijam a alma até sugar a paixão que não temos mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero a flor da carne&lt;br /&gt;Com paciência, vomito na cara de quem sente tédio de ter de pensar para sobreviver&lt;br /&gt;Invalido a verdade da carne num jato de gozo que liquida as dívidas&lt;br /&gt;Sou aquele ninguém cujo nome jamais se diz e que é lembrado num coração sem fundo&lt;br /&gt;Sou só um copo d'água quando o que se quer é o sangue&lt;br /&gt;Você que me escuta para se ouvir em dúvida é o meu próximo beijo e o último selo a decretar o fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva e morra&lt;br /&gt;Se der, passe um instantezinho com quem chegou e partiu&lt;br /&gt;Não mexo mais os dedos esta noite&lt;br /&gt;Sonharei, em vã promessa, no dia em que nos conheceremos na verdade de um prazer único&lt;br /&gt;Quando nem precisaremos observar o fim de tudo nos olhos do outro numa praia a meio sol&lt;br /&gt;Pois que seremos também um copo d´água já meio salgada, engolida pelo ventre da terra agridoce&lt;br /&gt;Ninguém chora na hora da morte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1427091860774914813?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1427091860774914813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/10/33.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1427091860774914813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1427091860774914813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/10/33.html' title='33'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3209724281348794567</id><published>2011-07-23T22:56:00.000-07:00</published><updated>2011-07-28T01:32:01.651-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='letra de música'/><title type='text'>luz de fogo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pwKwW-PReDc/TiuzkqaPkSI/AAAAAAAAAQg/8VxUHXwWiPQ/s1600/Candle_Light_by_akib99.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" src="http://4.bp.blogspot.com/-pwKwW-PReDc/TiuzkqaPkSI/AAAAAAAAAQg/8VxUHXwWiPQ/s320/Candle_Light_by_akib99.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: orange;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: orange;"&gt;&lt;b&gt;um canto aos que morrem jovens&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu choro até por quem me traiu&lt;br /&gt;Eu traio meu próprio conceito&lt;br /&gt;Eu xingo até quem já me pariu&lt;br /&gt;Eu rodo o pé no que ninguém conseguiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intenso&lt;br /&gt;Mesmo que um instante valha o resto da vida&lt;br /&gt;Não quero o resto, quero a vida&lt;br /&gt;Me acabo no pouco que ela me dá&lt;br /&gt;Quero todas as vozes&lt;br /&gt;Todas as pazes&lt;br /&gt;Cada uma de suas fases&lt;br /&gt;Amanheço no desejo e anoiteço num sorriso&lt;br /&gt;Rejuvenesço enquanto latejo&lt;br /&gt;Aconteço num canto incisivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é treino para a guerra&lt;br /&gt;Rezo atrás do reino da grana certa&lt;br /&gt;A peste é ponto para a terra&lt;br /&gt;O caos natural é a única oferta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intenso&lt;br /&gt;Mesmo que o encanto falhe o teste da vida&lt;br /&gt;Não quero protesto, cara comprida&lt;br /&gt;Quero todas as vozes&lt;br /&gt;Mesmo as atrozes,&lt;br /&gt;Cada uma de suas poses&lt;br /&gt;Amanheço no desejo e anoiteço num sorriso&lt;br /&gt;Envelheço num quadro que não vejo&lt;br /&gt;Aconteço enquanto brado o paraíso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3209724281348794567?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3209724281348794567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/07/luz-de-fogo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3209724281348794567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3209724281348794567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/07/luz-de-fogo.html' title='luz de fogo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pwKwW-PReDc/TiuzkqaPkSI/AAAAAAAAAQg/8VxUHXwWiPQ/s72-c/Candle_Light_by_akib99.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6595530415753634140</id><published>2011-06-24T12:06:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T12:06:26.987-07:00</updated><title type='text'>ENTRE AS MARGENS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-DJY1pQPSw1w/TgTf6EJGWPI/AAAAAAAAAQc/wmDSr8kevHU/s1600/opposite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="288" src="http://3.bp.blogspot.com/-DJY1pQPSw1w/TgTf6EJGWPI/AAAAAAAAAQc/wmDSr8kevHU/s400/opposite.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrogantes os cultos, orgulhosos os incultos.&lt;br /&gt;Indiferentes os ricos, invejosos os pobres.&lt;br /&gt;Entediados os experientes, eufóricos os inocentes.&lt;br /&gt;Uns iluminados demais pela razão, outros cegos demais pelo instinto.&lt;br /&gt;Uns só lembram ressentimentos, outros esquecem como sentir.&lt;br /&gt;Uns vão aos extremos, outros a lugar nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero ser todos de mentira e nenhum de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns vaidosos por amarem quem os ama,&lt;br /&gt;Outros se inferiorizam por não serem correspondidos.&lt;br /&gt;Os mesmos que se compadecem dos desemparados,&lt;br /&gt;Adulam os que julgam serem mais afortunados.&lt;br /&gt;Individualistas humanitários, coletivistas autoritários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na guerra dos extremos, até os santos são guerreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que escarnece o outro, se vitimiza para o espelho.&lt;br /&gt;O que vê tudo com malícia, teme sozinho a morte do amor.&lt;br /&gt;O que proclama a liberdade, espera ansioso o dia seguinte.&lt;br /&gt;Ambiciosos cheios de amigos, sábios que se exilam do mundo.&lt;br /&gt;O que transa para não pensar, o que pensa para não transar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os extremos do riso e do choro, todo mundo é invisível na multidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6595530415753634140?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6595530415753634140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/06/entre-as-margens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6595530415753634140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6595530415753634140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/06/entre-as-margens.html' title='ENTRE AS MARGENS'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-DJY1pQPSw1w/TgTf6EJGWPI/AAAAAAAAAQc/wmDSr8kevHU/s72-c/opposite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5119877131867206282</id><published>2011-06-14T23:33:00.000-07:00</published><updated>2011-06-15T01:01:43.177-07:00</updated><title type='text'>Olhos Gordos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Criança, crescer às vezes é algo que acontece quando murcharmos diante dos olhos gordos de quem inibe tua dança tola. Pois todo mundo quer ser livre, mas tem gente que já desistiu, quem sabe achando que existe uma liberdade pronta, quando talvez ser livre seja apenas tentar ser livre. O certo é que quem já desistiu acaba se arrastando como erva parasita sobre uma árvore presa na terra, mas tranquila para ter a coragem de dobrar um choro ao vento que rejuvenesça as folhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos gordos são gordos, e rígido o corpo que os sustenta, pois seu esforço é de virarem-se todos para fora, tentando entender o que o outro lá fora tem de tão poderoso, sem crer que o poder de todos é um só, a ser desenvolvido ou não, que não existem diferenças interiores essenciais, e que, portanto, basta olhar pra dentro e achar seu próprio jeito de fazer as coisas belas. Sim, os olhos gordos só vêem aparências, mesmo quando falam de ideias, só vêem as aparências das ideias, por isso amam frases de efeito, ansiosos de serem amados pelo que emitem e não pelo que comunicam.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto os olhos gordos só vêem aparências, como se estas fossem sólidas e eternas, que quando forjam alegria, são só caricaturas de sorrisos que um dia invejaram. Não sabem que os sorrisos começam nos olhos e não nas presas. Assim, o riso do invejoso é sempre mais esgarçado, em contraste com seus olhos tristes e gordos. Os olhos gordos, que tudo vêem e tudo sabem melhor que os outros, não conseguem ver que um belo sorriso é o ato de assumir que nos reconhecemos num desejo tolo do outro, que somos todos iguais e belos perante o desejo, afinal, alguém de olhos gordos não é alguém que inveja, mas alguém que não assume sua inveja, e tenta se esconder num corpo tão rijo quanto seus olhos vidrados. Os olhos gordos não entendem que a beleza está no movimento e não na forma, está no movimento de buscarmos incessantemente o conforto de um novo modo de ser, necessariamente provisório. Mas os olhos gordos vivem de ideias fixas, começando por uma imagem fixa de seu eu e, pior que isso, não sabem que o eu é sempre uma ilusão, uma brincadeira que não se deve levar a sério. Não acreditam que beleza é liberdade de movimento, e que ser livre, para voltar ao assunto, é mudar, e que mudar é se deixar morrer na coragem de assumir a escuridão da própria ignorância. Os olhos gordos brilham vidrados para não revelarem a escuridão de seu desejo inconfessável. Os invejosos se comprazem em destruir aquilo que não suportam desejar, por isso adoram ressaltar os defeitos nas pessoas e coisas que no fundo acham belas. A beleza, que é a tolice de ser, dói no peito do invejoso que não se abre à sua própria tolice. Prefere escarnecer por meio de uma ingênua malícia - ingênua pois acredita que destruir é a forma mais refinada de inteligência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois não se esqueça, criança, exige muito mais inteligência crescer e permanecer verdadeiramente ingênuo, na coragem espontânea de encarar a incerteza suprema do desconhecido que anima o curioso e desanima o que tudo sabe. Fausto era o falso sábio que invejava a espontaneidade da juventude. Todos somos crianças, se quisermos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos gordos não entendem a loucura da liberdade de se orgulhar modestamente em ser imperfeito; não entendem que somos belos quando assumimos o que temos de torto, pois é isto "ser você mesmo", e quem "se é", por debaixo das máscaras sociais, é sempre uma pessoa atraente. Quando os invejosos resolvem ser loucos, são sempre incoerentes, não entendem que ser louco não é ser "louquinho" na sofisticação do non-sense que se se pretende espontâneo, mas sim guiar-se pela lógica incorruptível da natureza. Da mesma forma, o invejoso julga inteligente o ato adolescente de se autoafirmar através da negação sarcástica do outro que mais cativa seus olhos gordos. Os olhos gordos não sabem se autoafirmar na solidão, assim como só quem tem coragem de ser só sabe ser livre para amar sem esperar que preencha seu vazio. Isto sim é que é ser louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos gordos, quando muito embotados por um desejo forte, são obrigados a assumir a própria inveja e confundem esta com amor. Caem no truque confortável de achar que amam aquilo que invejam. Não é toa que os invejosos só se apaixonam por quem acreditam serem superiores e só aceitam namorar quem podem controlar com a superioridade de seu ego frágil. Afinal, como se diz, como amar o de fora se não se ama o de dentro? Como amar sem se amar? O invejoso nunca se rende a verdades tolas e simples e misteriosas como essas, pois para ele toda tolice é obscura como a ideia exterior de "eu" que sustenta, disfarçando a inveja com egocentrismo. Basta ver que o invejoso não é carinhoso, é adulador; não gosta de receber um amor que enxerga mesmo que duramente, prefere ser adulado, mimado; não sabe falar de igual pra igual, mas só no contexto de uma hierarquia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa inversão de valores que os olhos gordos fazem em sua relação deturpada entre o dentro e fora, acabam também por sentir prazer só na dor, amor só no ódio, criatividade só na destruição, mesmo que nos pequenos gestos quase invisíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É fácil reconhecer um invejoso, a menos que você também tenha olhos gordos. Olhos gordos sempre acabam por pesar e fazer a cabeça baixar, peso que também exige esforço exagerado de erguer-se com superioridade afetada, mas, sobretudo, baixam um momento ou outro, diante da imagem radiante da única felicidade possível: a felicidade leve e provisória, como as asas de uma borboleta que vive apenas dois dias e cujo voo é louco, cuja beleza é tão exuberante quanto inútil, tão urgente quanto despropositada de intenções humanas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5119877131867206282?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5119877131867206282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/06/olhos-gordos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5119877131867206282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5119877131867206282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/06/olhos-gordos.html' title='Olhos Gordos'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2831479160414788846</id><published>2011-05-05T06:37:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T09:06:28.191-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='são paulo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrangeiro'/><title type='text'>Estrangeiro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rPkdTeKdzXI/TcKoEQBmcrI/AAAAAAAAAQY/pBkXZrcXiT4/s1600/sao-paulo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="261" src="http://1.bp.blogspot.com/-rPkdTeKdzXI/TcKoEQBmcrI/AAAAAAAAAQY/pBkXZrcXiT4/s400/sao-paulo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade dos milagres concretos,&lt;br /&gt;Prédios de pedra erguem-se ao céu tal foguetes abortados.&lt;br /&gt;E nada há que consagre por completo&lt;br /&gt;Um remédio contra o tédio dos banquetes e bailados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde vão seus pares agora, estrangeiro,&lt;br /&gt;Depois que tomou por fama todos os prazeres?&lt;br /&gt;Só lhe resta esses ares de carniceiro,&lt;br /&gt;E pra comer a fome que sobrou não tem talheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volte para onde finda seu lar,&lt;br /&gt;Esqueça que cuspiu no prato que te dei;&lt;br /&gt;Se revolte pelo que ainda tem de dar,&lt;br /&gt;Já que é difícil ser grato, eu bem sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem te acredita agora além de um cego&lt;br /&gt;Que se enrola na malha perdida da beleza ultrapassada?&lt;br /&gt;Quando for embora deixe que me encarrego&lt;br /&gt;De tirar da mesa a migalha de tua última risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ligo de recolher outra vez tua sujeira;&lt;br /&gt;Já visitei o inferno da dor que você tem.&lt;br /&gt;Nem digo dos inimigos que fez por coisas rasteiras;&lt;br /&gt;Enfermo, voltei com olhos de amor que teus olhos não vêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pare de seduzir em nome do amor aos pobres,&lt;br /&gt;Tentando se amar ao amar quem dói mais que você.&lt;br /&gt;Aprenda a ser feliz sozinho com teus sentimentos nobres,&lt;br /&gt;Pois quem conhece a rua não quer a arte do teu buquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quem vive de culpa e inveja precisa chorar a pobreza,&lt;br /&gt;E por esse discurso de horrível caridade torce.&lt;br /&gt;Mas quem sorri cúmplice ao mendigo a humana grandeza,&lt;br /&gt;Ri do teu riso que a cárie doída do orgulho ferido distorce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saia bradando: "olha a música que me fizeram cheia de elipses".&lt;br /&gt;Corra para encontrar a linha simples entre o céu e o mar nessas ruas,&lt;br /&gt;Então verá que é por irmandade que te conto o apocalipse,&lt;br /&gt;E amargará a inocência perdida em línguas que não eram tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje as ruas estão belas no olhar vadio que me crio.&lt;br /&gt;Sou um, sou todo cheiro, sou qualquer caminho;&lt;br /&gt;Sinto até um arrepio de gozo ligeiro no ar frio,&lt;br /&gt;Pois já aprendi, estrangeiro, já aprendi a ser sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2831479160414788846?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2831479160414788846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/05/estrangeiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2831479160414788846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2831479160414788846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/05/estrangeiro.html' title='Estrangeiro'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-rPkdTeKdzXI/TcKoEQBmcrI/AAAAAAAAAQY/pBkXZrcXiT4/s72-c/sao-paulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2141880427370997706</id><published>2011-05-03T08:50:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T09:07:14.379-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lester bangs'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica musical'/><title type='text'>REAÇÕES PSICÓTICAS, Lester Bangs</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Lester Bangs é considerado o maior crítico de rock de todos os tempos. Porque não critica apenas tecnicamente as músicas, ele é um próprio guru cultural e verdadeiro poeta. Deixo esse trecho de um artigo seu, sobre o álbum Astral Weeks, do irlandês Van Morrison, para todos meus amigos "artistas" que defendem as causas dos pobres e oprimidos:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZdSIvi3dr3k/TcAkFwbJw2I/AAAAAAAAAQU/ZhlTswx0I-g/s1600/v5TBn1m3rq9m6hj6XZVN07qPo1_400.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZdSIvi3dr3k/TcAkFwbJw2I/AAAAAAAAAQU/ZhlTswx0I-g/s320/v5TBn1m3rq9m6hj6XZVN07qPo1_400.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Você pode dizer ao amor as perguntas que você tem para amar as pessoas que aceleram o fim do amor que é amado para amar a terrível desigualdade da experiência humana que ama dizer que estamos por cima disso tudo que perdeu aquele amor para amar o amor que a liberdade poderia ter sido, o trem para a liberdade, mas nós acabamos nunca embarcando, preferimos vagar generosamente fugindo daqueles que são vítimas de si mesmos. Mas quem pode dizer que aquele que se vitimiza não tem o direito àquela compaixão absoluta provocada pelo mais miserável órfãozinho do Terceiro Mundo num anúncio em uma revista do tipo &lt;i&gt;The New Yorker&lt;/i&gt;? Bah, melhor passar por cima dos corpos, ao menos isso lhes dá o respeito que um dia eles teriam merecido. Onde eu vivo, em Nova York (sem querer fazer disso mais do que é, o que é difícil), todo mundo que eu conheço costuma passar por cima de corpos que bem poderiam estar mortos ou então morrendo, sem dor. E eu me pergunto com qual lógica foi originalmente concebida a ideia de que tal ação significa demonstrar aos refugos humanos o respeito supremo que eles merecem. (...) Se você aceita, por um momento que seja, a ideia de que cada vida humana é tão delicada e preciosa como um floco de neve e aí encara um bebum na saída de um bar, você vai ter que penar e se transformar em uma esponja que suga os problemas de todos os outros babacas, e assim estabelecer os limites apropriados. Você pára de sentir. Mas sabe que é aí que começa a morrer. Então você briga consigo mesmo. Quanto deste horror eu consigo realmente me permitir pensar a respeito? (...) A consciência de estar vivo tem justamente a ver com essa depressão e a exaltação e o insuportável e o tão-almejado. Por favor, volte e me deixe em paz sozinho. Porque quando estamos solitários, mas acompanhados, podemos falar o quanto for sobre essa universalidade &amp;nbsp;desse abismo: não faz a mínima diferença, o superior só vai ao encontro do inferior por socorro, UNICEF para os parentes, e aí você coça e cospe em violenta resignação ao fato consumado de não haver absolutamente nada que você possa fazer a não ser rejeitar finalmente qualquer um que sofra mais do que você. Numa hora dessas, oferecer um novo respiro é traição. Taí porque você deixa de lado suas causas liberais, larga a humanidade sofredora a morrer em condições ainda piores das de antes de você aparecer em suas vidas. Você despertou as esperanças deles. O que lhe faz ainda mais vil que a imundíce mais escrofulosa. (...) Porque você cometeu o crime do conhecimento e, assim, não apenas passou de lado ou por cima de alguém que você sabia estar sofrendo, mas também violou sua privacidade, a última posse dos despossuídos."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2141880427370997706?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2141880427370997706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/05/reacoes-psicoticas-lester-bangs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2141880427370997706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2141880427370997706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/05/reacoes-psicoticas-lester-bangs.html' title='REAÇÕES PSICÓTICAS, Lester Bangs'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ZdSIvi3dr3k/TcAkFwbJw2I/AAAAAAAAAQU/ZhlTswx0I-g/s72-c/v5TBn1m3rq9m6hj6XZVN07qPo1_400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4234849587416109517</id><published>2011-04-21T13:29:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T09:07:54.757-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>o silêncio dos sábios no deserto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gostaria de conhecer a sombra dos sábios no deserto. Pois existe uma grande confusão: ninguém é puro de coração. Os sábios são diplomatas das boas palavras, mas seu inferno está lá, como o nosso. E diante de tanta sabedoria a gente sai correndo de medo da nossa fraqueza, &amp;nbsp;se sustenta na certeza do prazer que foge o tempo todo. A gente se sustenta em alguma ilusão de beleza que contente o coração na hora negra para que possamos sorrir as prêsas competindo com a ilusão de felicidade do outro. Por isso a tentativa do amor romântico é sempre uma nostalgia de inocência. E gente reclama da dor só pra doer mais. E se você tiver coragem, vai chegar com um sorriso nos lábios à questão fatal: viver pra quê? Para o instante, você é obrigado a descobrir por trás dos sonhos. E quando você não aguentar a mentira da verdade, vai correr atrás de um sexo mais verdadeiro que o amor, vai procurar uns olhos que te olhem sabendo o que um bicho procura por trás das palavras. Vai querer dormir no colo de outro corpo que reconheça no seu cada cicatriz de mal querer. Quanto a mim, estou achando lindo o silêncio do tesão que arde imóvel, sem sair do peito quente numa véspera de feriado. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4234849587416109517?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4234849587416109517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/04/o-silencio-dos-sabios-no-deserto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4234849587416109517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4234849587416109517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/04/o-silencio-dos-sabios-no-deserto.html' title='o silêncio dos sábios no deserto'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2848487528443097751</id><published>2011-01-03T21:03:00.000-08:00</published><updated>2011-05-05T09:10:46.033-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>11</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero depurar a quintessência da memória, ver as imagens do passado em silêncio, sem julgá-las, sem ser julgado por elas. Assumo o controle para deixar a mudança tomar conta de mim. Tome conta de mim. Meu corpo fala na noite quieta. Amanhã será o talvez do meu sonho. O que não digo entre uma frase e outra é a decisão do esquecimento. Só colho frases que me vêm numa respiração sem esforço, que engole toda falta, tédio, toda ansiedade, excesso. Falo para mim que, em transformação, não sou ninguém. Sou entre a memória e o sonho, entre o erro e o ajuste. Talvez eu seja qualquer um e qualquer um possa me entender. Isto também é sonho. Saberá me entender quem sabe trabalhar com fome, sem nenhum outro julgamento senão o instinto de sobrevivência. Tenho que ser prático, objetivo. E haverá o dia em que esse rico mundo de versos subjetivos será um capítulo em testemunho da construção social de uma nova objetividade, baseada na aceitação do acaso e no bom proveito da sorte. Passou-se o tempo de medir o mundo. Chega de ser criança e achar&amp;nbsp;que receberei de alguém maior uma explicação para tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2848487528443097751?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2848487528443097751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/01/11.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2848487528443097751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2848487528443097751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2011/01/11.html' title='11'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-178834061474156084</id><published>2010-12-22T10:41:00.000-08:00</published><updated>2011-05-05T09:10:23.078-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luis Borges'/><title type='text'>Fragmentos de um evangelho apócrifo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TRJF4q1Jv8I/AAAAAAAAAQI/KlYVozkQg58/s1600/jorge_luis_borges.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TRJF4q1Jv8I/AAAAAAAAAQI/KlYVozkQg58/s320/jorge_luis_borges.jpg" width="243" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;Tradução de Alexandre Rabelo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. Desditado o pobre de espírito, porque debaixo da terra será o que é agora na terra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. Desditado o que chora, porque já tem o hábito miserável do pranto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. Ditosos os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6. Não basta ser o último para ser alguma vez o primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7. Feliz o que não insiste em ter razão, porque ninguém a tem ou todos a tem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8. Feliz o que perdoa os outros e o que perdoa a si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;9. Bem aventurados os mansos, porque não condescendem à discórdia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;10. Bem aventurados os que não tem fome de justiça, porque sabem que nossa sorte, adversa ou piedosa, é obra do acaso, que é inescrutável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;11. Bem aventurados os misericordiosos, porque sua dita está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;12. Bem aventurados os de limpo coração, porque vêem a Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;13. Bem aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça,&amp;nbsp;porque lhes importa mais a justiça que seu destino humano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;14. Ninguém é o sal da terra, ninguém, em algum momento de sua vida, não o é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;15. Que a luz de uma lâmpada se acenda, ainda que nenhum homem a veja. Deus&amp;nbsp;a verá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;16. Não há mandamento que não possa ser infringido, e também os que digo e que os profetas disseram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;17. Aquele que mata por causa da justiça, ou pela causa que ele crê justa, não tem culpa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;18. Os atos do homem não merecem nem o fogo nem os céus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;19. Não odeia&amp;nbsp;teu inimigo, porque se o fazes, é de algum modo seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que tua paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;20. Se te ofender tua mão direita, perdoa-na, és um corpo e és uma alma e é árduo, ou impossível, fixar a fronteira que os divide.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;24. Não exagera o culto da verdade; não há homem que ao cabo de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;25. Não jura, porque todo juramento é uma ênfase.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;26. Resiste ao mal, porém sem assombro e sem ira; a quem&amp;nbsp;te ferir na face direita, podes virar-lhe a outra, sempre que não te mova o terror.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;27. Não falo nem de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;28. Fazer o bem a teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;29. Fazer o bem a teu inimigo é o melhor modo de comprazir tua vaidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;30. Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;31. Pensa que os outros são justos ou o serão, e se não é assim, não é teu o erro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;32. Deus é mais generoso que os homens e os julgará com outra medida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;33. Dá o santo aos cães, deixe tuas pérolas aos porcos; o que importa é dar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;34. Busca pelo agrado de buscar, não pelo de&amp;nbsp;encontrar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;39. A porta é quem escolhe, não o homem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;40. Não julgue a árvore por seus frutos nem o homem por suas obras; podem ser piores ou melhores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;41. Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fosse pedra a areia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;47. Feliz o pobre sem amargura e o rico sem soberba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;48. Felizes os valentes, os que aceitam com ânimo parecido a derrota ou as palmas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;49. Felizes os que guardam na memória as palavras de Virgílio ou de Cristo, porque estas darão luz a seus dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;50. Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;51. Felizes os felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;texto publicado em&amp;nbsp;"Elogio da Sombra" (1969)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-178834061474156084?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/178834061474156084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/fragmentos-de-um-evangelho-apocrifo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/178834061474156084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/178834061474156084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/fragmentos-de-um-evangelho-apocrifo.html' title='Fragmentos de um evangelho apócrifo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TRJF4q1Jv8I/AAAAAAAAAQI/KlYVozkQg58/s72-c/jorge_luis_borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-248974500307586439</id><published>2010-12-19T07:06:00.000-08:00</published><updated>2011-05-05T09:10:04.053-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quatro elementos'/><title type='text'>4 ELEMENTOS</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TQ4fRPFejvI/AAAAAAAAAQE/JYm0OjV5t2A/s1600/louis-finson-4-elements-600x631.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TQ4fRPFejvI/AAAAAAAAAQE/JYm0OjV5t2A/s400/louis-finson-4-elements-600x631.jpg" width="380" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Alegoria dos quatro elementos, Louis Finson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;AR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar pra quem voa é lucro,&lt;br /&gt;pra quem parte é pouco,&lt;br /&gt;pra quem fica é luto,&lt;br /&gt;pra quem respira é oco,&lt;br /&gt;pra espaçonave é um lustro,&lt;br /&gt;pro recém nascido é um chute;&lt;br /&gt;e quem pensa o ar com custo é louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fogo mais brilhante é o incêndio;&lt;br /&gt;o&amp;nbsp;olho mais ardente é traiçoeiro;&lt;br /&gt;beijo quente é imitação que não ofende-o;&lt;br /&gt;tem fogo até nos pulsos de um coveiro.&lt;br /&gt;Explode uma faísca no rosto mais cândido;&lt;br /&gt;no centro desta festa em chama me desviro.&lt;br /&gt;O fogo é puro no escuro como o sorriso do bandido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão bate seco na estrada real;&lt;br /&gt;escorrega o deserto na superfície de areia;&lt;br /&gt;O dente que morde, a pedra fatal;&lt;br /&gt;De pó também se ergue quem viaja na beira.&lt;br /&gt;Terra batida, terra mexida no temporal,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;terra de todos os nomes, terra só de poeira.&lt;br /&gt;Mãe de todos, pai de cada funeral,&lt;br /&gt;Engole o orgulho de ser tão astral quando é só rasteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÁGUA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onda que leva e engole,&lt;br /&gt;gota que seca e vira céu,&lt;br /&gt;mistério do fundo mais mole,&lt;br /&gt;na fossa abissal o último véu.&lt;br /&gt;Saliva que azeita a nota do fole,&lt;br /&gt;chuva que campassa o galope do corcel,&lt;br /&gt;mar que se enrola, nuvens ao léu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-248974500307586439?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/248974500307586439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/4-elementos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/248974500307586439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/248974500307586439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/4-elementos.html' title='4 ELEMENTOS'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TQ4fRPFejvI/AAAAAAAAAQE/JYm0OjV5t2A/s72-c/louis-finson-4-elements-600x631.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5778562805412627306</id><published>2010-12-06T18:38:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T18:38:46.551-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>adormecer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansados dos ventos da noite, os finos fios de cabelo, frágeis e incomunicáveis uns aos outros pelo toque cego, tal uma raça inteira de humanos na cabeça de um deus, foram se acomodando na maciez maternal do travesseiro que, de tão justo, não prometia sonho algum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cabeça toda pesou sem culpa de ser só uma bola oca erguida no orgulho de um pescoço frágil que tanto se revirou para apreender as maravilhas do mundo. O peito pôde enfim suspirar a sinceridade de um cansaço ignorado durante o afã da sobrevivência de algum prazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A boca entreaberta aspirou um ar que se queria imaginar vindo de um tempo remoto onde não haviam homens, só terra e água revolvendo-se satisfeitas no próprio mistério.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma música chegou aos ouvidos, um zunido grave e suave que se reverberava como ondas de um lago calmo e habitado só por dançantes algas submersas em eterna oração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos abriam e fechavam para comprovar se a reconfortante escuridão de fora era a mesma de dentro, de silenciosa entrega de todos os desejos ao lixo mais próximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As últimas palavras que a consciência soube captar foram: eu acredito. Depois, só uma revoada de pássaros translúcidos na noite fresca.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5778562805412627306?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5778562805412627306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/adormecer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5778562805412627306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5778562805412627306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/adormecer.html' title='adormecer'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2742667445025307028</id><published>2010-12-02T14:21:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T14:35:43.514-08:00</updated><title type='text'>HINO À NOVA ALEGRIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TPgfJKBh_oI/AAAAAAAAAQA/dTvCFf4TLjk/s1600/Keith_Haring_BJones_poster_82.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TPgfJKBh_oI/AAAAAAAAAQA/dTvCFf4TLjk/s320/Keith_Haring_BJones_poster_82.jpg" width="303" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inspirado em Schiller, Goethe, Beethoven.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Amigos que não nasceram e&amp;nbsp;que portanto não conheço,&lt;br /&gt;São vocês que reconhecerão no rejuvenescer de meus olhos&lt;br /&gt;Esta infância que eu próprio às vezes esqueço,&lt;br /&gt;Mas que sorri fácil tendo na garganta os mais finos óleos&lt;br /&gt;De hinos cantados com o mesmo perfume&lt;br /&gt;Que nos bons e nos maus a vida resume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguem das lodosas sombras o duvidoso sarcasmo&lt;br /&gt;E num riso leve ao céu da manhã primeira&lt;br /&gt;Riam de todo ressentimento que só vê prazer no orgasmo,&lt;br /&gt;Para que os ventos confundam todos os cabelos numa só bandeira.&lt;br /&gt;Pois não é de sombra nem de luz que se ergue um vitorioso,&lt;br /&gt;Mas do invisível que eriça a pele num novo gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se seduzam pelos que se pretendem retos&lt;br /&gt;E que se arrogam e se afirmam por ter muito trabalho.&lt;br /&gt;Nem só de pios sacrifícios se fazem os corretos,&lt;br /&gt;Nem só por poder é dividido um baralho.&lt;br /&gt;É por jogo também que se vive e que se espera,&lt;br /&gt;E às vezes é preciso se perder para sonhar a seguinte era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora esqueçam meus conselhos e atirem pro alto a moeda;&lt;br /&gt;Cara ou coroa, toda escolha tem conosco um parentesco.&lt;br /&gt;Um só caminho sempre as outras possibilidades veda,&lt;br /&gt;E o único lar será sempre um coração fresco.&lt;br /&gt;É de água que somos e nela tudo se mistura,&lt;br /&gt;Seja o vil metal fundido seja a mais bela pintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem da terra conheceu todo desejo,&lt;br /&gt;Pode criar um novo céu de paixão sem destino,&lt;br /&gt;Onde toda ambição se resuma a um beijo&lt;br /&gt;Dado ao acaso de um sopro repentino.&lt;br /&gt;E só nos olhares contentes de si teremos o sexo flagrante&lt;br /&gt;E será quando cada um de todos será irmão e amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi só um sonho vão como é vã toda fama,&lt;br /&gt;Mas foi num sonho como este que todo gênio se ergueu eterno;&lt;br /&gt;E a todos eles coube conhecer primeiro a lama&lt;br /&gt;Donde cada um nasceu e para onde escorre todo inferno.&lt;br /&gt;Pois é no turbilhão entre o escuro e o iluminado que tudo se cria;&lt;br /&gt;Assim, mesmo indecisos, cantemos juntos à nova alegria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2742667445025307028?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2742667445025307028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/hino-nova-alegria.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2742667445025307028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2742667445025307028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/12/hino-nova-alegria.html' title='HINO À NOVA ALEGRIA'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TPgfJKBh_oI/AAAAAAAAAQA/dTvCFf4TLjk/s72-c/Keith_Haring_BJones_poster_82.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7195789399362944566</id><published>2010-11-09T21:51:00.000-08:00</published><updated>2011-05-05T09:09:38.481-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>Uma História do Gostar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostavam tão sinceramente um do outro, dos olhos, da boca, das mãos, das pontas de cada coisa, que era até perigoso chamar isso de amor. Amor parecia outra coisa que tinham vivido e não queriam mais, não diante desse gostar de criança, sem nome de nada, com forma de brincadeira de fazer rir dos piores defeitos, sem riso de inteligência que julga, apenas como dois palhaços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O loiro se sentia tão&amp;nbsp;espontâneo que se permitia até ser gostado no que tinha de feio, e&amp;nbsp; exibia isso só para o moreno, em danças de contorções que expunham toda uma história de ter de ser flexível e curar-se pela cura de uma criança doente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O moreno se sentia tão renovado&amp;nbsp;por uma certa idiotice de apenas ser, que pela primeira vez em anos não precisava nem ser sedutor, nem inteligente; era apenas um ouvido perplexo, um olhar inocente, uma&amp;nbsp;boca pensa de quem não sabe o que pensar e nem quer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Definitivamente não era amor - essa coisa chata&amp;nbsp;de gente&amp;nbsp;grande - era retorno à infância, à essência do que não tem nome nem nunca terá. Era coragem de dizer tudo, até história de fazer chorar, pois que importância tinham as&amp;nbsp;palavras tristes diante daquele conforto de confiar no escuro? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma força de serem solitários pra valer desta vez, marcados pela vida e pela morte,&amp;nbsp;e exatamente porque estavam&amp;nbsp;juntos no fundo dos olhos irremediavelmente sós, sem ilusões.&amp;nbsp;Era tão de verdade que nem precisavam viver enlaçados; o respeito de santo e a cumplicidade de bandido eram&amp;nbsp; os mesmos à distância, mesmo sem beijo nem nada que viesse debaixo da pele para provar que estavam bem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estavam juntos na cama, não se enlaçavam na prisão do desejo. Ao contrário, deixavam o coração correr livre, para longe, para a saudade de outro tempo, e só denunciavam suas ansiedades no toque mínimo de um dedo de pé e outro da mão,&amp;nbsp;delicadamente, sem forçar uma prova de carinho como fazemos quando transamos com qualquer um e queremos ser educados e humanos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estavam na cama eram da mesma família, e seu espaço no escuro era tão sagrado que mesmo&amp;nbsp;a excitação do&amp;nbsp;sexo parecia corromper essa correspondência mútua, como se não tivessem o direito de ferir com um desejo ardente, com uma pressa qualquer de prazer e alívio, as bocas quietas e o sexo endurecido na tranquilidade do sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ficavam confusos, tinham vontade de se separar para não correrem o risco de magoar o outro com uma imperfeição injusta. Tinham tanto cuidado um com o outro que preferiam ser confusos na sedução de outras bocas fáceis de desejar. Gostavam tanto um do outro que não se permitiam estar juntos apenas pela liberdade fugaz do gozo. Gostavam tanto que não se permitiam ser vaidosos um com o outro, preferindo errar por aí na hora da insegurança, fingindo força para pedir um elogio de alguém que se deslumbrasse com suas belezas. Até nisso eram parecidos, até nisso seu gostar os tornava humanos por inteiro, partidos. E gostavam tanto um do outro, o loiro e o moreno, que até achavam errado serem&amp;nbsp;tão diferentes, como se&amp;nbsp;um gosto de um&amp;nbsp;maculasse o gostar do outro, embora nunca tenham se ofendido em nada, e só tenham pecado pela inspiração que tinham em serem perfeitos um com o outro, como se fosse possivel. Gostavam tanto um do outro que até ficavam confusos quando conseguiam se divertir sozinhos, com outras pessoas, como se não fosse justo viver uma felicidade&amp;nbsp;clandestina que depois trocariam no olhar, um aumentando o sorriso do outro em silêncio, mesmo na certeza de uma tristeza indizível&amp;nbsp;para quem se gosta. Gostavam tanto um do outro que&amp;nbsp;sentiam culpa quando um estava triste e preocupado e o outro feliz e relaxado. Gostavam tanto um do outro que tinham medo de perder a sintonia no silêncio da espera, o que os obrigava a sonhar um com outro no esconderijo de um sono impensado após o esforço de ser feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dava medo de gostar de verdade sem doer na ilusão de uma paixão. A paixão dá certezas, como se houvesse alguma certeza na vida diferente da morte, e eles se gostavam no mistério mais honesto de não saber o quanto&amp;nbsp;e quando gostavam, como na vida&amp;nbsp;mais verdaeira fora das explicações. Seu gostar era mais puro quanto mais fosse incerto.&amp;nbsp;E esse mistério era lindo e difícil de respirar como toda beleza é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu respiro. E escrevi essa história do gostar do loiro&amp;nbsp;e do&amp;nbsp;moreno na fé de que os melhores amantes aqui irão se reconhecer e descansar em paz. Perdoem-me os outros a quem pareço mentir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7195789399362944566?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7195789399362944566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/11/uma-historia-do-gostar.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7195789399362944566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7195789399362944566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/11/uma-historia-do-gostar.html' title='Uma História do Gostar'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6575606617140688357</id><published>2010-08-08T22:06:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T09:08:54.158-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>domingo à noite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Domingo era o fim e o começo de tudo. O velho corpo desperto estalava novos sonhos nas antigas dores. O fim do filme na tevê sonolenta fechou nossos olhos nas muitas histórias que venderemos para ao mundo. Sim, saberemos fazer nossos irmãos sorrirem, e os inimigos serão irmaõs. Amanhã, na vida dura, usaremos um tempo de solidão no aprendizado privilegiado da arte, essa coisa qualquer. Saberemos o que faz brilhar os olhos de todas essas pessoas lá fora da janela, já muito satisfeitas das festas em trânsito e, juntos, riremos de todas as ilusões. Saberemos pôr seus corpos em ação no momento em que seria só tristeza, preguiça, mau-humor. Saberemos um amor melhor, sem nome ainda. Inventaremos esse mundo&amp;nbsp;que nossos olhos já inventaram, em que todos já são belos e fortes e frágeis. Então, sem vanglória, dividiremos o pão inventando seu sabor. E o pão será apenas um pão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6575606617140688357?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6575606617140688357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/08/domingo-noite.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6575606617140688357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6575606617140688357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/08/domingo-noite.html' title='domingo à noite'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7582228064654151541</id><published>2010-07-28T14:32:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T09:08:28.133-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>PRETENSO MINI-CONTO CLARICIANO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O garoto olhou assustado, ansioso: ali atrás da cerca era um hipopótamo, dizia a placa de identidade. Tinha boca grande de desvirar homem em troço, mas só mascava um tempo de coisa já degustada; tinha peso de cair por cima, mas se punha debaixo d'água, deixando pra fora só duas orelhas rebaterem leves como as mãos de uma criança que não sabe falar. O garoto viu tudo isso, respirou fundo com prazer onde antes era duro de sentir, e soube, assim parado: era amor. Então, vomitou. Rápido, seco, num jato. Porque precisava sentir-se menino de novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7582228064654151541?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7582228064654151541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/07/pretenso-mini-conto-clariciano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7582228064654151541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7582228064654151541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/07/pretenso-mini-conto-clariciano.html' title='PRETENSO MINI-CONTO CLARICIANO'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6819837547429530936</id><published>2010-07-13T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T11:48:45.535-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aforismas'/><title type='text'>pimentas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TDy0Qv6x92I/AAAAAAAAAPw/CA_eVOhNV9U/s1600/hot%2520or%2520not.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="292" rw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TDy0Qv6x92I/AAAAAAAAAPw/CA_eVOhNV9U/s320/hot%2520or%2520not.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sabe uma ciranda trouxesse teu sonho de volta... Mas, eu sou um tolo por sonhar por você, não é mesmo? Então, vamos ser práticos: meu riso só quer liberar&amp;nbsp;o espaço fechado&amp;nbsp;que tua tensão me provocou. Você chama isso de orgulho; e eu, de pérolas aos porcos. Adeus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem gente que acha que para ser perfeito tem que ser solene. Mais vale uma criança de rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bateu uma coceira, sabe... Diga assim: "é tudo sexo". E eu direi pra mim: "você precisa trepar mais mais tempo e mais fundo. Olhando pra você eu penso: estou com uma preguiça justa e honesta de lutar contra quem já fui. Não luto mais contra a morte. É inútil. E prefiro sempre inventar que o dia é belo ou estranho. Parei de sentir tédio."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora o mundo é meu quintal. Sei onde fica cada surpersa e mesmo assim cada nova vida em algum objeto mofado onde o sol não chega. E tomo um fôlego do Himalaia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alô? Ah, é você dor... Sei... Está&amp;nbsp;se sentindo sozinha hoje, dor? Veio para me dizer que a culpa é minha? Ora, ora...&amp;nbsp;a senhora anda muito ressentida. Não sabe que&amp;nbsp;o mundo é o mundo, sem eu ou você? Francamente, nunca pensei que a dor tivesse medo de assumir que sua carne não toca o céu, de que estamos no&amp;nbsp;mesmo buraco, eu e você,&amp;nbsp;tão exigente...&amp;nbsp;É só.&amp;nbsp;Passar bem.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;maio/2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6819837547429530936?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6819837547429530936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/07/pimentas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6819837547429530936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6819837547429530936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/07/pimentas.html' title='pimentas'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TDy0Qv6x92I/AAAAAAAAAPw/CA_eVOhNV9U/s72-c/hot%2520or%2520not.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6426848452025073956</id><published>2010-06-24T01:35:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:44:05.792-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rima interna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='don juan'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verso livre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>Devaneios de Don Juan</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TCMWnTCm_aI/AAAAAAAAAPo/Ob8ibq_GnAQ/s1600/baiser-rayon-x.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" ru="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TCMWnTCm_aI/AAAAAAAAAPo/Ob8ibq_GnAQ/s400/baiser-rayon-x.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob feitiço. Submetido nos vãos em que a palavra não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me ofereça tal lânguida delicadeza. Ao invés, parta comigo para a guerra. Sim,&amp;nbsp;é da terra que falo, apesar desta sua seda que enrolo entre meus dedos, entre meus deuses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prometa. Mas não aconteça. Guarde o fogo no olhar, guarde os lábios devastadores no&amp;nbsp;silencioso vinho. Venha, mas não se entregue mais; eu sou todo mal, sou infame, sou&amp;nbsp;desses matadores de&amp;nbsp;ninho. Não me diga seu nome, seu mar; não me conte um segredo. Já sei de tudo; sou só escudo, sou só degredo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou frio, mas como iceberg no degelo, oculto aos olhos dos céus, dos homens. Eu invado e mato. Cuidado, sou só um albergue, sou de passagem. Eu imundo e invado. Sou pássaro de rés, sou viagem de ré, sou o que ninguém quer, sou todo réu. Não sou um homem; sou um seu dia. Também sou ninguém; sou, por enquanto, sua cria. Sim, eu sou o amor, por isso não me apaixono. Sim,&amp;nbsp;sou&amp;nbsp;o cortiço da dor, e assim é que funciono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não é um conselho; não sou seu pai. O que você quer? Haverá o tempo em que não precisaremos mais de um pai, de um espelho, de um ai sequer. Então, nos encontraremos nas praias, filhos do sol desperto, quentes depois da febre, lúcidos depois das pragas, idiotas ao certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por enquanto, o desejo. A carne que tateia no escuro, o ensejo impuro. Amanhã será talvez,&amp;nbsp;e deste vazio de incerteza bem-vinda, saberemos dar vez ao beijo mais justo - a palavra mais linda.&amp;nbsp;Seremos um a todo custo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quero estar alerta depois do gozo de ser, como se fosse o fim do mundo e pudéssemos enfim - ouso dizer - rir de toda esperança, dançar como bichos toda ilusão de um suposto fundo. Não ser belos, mas&amp;nbsp;rosto imundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois quero o amor que ninguém ainda inventou, quero a irmandade. Quero a verdade que a mão de&amp;nbsp;nenhum amante&amp;nbsp;matou, não quero a saudade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6426848452025073956?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6426848452025073956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/devaneios-de-don-juan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6426848452025073956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6426848452025073956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/devaneios-de-don-juan.html' title='Devaneios de Don Juan'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TCMWnTCm_aI/AAAAAAAAAPo/Ob8ibq_GnAQ/s72-c/baiser-rayon-x.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6607378842069296863</id><published>2010-06-16T20:29:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:35:33.948-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura japonesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cem Anos de Solidão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alice no País das Maravilhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='william blake'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dostoiévski'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='kafka'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haruki murakami'/><title type='text'>Haruki Murakami entre aventuras juvenis e silêncios extemporâneos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TBmLUWXIwnI/AAAAAAAAAPg/wbnn2kT7Uhs/s1600/haruki_murakami_he_wanna_talk1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" qu="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TBmLUWXIwnI/AAAAAAAAAPg/wbnn2kT7Uhs/s400/haruki_murakami_he_wanna_talk1.jpg" width="355" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;William Blake, em seu livro &lt;em&gt;Canções da Inocência e da Experiência &lt;/em&gt;nos&amp;nbsp;devolve sempre à encruzilhada entre os mitos "ocidente" e "oriente". Mito ocidental é o da experiência da razão, da ciência da palavra que é magicamente lógica, científica, histórica, explicativa. Mito oriental é o de um misticismo inocente, de um paraíso perdido, de uma palavra que é, no anverso da história e do tempo, logicamente mágica, revelada. A graça deste livro de Blake, que tomamos como exemplo de uma problemática, é exatamente justapor os mitos sem hierarquizá-los, é&amp;nbsp;transmitir em cada metade de seu livro o mesmo conjunto de experiências&amp;nbsp;por duas chaves; aquela que abre um quarto de adulto para que uma criança o veja e ali sinta os aromas de putrefação animal que a palavra esconde, e aquela outra chave posta na mão do adulto que espera encontrar no quarto da criança&amp;nbsp; um mistério que ele se esqueceu de sonhar, e que talvez nunca soube.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É nesta encruzilhada que o escritor japonês Haruki Murakami&amp;nbsp;constrói sua obra trans-hemisferial &lt;em&gt;Kafka à beira-mar. &lt;/em&gt;Ali, um oriente ocidentalizado tem nostalgia de sua própria inocência no olhar do outro, bem como um ocidente orientalizado vê a si mesmo em suas experiências com o mistério, a escuridão, o oculto, ou, em outras palavras, com o deslumbre iluminado da fantasia. Este livro é eruditamente irônico e melancólico e popularescamente palhaço e triste.&amp;nbsp;Em &lt;em&gt;Kafka à beira-mar, &lt;/em&gt;os extremismos de um paraíso perdido e de um inferno presente são tão pitorescos quanto burlescos, e o que nos resta - se cabe-nos buscar um substrato, uma síntese - é um limbo criado entre os universos fantásticos de &lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Cem Anos de Solidão. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta impressiva&amp;nbsp;obra de Murakami,&amp;nbsp;a infância e a velhice do mundo tentam se encontrar entre fantasias extremas (ou extremistas), justapostas como a inocência e a experiência, entre o menino de quinze anos Kafka Tamura&amp;nbsp;e o ancião Satoru Nakata. O menino, que foge de casa enfeitiçado por uma profecia edipiana, nos representa a descoberta do mundo como uma&amp;nbsp;aventura&amp;nbsp;desencantada. Kafka Tamura é já um velho que sabe. Nakata, o velho imbecilizado por um evento misterioso da natureza inexplicável, é o Quixote, o Idiota de Dostoiévski. Tem a inocência da ignorância que não deixa de ser ética. Essas duas trajetórias paralelas, que só convergem num infinito fora deste mundo, mas pleno de sentido, nos levam a devorar o tempo de cada página como se a eternidade pudesse enfim ser retida, mesmo ao ser abandonada por nossas desilusões.&amp;nbsp;De que lado está a verdade? Na canção do Radiohead repetidamente ouvida em silêncio pelo menino Kafka? Na língua dos gatos que Nakata domina e depois esquece? Nesta obra fantástica (nos dois sentidos), a fantasia é refúgio e ao mesmo tempo desilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Tóquio a uma floresta encantada na ilha de Shikoku, o inocente ancião e o experiente menino só encontram fantasmas, mas é no limbo da busca que o humano deixa o testemunho mínimo de sua dignidade. Murakami não cai na cilada de explicar os mistérios. São muitas as imagens que se sucedem freneticamente nesta ficção contudo tão mortalmente silenciosa quanto a realidade mais dura: uma chuva de peixes, uma pedra que fala, um menino chamado corvo, um velho que fala com gatos, uma flauta de almas, uma profecia edipiana, as sombras da guerra, os labirintos da cidade e da mata e, sobretudo, os prazeres simples e intensos, de&amp;nbsp;um prato de arroz ao sexo cru.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pretensão de Murakami parece ser um compêndio das ilusões humanas, de tabus&amp;nbsp;primitivos, como o incesto e o assassinato, à elaboração mais intricada de um suposto mundo espiritual,&amp;nbsp;visando paradoxalmente pelo excesso um esvaziamento da memória do mundo. É de um conforto incômodo. É a certeza do poder da incerteza do sonho em que o poder deixa de&amp;nbsp;se impor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A busca por identidade, que conduz as personagens, se torna mais importante quanto menos elas buscam se afirmar.&amp;nbsp;Só importa a busca, que nesse universo ficcional tão rico e imaginativo, não pretende nos levar a nenhum lugar conhecido, embora se construa com imagens deliberadamente familiares. Finalmente, a consciência de si&amp;nbsp;só&amp;nbsp;ganha&amp;nbsp;densidade ao se reconciliar com &amp;nbsp;a presença inominável do mundo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;"- &lt;em&gt;Mas ainda não sei o que significa viver - digo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;- Olhe o quadro - diz ele - Ouça o vento.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;Aceno a cabeça positivamente.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;- Durma um pouco - diz o menino chamado Corvo - E, quando acordar, será parte de um novo mundo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #f1c232;"&gt;E então, você adormeceu. E, quando acorda, é parte de um mundo novo."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um livro para todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6607378842069296863?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6607378842069296863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/haruki-murakami-entre-aventuras-juvenis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6607378842069296863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6607378842069296863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/haruki-murakami-entre-aventuras-juvenis.html' title='Haruki Murakami entre aventuras juvenis e silêncios extemporâneos'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TBmLUWXIwnI/AAAAAAAAAPg/wbnn2kT7Uhs/s72-c/haruki_murakami_he_wanna_talk1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5753911833616156711</id><published>2010-06-06T22:31:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:35:03.450-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura japonesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dostoiévski'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dom Quixote'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='kafka à beira mar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haruki murakami'/><title type='text'>KAFKA À BEIRA-MAR - Haruki Murakami</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TAyEBJHLvPI/AAAAAAAAAPY/fgU0udbIAyI/s1600/capa-kafka-%25C3%25A0-beira-mar.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" qu="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TAyEBJHLvPI/AAAAAAAAAPY/fgU0udbIAyI/s320/capa-kafka-%25C3%25A0-beira-mar.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Nakata descontraiu os músculos, desligou o comutador da cabeça e transformou-se numa espécie de sensor vivo. Isso era natural para ele. Nakata o fazia cotidianamente desde criança. Logo, as bordas da consciência começaram a esvoaçar como borboletas. Do outro lado da borda estendia-se um vasto e escuro abismo.&amp;nbsp; Por vezes, ele estrapolava&amp;nbsp;a borda e sobrevoava esse abismo de estonteante profundidade. Mas Nakata não temia nem a escuridão nem a profundidade. Por que haveria de temê-las? Esse mundo escuro cujo fundo não avistava, assim como o pesado silêncio e o caos, há muito constituíam uma entidade amiga e repleta de nostalgia e eram agora parte dele mesmo. Nakata sabia disso muito bem. Nesse mundo não havia letras, dias de semana, temíveis governadores,&amp;nbsp;óperas, nem BMWs. Nem tesouras, nem chapéus de copa alta. Mas ao mesmo tempo não havia também enguias nem pão doces. Ali havia &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt;. Mas ali não havia &lt;em&gt;partes.&lt;/em&gt; Como não havia partes, não precisava substituir&amp;nbsp;certas coisas por outras. Nem tirar nem acrescentar. Não era preciso pensar em coisas difíceis, bastava apenas deixar-se impregnar por &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt;. E Nakata achava que isso era mais gratificante do que qualquer outra coisa no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, Nakata caía em leve modorra. Ele podia adormecer, mas seus cinco sentidos estavam alertas, vigiando o terreno baldio. Se algo acontecesse, se alguém ali surgisse, Nakata despertaria num átimo e entraria em ação em seguida."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Tradução do japonês de Leiko Gotoda&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Editora Objetiva/Alfaguara 2008&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é o segundo livro que leio deste grande autor contemporâneo de origem japonesa. Sua mistura de referências eruditas e pop nos levam a imersões em experiências&amp;nbsp;impressionantes como a deste trecho, em que uma experiência digna de um guru oriental é vivida por Nakata, um senhor "idiota" no mesmo sentido do Quixote ou do príncipe Mishkin em Dostoiévski. A capacidade deste autor de expor com clareza, simplicidade e naturalidade as experiências mais tabu e limítrofes da vida, as mais inexplicáveis, é um assombro para o leitor. Este autor tem a rara capacidade de&amp;nbsp;popularizar sem perder a profundidade e os detalhes, ao mesmo tempo em que "eruditiza" experiências cotidianas sem nome,&amp;nbsp;imprimindo-lhes um significado transcendental, à la Clarice.&amp;nbsp;Quando terminar a leitura volto para contar mais. Para quem quiser, dê uma uma olhada no escrevi sobre o outro livro de Marakami que li, Norwegian Wood:&lt;/div&gt;&lt;a href="http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/norwegian-wood-haruki-murakami-e.html"&gt;http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/norwegian-wood-haruki-murakami-e.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5753911833616156711?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5753911833616156711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/kafka-beira-mar-haruki-murakami.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5753911833616156711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5753911833616156711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/06/kafka-beira-mar-haruki-murakami.html' title='KAFKA À BEIRA-MAR - Haruki Murakami'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/TAyEBJHLvPI/AAAAAAAAAPY/fgU0udbIAyI/s72-c/capa-kafka-%25C3%25A0-beira-mar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1980085787343447602</id><published>2010-05-29T01:29:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:56:15.852-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu lírico feminino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manhã'/><title type='text'>fim da manhã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que a manhã representava um consolo. O estômago era o mesmo de ontem, a calça também. Ninguém dorme bem de calça jeans.&amp;nbsp;E a culpa da vida era só isto, uma calça de pano bruto. E dizem que nos libertamos dos espartilhos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era doce desdizer a vida numa manhã à beira mar. O céu não anunciava catástrofes, as ondas eram uma canção de ninar com preguiça de se cantar. Talvez mesmo eu prepare o almoço de todos; servirei cuidados sem me sentir empregada, sem ser dona de casa ou mulher independente, moderna. Com as mãos nos legumes, serei ninguém.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da porta ao lado ouvia-se&amp;nbsp;o ranger de quem mal acorda.&amp;nbsp;&amp;nbsp;O quarto dos homens - lembrou-se supondo um bafo quente e acre de quartel militar. Se fosse João, queria flagrá-lo de pau quase duro sob o moleton poído, preto. Sentiria o cheiro de sua urina pela porta entreaberta do banheiro. Mas não, ninguém poderia saber. Seu desejo não era tanto que precisasse ser assumido entre tantos, entre os chistes do grupo inteiro, entre as cartas de baralho jogadas no chão da sala juntamente com os chinelos aspergindo areia de uma semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O&amp;nbsp;que faria, para começar? Seguiria sozinha para a praia. Se alguém lhe perguntasse o porquê, diria apenas: fui andar. O desespero pela saúde desculpa tudo. Entretanto, por ora, bastava folhear uma revista do ano passado só para ver as celebridades já passadas. Fingiria uma distração qualquer, tátil, só para observar como cada um acordaria esta manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João apareceu&amp;nbsp;à meia luz e seus olhos inchados condiziam com o céu nublado, com o vento frio que se previa lá fora.&amp;nbsp;Quando não enxergava direito, tonto de ressaca, era mais lindo. Porque não se sabia homem e quase voltava a ser criança, não fossem os pêlos que deixava entrever enquanto coçava a barriga só pela satisfação de ter acordado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só você está acordada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele não conseguia ficar a sós com ela. Não ainda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei. Não conferi os outros quartos - ela disse tocando displiscente uma página brilhante e colorida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João, parado meio tonto na encruzilhada entre os cômodos, apenas deslizou até o banheiro, passando a mão no cabelo armado feito um ninho de pássaro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feito um ninho, ela pensou; e fechou a revista em seu colo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1980085787343447602?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1980085787343447602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/05/fim-da-manha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1980085787343447602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1980085787343447602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/05/fim-da-manha.html' title='fim da manhã'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8818890852441421526</id><published>2010-03-02T12:33:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:57:18.316-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu lírico feminino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tarde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernando Pessoa'/><title type='text'>tarde livre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;para talita bello de aragão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virou a esquina como se fosse uma impertinência. E era. Desatou o último botão da calça apertada, sonhou com um tênis mais confortável, penalizou-se pelas mulheres que, séculos antes, tinham que usar espartilho onde o calor deste trópico convidava a deixar escorrer o suor livre, o leite desperdiçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Calou-se sem mais, por dentro, que o andar era tarefa que ocupava demais ao meio-dia. Não ousaria olhar para o céu só para confirmar a ira do sol; sua pressão poderia cair e ai de quem sabe o que mais pode acontecer. E ainda tinha que contar dinheiro e fazer as compras do dia, ambas tarefas já demasiadamente atrasadas&amp;nbsp;para o&amp;nbsp;pendor das dívidas. Ser simples e cotidiana como Fernando Pessoa era agora uma urgência que não deveria ser vivida com ansiedade. Era preciso respirar contra o sol, contra a multidão no calçadão central.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma criança chamou sua atenção. A criança, de rosto enrugado em aflição, não era mais o sonho consolador da infância; era apenas mais um. Ninguém é feliz como se sonha. E está bom assim, agora. É bom que os sonhos, neste meio-dia, continuem a ser maiores que a vida. Sonhou um frescor de rosa e isto bastava. Compraria um vaso de flor qualquer, se o dinheiro sobrasse ou pudesse remanejar uma necessidade mais responsável que uma flor. Compraria uma água de côco cortado com facão enferrujado, ao invés de uma garrafa de água mineral esterilizada mas ainda assim envenenada por displiscência de autoridades mais cientes que o vendedor de côcos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tarde era para começar, mas não começava, parecia. Era dia de todo mundo, por isso a vontade de torná-lo próprio. Em casa, deitaria no azulejo frio da cozinha e não pensaria em choque térmico. Em casa, deitaria em pleno sol como se fosse para morrer. Cortaria os legumes só quando as visitas chegassem. Pediria desculpas pelo banheiro sujo com certo sorriso de orgulho. Seria feliz para as visitas sem a necessidade de sê-lo, e isso também bastava. A felicidade estava em sofrer o calor e ainda assim sentir-se livre, quase sem corpo.&amp;nbsp;A felicidade era viver uma liberdade clandestina, que não irradiava faíscas de êxtase. Estava atenta e sem esforço maior que o andar; sabia que hoje não seria atropelada. Queria que Clarice soubesse disso, mas tampouco era o momento de ser sentir orgulhosa. Hoje, nem falaria mal do trabalho; cultivaria um egoísmo íntimo que não se compraz na infelicidade alheia. O calor é de todos. O amanhã é para poucos, para os que só andam. Para os que só andam e alcançam um sorriso que não se sabe sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então era isso: um sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi assim que tomou a decisão mais séria de sua vida: compraria um sorvete. E o viveria como se fosse sexo, explicitamente. Não para compensar, para sublimar, mas porque era sexo mesmo. Com a rua, com o sol, com o esquecimento de quem um dia se amou por medo de amar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-8818890852441421526?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/8818890852441421526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/03/tarde-livre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8818890852441421526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8818890852441421526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/03/tarde-livre.html' title='tarde livre'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8357275195541160091</id><published>2010-02-19T01:15:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:38:34.375-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aforismas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='listas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atitude'/><title type='text'>10 lições para jovens de atitude</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35V6UXpVbI/AAAAAAAAAPQ/vl68hXPhbnE/s1600-h/uma_aarvore_com_atitude.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35V6UXpVbI/AAAAAAAAAPQ/vl68hXPhbnE/s400/uma_aarvore_com_atitude.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;uma árvore&amp;nbsp;de atitude&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;1 -&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Se você&amp;nbsp;se&amp;nbsp;acha inteligente e sempre acha um jeito sutil de dizer isso, é porque tem a burrice da baixa auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;2 -&lt;/span&gt; Se você defende muito uma opinião, é porque sua opinião não se defende sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;3 -&lt;/span&gt; Se o inferno são os outros, é porque você acredita que o paraíso é seu ego. (Sartre era egocêntrico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;4 -&lt;/span&gt; Se você&amp;nbsp;acha&amp;nbsp;mais produtivo acusar os defeitos&amp;nbsp;humanos fazendo uma lista de maus adjetivos, é porque não descobriu que&amp;nbsp;os elogios às coisas boas são mais leves e nem por isso&amp;nbsp;deixam de criticar, por exclusão, o que&amp;nbsp;nem merece ser citado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;5 -&lt;/span&gt; Se você gosta de reclamar contra a injustiça é porque não sabe agir sobre ela sem perder tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;6 -&lt;/span&gt; Se você agride quando diz o que pensa em nome da verdade, é porque não sabe se defender de seus próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;7 -&lt;/span&gt; Se você ri de tudo, é porque tem medo de chorar do básico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;8 -&lt;/span&gt; Se você acha que ter atitude é ser rebelde, é porque não aprendeu a se rebelar contra suas próprias atitudes&amp;nbsp;antiquadas e é incapaz de ver em si o que acusa nos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;9 -&lt;/span&gt; Se você tem raiva contra quem não teve coragem de amar, é porque não se ama e só se afirma. A raiva é a atitude defensiva de quem está fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #674ea7;"&gt;10 -&lt;/span&gt; Se você&amp;nbsp;prende a respiração para gozar, é porque tem a esperança&amp;nbsp;vã de segurar nos dentes uma sensação que ainda nem chegou, com medo de perdê-la,&amp;nbsp;e que&amp;nbsp;poderia ser mais intensa e surpreendente se você se entregasse ao desconhecido que é cada trepada. E isto vale para a vida como um todo. É esfolar ou deslizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #674ea7; font-size: large;"&gt;;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-8357275195541160091?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/8357275195541160091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/10-licoes-para-jovens-de-atitude.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8357275195541160091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8357275195541160091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/10-licoes-para-jovens-de-atitude.html' title='10 lições para jovens de atitude'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35V6UXpVbI/AAAAAAAAAPQ/vl68hXPhbnE/s72-c/uma_aarvore_com_atitude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7469324616028724229</id><published>2010-02-12T01:31:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:39:41.656-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='série'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>O Espelho no Escuro - 4</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;ALEGRIA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alegria é suspeita. Às vezes ela peida, às vezes ela ri. A alegria só é possível se equibrada e atenta entre os dois lados da moeda; sim, entre a morte e a vida. Evitar falar da morte é caminhar para ela do mesmo jeito. Então, que nos atrevamos a ser alegres até quando o assunto é morte. Quem alcança isso nunca mais ficará triste de doer, mas, quando muito, triste de se divertir, de chorar de alegria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até conversando me sinto alegre, mesmo sabendo que é difícil concordar universalmente por sermos&amp;nbsp;únicos, por isso as pessoas só se encontram na alegria, que é mais um humor que um pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alegria é um sentimento que nasce espontaneamente, mas que também pode ser cultivado. Por exemplo: quando falta alegria,&amp;nbsp;sempre queremos um beijo, mesmo dos mais idiotas e fora de contexto. Observe também que quando a alegria é suficientement constante, nenhum desejo é tão sedutor a ponto de nos arrastar. Pois quem está alegre, escolhe com coragem. E coragem não é ausência de medo, mas o medo sob o domínio da alegria de viver, de la joie de vivre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo é ambíguo, inclusive a alegria. Essa é a graça e o sistema de pensamento de diversas culturas em vários lugares&amp;nbsp;da história, desde sempre. É uma alegria difícil; Clarice já disse isso e mostrou o que acontece quando a vida perfeita se reconhece na face de uma barata. Como eu&amp;nbsp;disse, a alegria tem sua graça, que é muito específica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contrário de alegria? Certeza. A alegria tem a curiosidade de querer conhecer tudo, até o segredo do bem e do mal que - ela descobre -&amp;nbsp;não existe. Ou seja, a alegria é tão absurda quanto necessária; é contraditória, chocante e, ainda assim, serena e pacífica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também não custa notar que gente alegre respira bem, mas eu garanto que até um cigarro pode favorecer certo sentido de alegria. Por que não? A alegria é o direito de, quando tudo é sério, dizer "por que não?". É a abertura das possibilidades, a purificação das palavras, a transformação do corpo que dói e envelhece em corpo que aceita o prazer possível de cada fase da vida. Afinal, reclamar é tempo perdido; e&amp;nbsp;tempo perdido não pode ser alegria. Como o trabalho, a alegria é atenta.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7469324616028724229?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7469324616028724229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7469324616028724229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7469324616028724229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-4.html' title='O Espelho no Escuro - 4'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1761236645387028513</id><published>2010-02-12T01:03:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:40:24.448-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='série'/><title type='text'>O Espelho no Escuro - 3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;DESEJO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se não se preocupar, vem um desejo depois do outro. É um milagre que não se explica, nem se aplica a nenhum juízo. O desejo é fugidio. Se você se arroga de saber que tem desejos demais, o desejo não virá com riso, mas com uma respiração sufocada, que não é sua. Deixar fluir com consciência é uma tarefa, como todas, difícil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se dá nome e cara ao desejo, é a morte da ilusão, embora seja lindo crer também nos nomes, ainda que furados. Não nos esqueçamos: a palavra só age quando falta a atitude, se bem que a palavra cantada em prece profana salve a alma que eu esqueci de acreditar. O desejo é um selo de quanto se vive, é o motor da ilusão de que a vida é só vida; e a morte, bem, já se sabe. Qualquer ilusão de realidade interrompe o desejo; uma porta fechada, uma buzina lá fora, o riso de alguém que acha que ri mas tem medo. Os que não conseguem se haver com suas ocupações invejam o desejo do outro; secos, vampiros, incapazes. Ardentes são os que respiram até o fundo com um sorriso máximo. Esses são os que choram mais também, por aceitarem as coisas como são, apesar dos seus desejos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um desejo abortado não é tão doloroso quanto a depressão que se ente após o fim de um desejo realizado, se este se revela ilusão duramente. Cabe a você continuar a acreditar a ilusão ou não. Por isso os hinduístas dizem que para se livrar da origem do sofrimento, em si uma ilusão, é preciso se desapegar de todas as&amp;nbsp;ilusões, inclusive as boas. Não conseguimos acreditar só nas coisas boas ou só nas coisas más; por isso o desejo arde, incendeia, é a própria arrogância do fogo se elevando ao céu sem nunca atingi-lo, embora sejamos filhos do mesmo sol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desejo humano, sendo apenas um rastro do fogo solar, acontece melhor à noite, pois é fogo egoísta querendo brilhar sozinho. Apagar a ideia de desejo, negar o desejo, é aceitar todos os fenômenos que nos atravessam como sendo divertidos ou aceitáveis. Este é o desejo supremo: o desejo de felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho medo de desejar algum ideal de felicidade, mas gosto de investigar a ilusão do feliz. Basta-me o zelo de me ver passar bem cada vez que um desejo me invade e reorganiza meus sentidos e pensamentos sobre a felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensar no desejo é matá-lo. É quando falta a espontaneidade&amp;nbsp;da planta, o jato da cachoeira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desejo só funciona quando a imaginação encontra o corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1761236645387028513?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1761236645387028513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1761236645387028513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1761236645387028513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-3.html' title='O Espelho no Escuro - 3'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2249857837445188188</id><published>2010-02-12T00:41:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:41:22.721-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='série'/><title type='text'>O Espelho no Escuro - 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;PRAZER&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prazer bom é o que não se esgota fácil, e que, mesmo na repetição da tentativa, surpreende sendo o mesmo. Sem dúvida o melhor prazer - e aqui não há nenhuma metáfora - é o que escorrega fácil e que se compartilha com outro par de olhos, sem nenhuma explicação adicional, seja esta o amor ou o egoísmo. Prazer bom é prazer vão, e que, em sua sua vacuidade, não nos furta do presente, antes reconcilia-nos com a dureza inegável do instante. Prazer bom é o que nos convida ao riso e, paradoxalmente, nos dispensa mesmo do sorriso mais breve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E os outros prazeres, menos dignos, o que são? Tentativa de segurar nos dentes uma inocência perdida que de fato nunca aconteceu. Prazeres incertos também são aqueles filhos do vício, pois que não são descompromissados com a memória de um prazer antigo e com a expectativa de um prazer definitivo. O vício é mortal pois a busca renovada do prazer definitivo é uma ilusão que não se percebe avizinhada da morte, essa única coisa definitiva, essa única definição sem par.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prazer puro é o que não nasce da carne, embora a atravesse, mas da fantasia. O prazer puro só acontece como recompensa justa a trabalhos em si prazerosos. Prazer puro é a inocência que não se conhece pelo nome num corpo de alma persistente; não é coisa para crianças que fazem birra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo prazer, se é prazer, mesmo que nasça na meditação de um livro, é sentido como acomodação do coração no espaço que lhe cabe e como conforto da genitália que se esquece, integrando-nos com todas nossas partes, integrando todos os nomes de coisas que têm nome. O prazer total é o que rebate na carne e reverbera no espírito, se este o há, como experiência mística, holística, de integração dos seres e desintegração das máscaras individuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dor, ainda que se pretenda universal, tem um nome, uma história, uma situação. Já o prazer é a única expeirência natural (anterior à morte) que iguala os homens, pois mesmo sendo uma experiência tão íntima e circunscrita quanto a dor, provoca o esquecimento e esquece as expectativas; apaga a memória e a esperança; é o que é, sem tempo de ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2249857837445188188?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2249857837445188188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-2.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2249857837445188188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2249857837445188188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/o-espelho-no-escuro-2.html' title='O Espelho no Escuro - 2'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1765037171020636369</id><published>2010-02-12T00:14:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:42:31.843-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>ode ao ignorante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não existe pior maneira de suportar o silêncio da solidão construída ao redor de si, que extrairmos um sombrio conforto ao assistir a desgraça dos outros.&amp;nbsp;Ó ser ignorante e perdido que é o homem que não se adoça de poesia quando velhice o persegue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu quisera não ter o estômago a arder para não ter de chorar minha dor aos cegos de quem só vê as próprias dores, insultando a natureza, desmerecendo a vida. Calem-se os palhaços e rufiões! Deixem o ignorante morrer no medo de seu coração negro! Aqui a vida é paz, meu senhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pudesse a madrugada fria e a aurora que a segue confundirem-se na mais pesada tempestade e nem assim estas almas seriam lavadas, senão por breve relâmpago. Os ignorantes tem medo até da própria merda, e nunca ousaram ver às claras o olho do próprio cu; dão a palavra de morte à carne de seus prazeres, e o prazer fácil é única esperança que gastam em sua preguiça de pedra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É bom revoltar-se contra o mau-humor, mesmo à custa de mais estômago. O claro estalar dos terremotos ainda acorda nossos mortos. Não é novidade. Não é desgraça alheia que nos possa confortar. É o inferno do egoísta que dá as mãos e os olhos, mas nunca o coração e o estômago. Gulosos de si, morrerão secos, no desespero de um primeiro e último momento de lucidez. Eu também morrerei, mas terei sabido, ainda que numa defesa arrogante, saudar enquanto jovem a eternidade antes da hora. Eu sou antes, eu sou sempre, eu sou aquele que o acaso&amp;nbsp;permite adivinhar, filho e senhor do tempo. Sou bruxo do sonho e alquimista da pedra; sou meu espelho nesta face concreta. Sou a rosa, a multidão, sou ninguém. Já você, irmão ignorante, é tão "você" que não não ri nem chora a não ser por imitar o que a desgraça lhe ensinou de mãos dadas com o medo. Ó ignorantes! Serieis sobreviventes se já não fosseis mais que mortos. Pois os mortos são chorados, e os vivos, estes como tu, só fazem chorar, inspirando nada além de ódio e dó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pior que ainda tenho fé que o amor ajustará suas contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(janeiro/2010)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1765037171020636369?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1765037171020636369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/ode-ao-ignorante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1765037171020636369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1765037171020636369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/ode-ao-ignorante.html' title='ode ao ignorante'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5037821442291300327</id><published>2010-02-11T23:57:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:43:22.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vinicius de moraes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>viniciano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amor, palavra primeira, reza despreocupada, aguçamento do sentido amor. Medo da morte, da pressa, do fim da liberdade. Até longe, amor bem-vindo! Até a eternidade, caro capricho! A onda agora ainda está na maré que desce e sobe. Falamos de sexo, esquecemos a palavra sexo. Prazer em conhecê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só ama quem suporta o silêncio da espera, quem conhece a hora da partida. Aos outros, os meus respeitos. A todos nós, a paciência de quem sabe que vive e por isso mesmo esquece de viver. É preciso ter a paciência do cego para viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria lindo se todo mundo estivesse presente no quarto do adeus, na partida das horas, no fim do mundo. Por enquanto, crescer e multiplicar, e eu querendo a simplicidade do que não se pode dizer. O fim do mundo. Os olhos abertos ao espanto primeiro, entre a dor de nascer e o prazer de sorrir. Lá e cá, sempre assumir-se antes da morte. Há sua graça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada é fatal na beira do mundo, na praia, no céu, no espaço infinito. A vida é doce que rebate no estômago, e eu acredito nos sonhos mais lindos. Por que não? Também sou rebelde, sou bicho do mato que sabe cruzar um deserto, onde as palavras calam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gosto do silêncio da certeza de sentir. Gosto da paz dos caminhos. Gosto do encanto do instante, da rima fácil, do ritmo de qualquer um. Cada um no seu reino de amor. Cada um no seu veneno de orgulho. Quem ama mais, chora mais; quem sofre mais, tem que aprender os truques de todos os sorrisos, de todos os corpos. Pra que sofrer, minha gente? Pra que amar? Para que perguntar? O amor é a única vida em que meu ser não pensa. Por isso só dá para amar recebendo cuidados, como a criança que nada aprendeu. O resto é praga, teste de sobrevivência, castigo imposto e aceite. O amor não sei. É mistério solvente, luz movente, morte contente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, por enquanto, vai ficando a eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(janeiro/2010)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5037821442291300327?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5037821442291300327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/viniciano.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5037821442291300327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5037821442291300327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/02/viniciano.html' title='viniciano'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1806204745469729518</id><published>2010-01-31T09:38:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:44:55.508-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esfinge'/><title type='text'>Esfinge</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sou seu outro sem nome. Se você vir em mim o deserto, é deserto que devolverei no olhar quente demais, frio demais. Se você tiver medo, eu parecerei indomado; se tiver desejo, eu só devolvo desejo. Se oferecer um beijo sincero, eu devolvo mais que sinceridade, eu dou a verdade. Se você fugir, é porque eu fugi antes. Quero estar com quem saiba atravessar a noite e alcançar a manhã com alegria e celebração, com o prazer constante que nao morre na espera de momentos breves de êxtase e nao se ressente dos momentos breves de sombra, dúvida e tristeza. Eu sou aquele que saberei amar olhos amavéis, ardentes, delicados e vulneráveis. Eu saberei amar a boca que se cala quando a atração dos corpos é simples. Eu sou aquilo que existe entre a razão deste dia e a ilusão daquela noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1806204745469729518?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1806204745469729518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/esfinge.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1806204745469729518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1806204745469729518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/esfinge.html' title='Esfinge'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2812110282129473030</id><published>2010-01-31T09:28:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:59:33.468-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memorabilia'/><title type='text'>para lembrar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_NG86DsI/AAAAAAAAAOY/SpjriQvrC7I/s1600-h/1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" kt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_NG86DsI/AAAAAAAAAOY/SpjriQvrC7I/s400/1.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_QUuZQyI/AAAAAAAAAOg/NR356Uj0VWI/s1600-h/2.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" kt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_QUuZQyI/AAAAAAAAAOg/NR356Uj0VWI/s400/2.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_TWk9MeI/AAAAAAAAAOo/9pP88H-LkpM/s1600-h/3.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" kt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_TWk9MeI/AAAAAAAAAOo/9pP88H-LkpM/s400/3.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2812110282129473030?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2812110282129473030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/para-lembrar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2812110282129473030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2812110282129473030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/para-lembrar.html' title='para lembrar'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S2W_NG86DsI/AAAAAAAAAOY/SpjriQvrC7I/s72-c/1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3781048790570428171</id><published>2010-01-11T07:11:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:46:43.321-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='série'/><title type='text'>O Espelho no Escuro - 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;ILUSÃO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você até pode se iludir se quiser, se souber que há um depois, sabe como é. Sabendo, tudo vai. É um plus, já que controle total é impossível. É preciso saber que o prazer não é assim tão grato, que a saúde pede uma urgência que dá trabalho ao senso de realidade, que a carne é fraca mesmo. Nosso lado vulnerável agradece. Alguma coisa a natureza tinha que fazer contra a arrogância de nossas palavras. Há que se fortalecer por meio de exercícios físicos para aguçar os sentidos e manter-se sempre urgente e sereno ao mesmo tempo, o que nos permite sempre estar atento ao equilíbrio entre a depressão e a euforia. Com a respiração no lugar, o choro e o riso vem mais fácil, e nos desentorpecemos melhor dos tantos aditivos que fazem nossa vida diária, comum. O cotidiano é uma festa que cansa. É preciso acreditar na festa e saber retirar-se na hora certa, e com um sono sem culpa.&amp;nbsp;A culpa também é uma ilusão. Nenhuma memória vale a fantasia do presente, pois toda memória só nos fala deste mesmo&amp;nbsp;presente, afinal, e todo ressentimento é um convite a uma mudança num gesto simples. Triste e pior é saber que fazendo esforço demais para apagar as lembranças ruins até conseguimos criar mecanismos de bloqueio, mas nem sempre temos essa máquina tão afinada, e ela às vezes apaga também as lembranças boas que nos ajudam a construir o sonho na dura realidade. Nesse caso, há que se chorar tudo, até o que não foi, e por isso mesmo. A lembrança das ilusões incumpridas, dos desejos abortados, nos ensina a ter mais&amp;nbsp;medida entre ilusão e realidade e, no limite, podemos vislumbrar que qualquer realidade também parece vã,&amp;nbsp;aérea, asbtrata. Quem ultrapassou esse passo é porque já viu a morte, esta coisa que os homens ainda não decidiram se é real ou ilusória.&amp;nbsp;A perspectiva ambígua da morte nos&amp;nbsp;ensina a&amp;nbsp;viver a ilusão sabendo que é boa, criativa, e sabendo que é nada, só aquele momento de vazio quando o coração para e prefere doer. Por isso respira-se. Assim e pronto, uma ilusão e uma desilusão, na mesma inspiração (física e poética). Não é à toa que os mitos associam a ilusão ao elemento ar. E não nos isentemos da verdade nas linhas finais: a ilusão também é fruto da razão. As faculdades aéreas,&amp;nbsp;por sua própria natureza, se confundem.&amp;nbsp;Na dúvida, um chocolate e um copo d'água.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3781048790570428171?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3781048790570428171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/o-espelho-no-escuro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3781048790570428171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3781048790570428171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2010/01/o-espelho-no-escuro.html' title='O Espelho no Escuro - 1'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-650485584127681884</id><published>2009-11-29T23:43:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:50:11.891-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ingmar bergman'/><title type='text'>minha religião</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo, será mais um dia. Logo, foi só uma madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Sim, eu falo de uma suposta história de amor.&amp;nbsp;Agora que eu me retome na entrelinha.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta noite (após a despedida), vi um filme de Bergman sobre o silêncio de deus. Também: conversei com amigos queridos, treinei a verdade, estou bem. Consigo deixar fluir as imagens de todos os tempos com o olhar fixo nas pequenas coisas. Acho que medito até quando não quero.&amp;nbsp;Acanho-me de dizer isso aos religiosos, mas estou feliz. Tudo cai bem. Até um adeus tem seu lugar certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem bem magoo, já perdoo. Será que soarei arrogante se disser que a compaixão agora me move sem esforço? Tem sido bom demais olhar nos olhos das pessoas sem exigir-lhes amor e dando-lhes, se é pedida, a alegria que eu possa ter recolhido no instante do encontro. Não sei se é bonito, mas é livre. Livre no sentido de caber-me em meu coração, mesmo ao refletir, no encontro, o estado emocional do outro para não ser mais que um espelho de face simples, seja esta cruel ou benevolente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mistérios&amp;nbsp;à parte, ainda há muito caminho para todos nós. Eu gostaria de explicar isso para as crianças que me rodeiam, mas elas não querem explicações, principalmente as abstratas e calculadas, ainda que espontâneas. Querem a paixão da carne quando o que lhes falta é imaginação. Não são crianças. E quem sou eu para pedir-lhes paciência? Não adianta contar nossa própria história para os egoístas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, a vida pode ser engraçada em todos os momentos, pois na tristeza temos ainda o jogo da crítica. Mas não falemos de crítica, pois esta volta e meia é sequestrada para as bocas dos ferinos. O certo é que, na base, até o medo pode ser risonho. A dor então, coitada, não passa de uma noite mal dormida, de uma respiração forçada, de um pensamento obsessivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha tristeza agora&amp;nbsp;não é uma despedida, e já não é há um bom tempo. Minha tristeza agora é mais universal, perdoem-me a palavra soberba. Minha tristeza é de ver as pessoas apegarem-se a seus ressentimentos para extrair dali alguma suposta força vital. Na falta de controle de si, buscam o controle do outro. Mas também já não é tristeza o que sinto pensando assim, é revolta que me põe de acordo com os ventos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que quero dizer é: estão a brincar com a&amp;nbsp;morte. E seria tão mais simples viver. Para estar presente, livre, sem ser presa do passado&amp;nbsp;calculado ou das esperanças desesperadas, não precisamos de muitos deuses e palavras, basta achar bonitas as coisas e suas cores, basta perceber que nenhum som se repete e que, sobretudo, tediosas e uniformes são nossas inquietações paralisantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dito isto em linhas gerais, digo mais no particular: não sou bonzinho, sou humano. Luto contra o riso torto dos enfeitiçados, não tenho lealdade com os que se deixam atormentar. Minha compaixão não é caridade. Sou pouco demais para ajudar quem não se ajuda. Atravessei eras de sofrimento para ser feliz. Sei que é possível chegar vivo na praia e sobreviver no deserto que a continua. Sinto uma espécie tola de pureza que se formou no limite da malícia. Compreendo os pecados o suficiente para desacreditá-los.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho saudades de nada, mas me lembro de tudo. Cada vez menos saudades, cada vez mais a memória livre. Também não me sinto mais só, estou pronto para amar. Isto quer dizer mais um "cuidado comigo" que um "vinde a mim as criancinhas".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Sou invisível pois sei que neste texto qualquer um poderia me valer de qualquer adjetivo. Esta&amp;nbsp;é a prova de minha liberdade.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma coisa é certa: tenho um tesão que não morre mais. Já fiquei louco o suficiente para sensualizar até os momentos mais constritos. E ai de quem tentar controlar meu sorriso. Viro assassino em auto-defesa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me julgariam de egocêntrico por&amp;nbsp;defender-me com essas palavras se soubessem que cada um delas me foi inspirada&amp;nbsp;por um rosto&amp;nbsp;diferente. Como&amp;nbsp;eu poderia crer-me irmão das palavras sem ser irmão dos homens, até dos que não quero me lembrar? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenho talento para simulacros. Não que eu tenha certezas, tenho mais é uma fé que não vem do desespero, mas de uma alegria que faz sua manutenção em paz. Antes, eu até me sentia culpado de ver as pessoas sofrerem e sentir-me feliz mesmo na dor compartilhada. Agora,&amp;nbsp;vi que tudo passa, até&amp;nbsp;o orgulho de minha felicidade constante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos na estação das chuvas de verão. É preciso aproveitar. É preciso dizer palavras mágicas e silenciar sem expectativas. O som da água é maior. O trovão é minha voz. O relâmpago, a cor de meus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tempo de crescer com a natureza. Esta é minha religião. Para quem não entendeu, outro dia eu&amp;nbsp;escrevo uma história de sexo fácil. E que isto lhes sirva de mantra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-650485584127681884?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/650485584127681884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/11/minha-religiao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/650485584127681884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/650485584127681884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/11/minha-religiao.html' title='minha religião'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7966925390649290800</id><published>2009-11-06T02:01:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T09:52:12.039-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biblioteca de babel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luis Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros'/><title type='text'>o livro do mundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SvPyI3kzUQI/AAAAAAAAANY/H9WAMmUc2Ek/s1600-h/circular-bike-hh01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" sr="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SvPyI3kzUQI/AAAAAAAAANY/H9WAMmUc2Ek/s320/circular-bike-hh01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim, tudo agora é um grande livro, como sonhava o bibliotecário de Babel, em Borges. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque tudo virou ficção. Não que eu me tenha perdido do real. Eu só deixei para trás, por cima dos rastros e dos ratos, a ilusão da realidade, mãe&amp;nbsp;de todas as ilusões. Veja bem: eu não disse abandonar, mas deixar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo e agora cabem neste livro. Cada história se concatena a outra e o livro acaba por não contar história alguma. O livro é, quem sabe, só uma&amp;nbsp;antena. Acaba sem contar&amp;nbsp;nada talvez porque eu ainda não tenha morrido - só entre um capítulo e outro - ou mesmo porque o livro me ultrapasse e não tenha fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São essas metáforas bobas que me vêm numa manhã de sexta-feira. Eu dizia: penso em todas as ilusões e em sua verdade, penso na verdade e suas ilusões. Por exemplo: eu começo a acreditar que amo -&amp;nbsp;algo, alguém - &amp;nbsp;logo amo por mentira e, no oposto desta experiência, também passo a acreditar mais no amor do que em meus amores. Assim, clareia o dia enquanto me compadeço dos erros de quem acredito amar e, quando canso disto,&amp;nbsp;parto para um amor maior, qualquer, besta, amando quem meus amores ainda não foram capazes de se tornar. Tenho percebido que mover as contradições, ao invés de ser movido por elas, ensina a respirar melhor que ioga. E olha que eu "amo" de "verdade" as índias...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes, eu até achava que essa paz fosse conformismo, agora rio das paixões não com o sarcasmo de quem força um sorriso de vitória forjada na cara do inimigo, mas como quem ri de uma criança, com uma criança, como uma criança, surpreso de quedar-se numa coisa pequena.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também é bom para a manutenção dessa paz que eu me queixe um pouco das noites que a tiram de mim, quando sou obrigado, pela força da guerra que traz essa mesma paz, a ir cada vez mais fundo em meus ressentimentos - que são sempre da carne, há que se dizer; e&amp;nbsp;até isso é bom, pois no cerne da carne solitária e jovem eu admito que envelhecer é uma arte que me rejuvenesce, enquanto eu era só a chatice da velhice, e por isso a temia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo faz tanto sentido em minha comédia humana que até meus parágrafos ficaram mais circulares, fechando os pontos em que se abriram, volteando no labirinto maior, essa folha branca de caminhos que se refazem mais rápido que a luz. Esse labirinto, maior, absurdo, ri de mim. Por isso inscrevo-me neste livro total e presente, de que falei no início, para rir&amp;nbsp;do labirinto também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pronto, voltei ao começo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, o fim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas com palavras. Com palavras de silêncio, de mistério. Crio ganchos para os próximos capítulos, pois para que servem as conclusões senão para nos revelarem nossos estados de êxtase, quando tudo fica parado no apego de uma emoção que se deixa dominar por um nome fixo? Mas devo dizer que também já não temo&amp;nbsp;o êxtase, apenas passei a viver no êxtase de desacreditá-lo. Nada como usar a própria arma para desarmá-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Exteriormente nem tudo vai bem, mas estou tão feliz que calarei a boca com um sorriso discreto e convidativo. E seja lá quem você for, sim, você mesmo, seja bem vindo - se&amp;nbsp;lhe aprazer ser&amp;nbsp;leitor, é claro, pois já cansei de quem se embriaga com as próprias palavras (tem gente que lê um livro e acrescenta a este outros tantos livros de comentários egocêntricos, enquanto me vejo cada vez mais lendo vinte livros para extrair um frase). Enfim, se você se reconhece nessa minha tentativa de explicar-me explicando qualquer um que eu não conheça, bem vindo, bem vindo ao livro do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7966925390649290800?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7966925390649290800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/11/o-livro-do-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7966925390649290800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7966925390649290800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/11/o-livro-do-mundo.html' title='o livro do mundo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SvPyI3kzUQI/AAAAAAAAANY/H9WAMmUc2Ek/s72-c/circular-bike-hh01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3816970330459348428</id><published>2009-09-23T21:23:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:53:20.982-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Clarice Lispector'/><title type='text'>clariciano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu procuro algum traço de sentimento com que possa me contar, mas não encontro nada. Nem frieza, nem indiferença. Antes, quando tinha preguiça de escrever-me, de inventar-me, procurava nas paixões juvenis alguma raiva que me energizasse para, enfim, vencer a dureza do papel, da caneta, da tela reluzente e do teclado. É que eu acreditava que a matéria das coisas era contra a fluidez do ser, como se o ser fosse coisa vácua, só de palavras. Agora, nem isso sinto ou faço. Talvez no fundo eu escreva para me afirmar, mas para dar voz a um instinto de bicho, uma verdade subrreptícia, e não essas verdades de palavras, essas vaidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eis que, neste instante, tendo-me improvisado em um parágrafo satisfeito de si, não me vejo ainda pronto para tudo o que haja, embora me sinta a partir do coração - este mito que agora também me bate satisfeito e insatisfeito, apaixonado e subaquático. Claro que alguma lucidez me comanda também, mas esta luz não é de palavras, mas de observar, como bicho, se o ar que entra e o que sai é proporcional ao corpo que minha alma veio construindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso que se eu me identificar demais com minhas palavras, julgando-as tão minhas, estarei cansado de mim, e isto não quero nunca. Não&amp;nbsp;por me&amp;nbsp;amar egocentricamente, mas para amar a vida que possa desabrochar de&amp;nbsp;mim. Todo mundo tem suas palavras e delas se arroga, fixando-se em imagens passadas, mortas; e percebo milagrosamente que, conforme me assoma o conhecimento da morte, prefiro cada vez mais a vida. No limite, qualquer palavra já dita é coisa morta, que só vale reavaliada, reapropriada, ainda que&amp;nbsp;haja palavras vivas de homens mortos capazes de mostrar-me na atualidade do ser, de&amp;nbsp;mostrar-me este "quem sou" que é apenas um "ninguém que cabe em qualquer um."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho receio de palavras movidas por paixões. Pensemos. Um beijo deve durar o tempo justo do confronto. Alongar o desejo é matar o amor, desconfiar de seu poder e tentar extraí-lo no bagaço da carne, e não na carne intumescida de amor. E quero ser sempre jovem para convencer-me na busca desta inominável palavra. Para ser jovem e amar com a renovada inocência de jogos infantis, sem alongar os desejos de uma juventude sempre em fuga, tenho de me fazer de velho, e assim o faço desde criança, obstinado em vencer as idades,&amp;nbsp;sem a covardia de não enfrentar o espelho, este espaço infinito onde cada ruga, ao invés de me envelhecer, me renova, mostra o novo insuspeitado, me rejuvenesce de tanta curiosidade com minhas coisas ínfimas. Talvez eu&amp;nbsp;só esteja querendo dizer que tenho respirado melhor no enfrentamento da morte. Sim, não me culpo mais em temer a morte, é assim com todo bicho e me alegro cada vez mais de ser bicho antes de ser homem. Sim, não me culpo mais em aceitar a morte: existe uma indiferença de pedra em todo ser, e bicho veio da pedra também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez seja isto o que quis dizer quando quis dizer que para escrever-me, para inventar-me, não posso e nem consigo mais me agarrar desesperadamente a um "sentimento", a um logos qualquer, a uma razão que vem do fundo de uma taquicardia a que chamamos paixão, uma ansiedade sem propósito e cuja origem duvido que parta de mim, mas de nossos modernos costumes sobre o que seja o feliz. Como diria Rimbaud, o êxtase não é mais meu amigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho o vício do cigarro, decerto. E se for possível explicar o vício como um desvio do ser em relação a seu ambiente, sim, digo que estou demasiadamente saciado desta cidade, embora nela tenha tanto me divertido, diariamente, religiosamente. É que não gosto muito de seguir uma única religião, por isso preciso partir. Não porque a cidade seja pequena de pequenez, mas porque o mundo é grande de mistérios. E quando não tenho meu mistério, que adoro encontrar nos olhos de um cão de rua, acendo meu cigarro. Mais não quero justificar. As justificativas nascem do medo não assumido, e prefiro ser inseguro com coragem. Dói menos. Já disse isso, sim. Estou tão contentamente vazio que me preencho e me atravesso até por repetições bem vindas. Às vezes repetir é necessário para aprender a sofrer menos, para aprender a aprender, para dar nomes melhores às coisas piores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se tem algo que me interessa de fato, que me engaja na realidade suposta, é a manhã transparente, cheia de possíveis, esta que nasce agora lá fora, no ar, no azul mutando mais rápido que a minha atenção sobre ela, no azul mutando mais devagar que esta minha aberrante transformação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes eu escrevia com fome no estômago vazio, duro de certezas. Para aprender a chorar. Agora escrevo de barriga cheia, sim senhor, pois o pão deve me nutrir antes que a palavra. Sem bicho não há homem, e antes eu só queria ser homem, sem assumir o bicho. Quanta inversão de valores! Sim, sobrevivo com pão e palavra, nesta ordem. Não é para glamurizar a pobreza, estamos acostumados demais com a pobreza, e quero que esta sempre me entristeça. Até já houve um tempo sem uma coisa nem outra, sem pão e sem palavra, só de escuridão e um inseto de esperança, mas nunca fui bobo de arrogâncias, como os mendigos que impõem sua dor com ódio. Quis mais é saber-me mínimo,&amp;nbsp;fazer um experimento contra minha soberba, e também porque tenho um corpo que não pega nem gripe - salve! - mas agora gosto de trabalhar simplesmente para ingerir e expelir coisas, seguindo a natureza de minha espécie, evoluindo-a, depurando-a no amor&amp;nbsp;ao trabalho e no trabalho do amor, invejoso apenas das árvores, que tocam os extremos&amp;nbsp;da terra e do céu com absoluta paciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Veja como minha escrita é perniciosa mesmo, e se a desdigo não é por charme de poeta que não pretendo ser: escrevendo aqui, pouco a pouco, bateu-me um sentimento sim, bateu-me um sim. Um amor pela minha mãe, pelo meu pai, pelos amigos e irmãos, pelos mortos e vivos, até pelos inimigos, se estes&amp;nbsp;eu tiver. Está certo: foi um amor quieto, disfarçado, fugaz mas quase tátil enquanto durou, e que paro de proclamar aqui e agora. Mas que é sentimento ou ato mais valioso que as palavras que me chamaram daquele vazio com que comecei, com que tudo começa. E agora sim, posso retirar-me em paz e voltar a ser ninguém e nada.&amp;nbsp;E é feliz assim, dizem meus olhos para o espelho transparente da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3816970330459348428?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3816970330459348428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/clariciano.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3816970330459348428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3816970330459348428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/clariciano.html' title='clariciano'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7325554677082087603</id><published>2009-09-21T12:12:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T09:55:22.018-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noite'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>para começo de festa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SrfucK4z06I/AAAAAAAAANA/egeaDPtSNZI/s1600-h/light.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" iq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SrfucK4z06I/AAAAAAAAANA/egeaDPtSNZI/s320/light.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;I don't wanna talk; a noite é para ser vivida. Sim, refrões baratos. Um caco qualquer de pensamento não vale&amp;nbsp;o compasso&amp;nbsp;grave dessa música. Qualquer batida do coração só vale o movimento livre desses braços e pernas. Mas, escondo o jogo, ainda. Mantenho o fogo nos olhos como se estivesse de óculos escuros. Disfarço o desejo da boca&amp;nbsp;mascando um chiclete com refrescância no fundo. Sou polar, sou mistério. Faço as rodas do carro girar: leve-me para qualquer lugar. Não tenho pressa, não escolherei por desespero, mas pelo instinto, por isto deixo o desejo ruminar, tranquilo como se a noite não fosse acabar, e não vai mesmo; todas as noites são a mesma, serão sempre. Não estou aqui para um orgasmo, mas pela fantasia, permita-me colocar este ponto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou pronto. Deixo a velocidade riscar as luzes da cidade em meus olhos, por falta das ondas de um mar. A camisa branca pode parecer dura demais, principalmente o colarinho no pescoço frágil,&amp;nbsp;nas veias latentes.&amp;nbsp;Pois a escolhi pela textura fria, acre como um cigarro. E mais: não me fantasio de palhaço à toa, sou mais é soldado da beleza, por isto o linho ancestral, de revestir múmias apegadas à ilusão do viver. Na calça, uma braguilha solta, cheia, porque me sinto livre, macho não. Macho é boca dura, e meus vermelhos são rosas esta noite. Sentiria-me vaidoso se gostasse de poses, mas pose fecha peito em estátua de pedra morta, e prefiro dançar minha dor, entregá-la ao movimento do vento que vier. Nada como a brisa de uma noite quente, de uma noite-útero a confundir os cabelos, a desfazer as marcas do estilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem vem comigo? Quem sorrir corajosamente&amp;nbsp;a própria&amp;nbsp;insegurança. Passem reto os que sabem das coisas, os servos da malícia. Quero mais é uma noite de encanto, porque sei que não haverá encanto algum, desses de sufocar. Noite boa é noite que se fantasia antes de acontecer. Entrando na festa, a festa acabou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que sair então? Porque piso firme quando sonho alto. Por isso o tênis multicor. Cheiro fundo quando enfrento o medo. Por isso o perfume francês. Para dar coragem. Não é luxo, é o conhecimento do meu lixo, do que me é duro e fixo. Só pareço elegante quando encaro&amp;nbsp;minha tristeza com dignidade. E se eu parecer belo esta noite, sorry, sou só um coração que passa batido, batendo só. Como você. Seja belo também para não sucumbir à&amp;nbsp;esta sedução gratuita. A beleza não vem ao caso para quem&amp;nbsp;se dança ao acaso. Sim, a beleza está em quem dança conforme a música. A beleza não está num belo nariz, mas num belo ouvido. Vai me deixar entrar por este vão? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, não me deixe entrar. Prefiro ver você acontecer sozinho, no meio da pista. Só assim seremos iguais. Ambos prontos para a solidão. Ambos esquecidos de que a noite é escura. Não é deslumbre, já aprendi a sofrer e agora posso brincar de ser feliz porque a felicidade não existe, é só jogo de tentar -&amp;nbsp;e o melhor amor é o da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta noite eu vou à pista só, só&amp;nbsp;para despistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7325554677082087603?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7325554677082087603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/para-comeco-de-festa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7325554677082087603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7325554677082087603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/para-comeco-de-festa.html' title='para começo de festa'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SrfucK4z06I/AAAAAAAAANA/egeaDPtSNZI/s72-c/light.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8010970716963580628</id><published>2009-09-13T12:25:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:17:39.701-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Machado de Assis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noite'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='festa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>fim de festa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="background-color: black; color: lime;"&gt;um conto de qualquer década&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sq3LL8BK_rI/AAAAAAAAAMw/ym50MaobHcA/s1600-h/DanceFloorTrainWrecksLightDiary.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sq3LL8BK_rI/AAAAAAAAAMw/ym50MaobHcA/s320/DanceFloorTrainWrecksLightDiary.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Braços se alavancam para cruzar&amp;nbsp;as serpentinas&amp;nbsp;no ar. Os vinténs de confete, uma vez depostos na terra de cimento queimado, fazem sua lama triste sob&amp;nbsp;o patinar&amp;nbsp;de pés suados, verde e rósea como carne apodrecida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carolina procurava seu brinco de prata, uma peça rara, cara, recebida das mãos zelosas de sua avó já morta. Avó agora esquecida, enquanto a moça sorria seus dentes arroxeados de vinho no esgarçar parturiente de lábios que haviam perdido, já há algumas horas, a oportunidade de um beijo cauteloso. Agora só lhe restava aguardar, no recanto dos sonhos e promessas vãs, alguém que&amp;nbsp;lhe extraísse da carne esgotada o sumo do sangue, o carmesim desmedido que mal se sinalizava aos olhos dos quase cegos na pista grande.&amp;nbsp;Mas aconteceu. Ou quase isto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desistia já do brinco quando uns dedos longos, morenos, de grandes nós, resgataram-na do provável pisoteio&amp;nbsp;dos pés engajados&amp;nbsp;nos ritos de acasalamento.&amp;nbsp;Com olhos de brilho&amp;nbsp;temperados por&amp;nbsp;olheiras fartas o rapaz sorriu-lhe sem grandes promessas, consciente ele próprio de que sua indiscrição, seu olhar-lhe no dentro, podia ser qualquer, como o de qualquer um ali. Ou assim ele acreditou descrente, despropositado, fora de lugar. Sua magreza, embrutecida pelo carnaval, virava também macheza, ainda que de&amp;nbsp;uma brutalidade quase ressentida de si. Talvez fosse um desses tipos sensíveis; tímido não, pois mantinha umas pupilas firmes frente&amp;nbsp;à indecisão ébria de Carolina, desalinhada debaixo do emaranhado dos próprios cachos. Com aquele desalinho ele podia -&amp;nbsp;pensou - já &amp;nbsp;não seria o caso se ela estivesse a flutuar por uma grande avenida num final de tarde. Fosse como fosse, estavam ali, um para o outro, fundos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um terceiro, um tipo bem&amp;nbsp;nutrido, bem tratado, bem exercitado em esportes que dispensam o juízo,&amp;nbsp;um tipo que tudo podia com seu nariz de boneca virgem,&amp;nbsp;pronto a romper-se o peito em desgraças nunca confessadas, tal o afã de seu êxtase sem destino,&amp;nbsp;assustou-se talvez, parado que estacou&amp;nbsp;defronte ao silêncio suspeito que se formara entre Carolina e o rapaz moreno, ambos jogando uma partida incômoda à obviedade caótica daquela pista de dança. O fato é que o&amp;nbsp;três-tripas, o barriga-bufa,&amp;nbsp;encheu-se chistoso&amp;nbsp;para&amp;nbsp;desdizer, ou estrebuchar, o que no&amp;nbsp;fundo devia lhe maravilhar e invejar, e avançou&amp;nbsp;o meio passo que bastou&amp;nbsp;na direção do casal que ainda nem era&amp;nbsp;tal ou tanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Na boca! Na boca! – alguém gritou como&amp;nbsp;quis Manuel Bandeira num poema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a deixa. Com gestos largos, o&amp;nbsp;forte de delícias de diários bordados puxou a camisa do corpo fraco do moreno, pronto para qualquer estrangulamento, ainda que alguém depois comentasse que ele não teria mesmo coragem para tanto. Os olhos do&amp;nbsp;magro encheram-se de todos os assassinatos, mas ele nada podia com seu peito murcho e sequer arfante, visão tal que concedeu o escárnio nos cantos dos lábios do outro, insatisfeito das mil bocas que beijara esta noite. Carolina, deslocada, com uma pena titubeante pregada na&amp;nbsp;sobrancelha, querendo escorrer, mas não podendo tal era o suor, quase não teve tempo de puxar o ar em sinal de alerta. Na eclosão da tempestade, a pobre permanecia intemporal, buscando tecer a fina luz de sua alma em meio aos brilhos todos que giravam em sua cabeça, em seus braços lassos, em suas pernas impotentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O moreno tinha que pensar rápido, se é que o pensar resolveria a contenda a que fora impingido. A força de seu corpo não se media pela do outro, de músculos tesos, mesmo derretidos em suor alcoólico, mesmo perdidos na noite de todas as noites. A música da marchinha, bombando libido pelas artérias todas dos pescoços muitos, não deixava vez para uma palavra de fé, para uma palavra sequer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que&amp;nbsp;o&amp;nbsp;defensor improvisado de Carolina&amp;nbsp;teve a idéia, executando-a já enquanto eclodia entre certezas e hesitações. Brusco, no ritmo da festa, ofereceu primeiro a mão amiga ao fulano de tal, pedindo trégua muda antes da guerra&amp;nbsp;declarada.&amp;nbsp;E aproveitou quando o&amp;nbsp;pilastra-para-ombros&amp;nbsp;desentendeu tanta humildade para, assim sem mais, tascar-lhe um beijo na boca perplexa, passiva durante dois segundos diante de incoerência mais brutal que&amp;nbsp;o&amp;nbsp;ato&amp;nbsp;que ofereceu primeiro. &lt;br /&gt;Enquanto durou a aberração, a pista toda foi submergindo&amp;nbsp;nas ondas de um mar noturno, surdo, lentamente mortal. Foi o tempo que bastou para que o moreno, sem emplumar-se na vanglória, retirasse dali Carolina, rasgando o&amp;nbsp;primeiro desvio que lhe ocorreu entre a multidão agora conciliada numa mesma incompreensão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para onde foi o casal, não sabemos ao certo, só que devem ter alcançado o ar livre, serenoso,&amp;nbsp;saltando, aqui e ali,&amp;nbsp;sobre uns&amp;nbsp;pares curvados por um orgasmo breve. Quanto ao beijado, foi acolhido por braços&amp;nbsp;de músculos tais os seus, agora&amp;nbsp;tesos por&amp;nbsp;algo mais preciso, uma&amp;nbsp;motivação pela qual rastejara a noite inteira e por fim, conquistara, ainda que a custa disso, daquilo, desse ato sem nome.&amp;nbsp;Juntos, para desabafar, os amigos compartilharam&amp;nbsp;os mesmos rancores guturais, disfarçados de riso, a que chamam de pilhéria solidária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mais,&amp;nbsp;a festa continuou e, logo depois - pois não se brinca com a eternidade - a festa acabou. Não contarei sobre o salão vazio,&amp;nbsp;a música fanando,&amp;nbsp;as luzes já idas, refestelando no fundo da retina do último dos moicanos. Ninguém merece um fim de festa. Nem&amp;nbsp;o vilão da história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-8010970716963580628?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/8010970716963580628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/fim-de-festa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8010970716963580628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8010970716963580628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/fim-de-festa.html' title='fim de festa'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sq3LL8BK_rI/AAAAAAAAAMw/ym50MaobHcA/s72-c/DanceFloorTrainWrecksLightDiary.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2422824740416916476</id><published>2009-09-12T14:00:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:19:20.120-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura italiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Italo Calvino'/><title type='text'>As Cidades Invisíveis de Italo Calvino</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqwL0YB9N0I/AAAAAAAAAMo/lreh3bCvtQE/s1600-h/CITTA_INVISIBILI.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqwL0YB9N0I/AAAAAAAAAMo/lreh3bCvtQE/s320/CITTA_INVISIBILI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminei de ler AS CIDADES INVISÍVEIS de Italo Calvino (1923-85), considerado o maior escritor italiano do século XX, mas que é cubano. Nacionalidades à parte, é grande decerto. Para defender valores novos ou ancestrais para uma humanidade corrompida, ele não se apóia em intelectualismos arrogantes, mas faz da base de sua literatura tudo aquilo que é popularesco, pitoresco, burlesco. Isso é italiano sim, como o cinema de Fellini ou Pasolini,&amp;nbsp;mas latino em geral, na essência, tendo como paradigma o Quixote.&amp;nbsp;Talvez seja preciso uma imagem para ilustrar seu truque genial: todos sabem que não é fácil engolir uma alga marinha, ainda que mesclada em alguma iguaria da culinária japonesa. No mar, entretanto, sendo uma vez levado pelas ondas fáceis, recebendo o sol compensador, tolera-se e mesmo ama-se a estranheza de ter as pernas batidas e alisadas pelas algas em seu estado natural e vivo. Pois bem: vejamos o mar como o infinito compêndio de mitos que preenchem de graça nossas histórias, e as algas como as difíceis verdades que entrementes se anunciam. Assim é a literatura "fácil" de&amp;nbsp; Calvino. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com muitos sorrisos agradecidos cheguei ao fim desta leitura que não se quer esgotar, só para recair no núcleo de tensão que me acomete há anos&amp;nbsp;exigindo-me coragem; Calvino, generoso, coroa sua obra, ou dela dá cabo, deixando um conselho óbvio - pois nada é óbvio - a quem busque a coragem da expressão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda&amp;nbsp;é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que o céu exista e Italo Calvino traga-lhe algum riso&amp;nbsp;e lhe amplie&amp;nbsp;o horizonte imaginário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2422824740416916476?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2422824740416916476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/as-cidades-invisiveis-de-italo-calvino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2422824740416916476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2422824740416916476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/as-cidades-invisiveis-de-italo-calvino.html' title='As Cidades Invisíveis de Italo Calvino'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqwL0YB9N0I/AAAAAAAAAMo/lreh3bCvtQE/s72-c/CITTA_INVISIBILI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7804869110591574975</id><published>2009-09-10T12:33:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:20:39.519-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atitude'/><title type='text'>a pobres garotos que buscam um estilo muy rico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqnJpDofjSI/AAAAAAAAAMg/UWWHG-oP4Rk/s1600-h/Emohitler.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqnJpDofjSI/AAAAAAAAAMg/UWWHG-oP4Rk/s400/Emohitler.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #674ea7;"&gt;Para Voltaire e Oscar Wilde&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Olhou-se no espelho da manhã, mediu os ângulos para verificar se a ponta do nariz permanecia levemente acima do horizonte,&amp;nbsp;se cada sobrancelha erguia-se na incredulidade exata, fez biquinho para disfarçar a boca murcha de uma ressaca de anos. &lt;em&gt;Oras,&amp;nbsp;no mundo contemporâneo&amp;nbsp;a vaidade masculina&amp;nbsp;é artigo de revista, é coisa natural.&lt;/em&gt; Ele adorava falar do mundo contemporâneo como se fosse coisa muito natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O celular toca. Ele atende andando firme pela casa, de uma parede a outra, pois mesmo emerso de sonhos duvidosos que a noite lhe deixara,&amp;nbsp;é sempre bom demonstrar uma paixão incontestável pelas ocupações cotidianas, ainda que&amp;nbsp;expressa com certo ar entorpecido, para não parecer efusivo demais. Ele chamaria esta atitude de "equilíbrio", se já não tivesse abolido de seu vocabulário qualquer palavra que&amp;nbsp;parecesse hippie demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá! (preciso mostrar que estou contente em falar com ela) Estou bem... (um pouco de autocomplacência sempre chama a atenção).&amp;nbsp;Sei...(vou mostrar que compartilho as preocupações da empresa como se ganhasse a mesma grana que ela)&amp;nbsp; Entendo... (cala a boca e me fala logo que vou substituir aquele imbecil)&amp;nbsp;Que pena que ele agiu assim. (Coitado, deu uma de revoltado) Não se preocupe, eu posso fazer isso também.&amp;nbsp;(eu sou bom, eu sou bom, eu sou bom) HAHAHA (não estou rindo da sua piada, mas da sua idiotice).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, alguém caiu e agora ele poderia se levantar em seu lugar. &lt;em&gt;É uma lei natural, e sou livre, livre, livre.&lt;/em&gt; Mas é melhor não dizer essas coisas em voz alta, ainda que muy justas, pois se deve ser humilde, simples, educado&amp;nbsp;como os jovens de vinte anos que parecem saídos de uma piscina quente mesmo no pior dos eventos. Garotos que ele invejava, embora dissesse que "admirava", afinal existe certo charme em reclamar displiscentemente do próprio envelhecimento. Tudo é uma questão de conhecer um novo creme e de ser esperto o suficiente para não se divertir nem um pouco na balada mais recente, onde seria por isso mesmo invejado e vingado. Claro que não basta frequentar só casas noturnas, mas também aplaudir um "evento cultural"&amp;nbsp;incompreensível com certa condescendência de quem sabe das coisas. O equilíbrio está, enfim, em espetar bem o cabelo para compensar a cara caída.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já fazia um certo tempo que ele tinha medo de ser curioso, pois isto faz o peito bater e é melhor não&amp;nbsp;demonstrar muito entusiasmo, emoção esta que faz o corpo parecer tenso demais. Ele perdia a inocência acreditando que perdia a burrice. E se alguém lhe dissesse que estava perdido, ok, pois está na moda ser "bem louco", seguindo pelos mesmos novos velhos circuitos, pelas mesmas novas velhas caixas de concreto superpopuladas.&amp;nbsp;É&amp;nbsp;bom estar&amp;nbsp;na multidão, desde que não&amp;nbsp;encostem nele.&amp;nbsp;É bom cultivar uma dor infértil&amp;nbsp;que ele acredita ser&amp;nbsp;rebeldia, que faz querer ser parte de tudo um pouco, mas sem se aprofundar em nada, pois nada vale o engajamento de sua alma, só de seu corpo. E quando não consegue fazer parte de nada,&amp;nbsp;quando não consegue ver a solidão como algo natural tais seus cabelos camufladamente planejados, repete com voz letárgica o mantra dinheiro, único valor concreto, realista, inteligente. Mas não dizia para os outros seu justo furor, pois não é de bom tom; ninguém dá emprego a um desesperado que pode soar como um revolucionariozinho de merda. O negócio é ser desesperadamente criativo, pró-ativo, ser melhor que os pais jamais foram, pois mais veloz - sim,&amp;nbsp;ele acredita que ser inteligente é ser rápido.&amp;nbsp;No fundo, aguarda ansioso o sucesso visível, não esse só de sua bela alma que se conhece. Quer um sucesso que tem a cara dos ambientes feericamente iluminados e perfumados que fazem a noite valer&amp;nbsp;a pena. O sol é demais e faz suar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está tudo bem, pois quando está tudo mal resta ser sedutor, competir pelo melhor sorriso, passar batido por um choro de morte pois a morte não vale&amp;nbsp;pena nem choro. É deselegante ser vulnerável, alguém pode ver. Há que ser forte, ou seja,&amp;nbsp;duro. &lt;br /&gt;Ao menos ele sabe glamurizar&amp;nbsp;suas lamúrias.&amp;nbsp;Ele não vê&amp;nbsp;porque clamar aos céus como besta-fera inútil até para o sexo. A culpa é da cidade, mas há parques belos para&amp;nbsp;percorrer. E ainda bem que tem parques com gente bonita e astral e saudável; as árvores não lhe bastariam com seu silêncio&amp;nbsp;vivo. &lt;br /&gt;Tudo é muito sofisticado e engraçado e interessante para que se perca tempo, para que se perca tempo em devaneios, para que se perca tempo em pensar, em pensar sobre si. Quem pensa demais parece muito egocêntrico e arrogante. E além do mais a&amp;nbsp;palavra "hedonista"&amp;nbsp;é mais &lt;em&gt;sonora&lt;/em&gt; que a&amp;nbsp;palavra "pensar", sem contar que uma droguinha transforma mais rápido que um livro. Livros são bons apenas para ter assunto. Para se enxergar, basta o espelho da juventude. Isto não é ser fútil, é ser antenado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, às vezes, por uma fração de segundo, o espelho lhe dói, e nem mijar com seu belo e potente pinto lhe alivia quando não suporta ver seu rosto por ângulo algum e só restam os olhos, os malditos olhos. Porque às vezes, às vezes, não dá mesmo para iludir o quão difícil é a tarefa de amar-se.&amp;nbsp;Mas ele não sabe disso. Tolos somos nós que sabemos, que choramos, que somos "deprimidos".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7804869110591574975?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7804869110591574975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/garotos-pobres-que-buscam-um-estilo-muy.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7804869110591574975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7804869110591574975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/garotos-pobres-que-buscam-um-estilo-muy.html' title='a pobres garotos que buscam um estilo muy rico'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqnJpDofjSI/AAAAAAAAAMg/UWWHG-oP4Rk/s72-c/Emohitler.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-730525503449280071</id><published>2009-09-10T08:12:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T10:13:00.520-07:00</updated><title type='text'>in between days</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqkuUF1McgI/AAAAAAAAAMQ/d4kFtzC-eGY/s1600-h/2159651.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqkuUF1McgI/AAAAAAAAAMQ/d4kFtzC-eGY/s200/2159651.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Hoje eu me sinto musical. Andei no ritmo certo, falei com o timbre necessário, respirei igual diante do desejo e da dor. Até cantei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti saudades, revivi a infância com esperança e nostalgia para equilibrar meus mortos e os amores que ainda não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu agitei antes de usar, sacodi a poeira e dei a volta por baixo, e desdisse as instruções de uso e os adágios populares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive raiva e compaixão. Pelas mesmas pessoas ilusoriamente próximas e pelos mesmos desconhecidos de coração. Acenei de leve para os compromissos e para os impulsos. Rendi-me e ergui-me. Trepei com a rua e vomitei em seu colo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falei com os amigos como se fosse sem querer e&amp;nbsp;acariciei um cão qualquer como se ele fosse a origem do infinito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consegui ser cada um e ninguém, sem que ao menos tentasse algum ser. Soube quem sou e me ceguei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Combato o tédio de amanhã, renovando algum grão de curiosidade, e não me encanto na ansiedade da incerteza do bom e do mau que enfrentarei certamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por ora é só.&amp;nbsp; Por ora é tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-730525503449280071?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/730525503449280071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/in-between-days.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/730525503449280071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/730525503449280071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/in-between-days.html' title='in between days'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqkuUF1McgI/AAAAAAAAAMQ/d4kFtzC-eGY/s72-c/2159651.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6704552264033800772</id><published>2009-09-04T05:18:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:22:51.883-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marco Polo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura italiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Italo Calvino'/><title type='text'>a mais casta das cidades</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqEFFBc4I1I/AAAAAAAAAMA/vFOX3fsxo9w/s1600-h/italo_calvino.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqEFFBc4I1I/AAAAAAAAAMA/vFOX3fsxo9w/s200/italo_calvino.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem não tem tem livros publicados e um fornido network, não cabe bem arrogar alguma sabedoria de próprio punho. Mas, para estes, existe um velho truque, que é o de citar, citar, citar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta semana estou lendo &lt;em&gt;As Cidades Invisíveis, &lt;/em&gt;do grande escritor italiano Italo Calvino. Aqui ele jocosamente reconta as supostas descrições que Marco Polo faz&amp;nbsp;do império fantástico de&amp;nbsp;Kublai Khan.&amp;nbsp;As descrições de suas&amp;nbsp;cidades são absurdas e por isso mesmo sábias. E se não fossem, oras, Italo Calvino já tinha bem umas boas décadas de estrada para escrever apenas a&amp;nbsp;partir de uma inocência incontestável, de seu retorno ao fluxo da infância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, numa de suas cidades, a de Cloé, ele desenvolve uma idéia que sempre me vem à boca nas conversas informais, para sempre ser julgado de moralista, conservador, reprimido, ou coisa que o valha. Lá ele mostra como a contrição é necessária à plena expressão do desejo, que de outra forma, pela promiscuidade, retira dos homens qualquer aura de encanto, de real sensualidade.&amp;nbsp;Nada de olhos famintos e explícitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transcrevo este pequeno texto aos olhos de quem sabe&amp;nbsp;ser o tempo precioso demais para&amp;nbsp;julgar este ínfimo escrivão que vos fala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá vai:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Em Cloé, cidade grande, as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem. Quando se vêem, imaginam mil coisas a respeito umas das outras, os encontros que poderiam ocorrer entre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os olhares se cruzam por um segundo e depois se desviam, procuram outros olhares, não se fixam.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Passa uma moça balançando uma sombrinha apoiada no ombro, e um pouco das ancas, também. Passa uma mulher vestida de preto que demonstra toda a sua idade, com os olhos inquietos debaixo do véu e os lábios tremulantes. Passa um gigante tatuado; um homem jovem com os cabelos brancos; uma anã; duas gêmeas vestidas de coral. Corre alguma coisa entre eles, uma troca de olhares como se fossem linhas que ligam uma figura à outra e desenham flechas, estrelas, triângulos, até esgotar num instante todas as combinações possíveis, e outras personagens entram em cena: um cego com um guepardo na coleira, uma cortesã com um leque de penas de avestruz, um efebo, uma mulher-canhão. Assim, entre aqueles que por acaso procuram abrigo da chuva sob o pórtico, ou aglomeram-se sob uma tenda do bazar, ou param para ouvir a banda na praça, consumam-se encontros, seduções, abraços, orgias, sem que se troque uma palavra, sem que se toque um dedo, quase sem levantar os olhos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Existe uma contínua vibração luxuriosa em Cloé, a mais casta das cidades. Se os homens e as mulheres começassem a viver os seus sonhos efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais e começaria uma história de perseguições, de ficções, de desentendimentos, de choques, de opressões, e o carrossel das fantasias teria fim."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;MAKHTUB!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6704552264033800772?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6704552264033800772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/mais-casta-das-cidades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6704552264033800772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6704552264033800772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/mais-casta-das-cidades.html' title='a mais casta das cidades'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqEFFBc4I1I/AAAAAAAAAMA/vFOX3fsxo9w/s72-c/italo_calvino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5099522310670779050</id><published>2009-09-04T04:22:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:23:46.011-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manhã'/><title type='text'>Oração da Manhã</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqD4WFo4guI/AAAAAAAAAL4/C21xmapyrKc/s1600-h/I_am_fragile.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqD4WFo4guI/AAAAAAAAAL4/C21xmapyrKc/s320/I_am_fragile.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma oração às pressas é o que me concede o tempo. Para resistir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sabe assim essas mãos já não minhas me abençoem na invenção de um deus mais puro, nunca antes pronunciado e nem por isto só meu, que "eu" é coisa que me parte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma oração assim, com ponto e vírgula em lugar certo, mágico. Mas sem mistérios, que hoje quero a sabedoria da manhã de pássaros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A árvore cresce sem pensar e assim me ouço e distendo sem vaidade, sem querer, quase no impulso que sexo nenhum pode conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amor. Universal, maior, que me perca em direções várias, na mesma delicadeza de uma ponta de dedo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para saber-me só eu choro a tristeza de quem não soube me querer. Para saber tamanho, para sentir saudade, para tomar meu banho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rezo sempre: amanhã talvez. A esperança é tênue, sim, e se não fosse, seria força, mas força é coisa de trilhos e trens, e quero ser fraco como lago, contido, constrito, apegado à terra, se esta for céu também. Quero aprender a ser pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas todas acontecem tanto que só me cabe dormir e sonhá-las uma por vez, sem querer bater mais que o compasso de um sorriso discreto - esta chama de uma oração de tamanho ideal, fulguroso e trêmulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feito isto, adeus mares, adeus olhos. A chama que me desperta é também a que me consome. Isto seria ambíguo se&amp;nbsp;fosse civilizado, mas aqui quem fala é bicho que mal se põe de pé, que mal entende porque se trabalha, porque se conforta, porque se apodera. Eu vou abolir o poder tão naturalmente como um bicho a quem não se pode chamar rebelde, a quem o tempo não conta, a quem o universo perdoa e esquece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adeus, amor. Tua face é outra em qualquer canto. Sou livre para doer e por isto não me cabe exaltar. Meu amor não é um gozo. Meu amor não é uma história, um nome. Meu bonde é de outra era. Minha nostalgia é fraqueza dos ossos. Guardo-me assim. Assim. Assim. Que esta palavra caiba em qualquer beijo cuidadoso. A mim amém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5099522310670779050?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5099522310670779050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/oracao-da-manha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5099522310670779050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5099522310670779050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/09/oracao-da-manha.html' title='Oração da Manhã'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SqD4WFo4guI/AAAAAAAAAL4/C21xmapyrKc/s72-c/I_am_fragile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5405119571273929149</id><published>2009-06-13T09:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T03:37:26.859-07:00</updated><title type='text'>Cinzas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SjPdpFrx7DI/AAAAAAAAAKU/QjfwR6hwTPw/s1600-h/smoking.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 243px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346860880589089842" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SjPdpFrx7DI/AAAAAAAAAKU/QjfwR6hwTPw/s320/smoking.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;'Será que vou conseguir parar de fumar?' Prometi aos deuses ser aquele um o meu último. A dor do vício já é grande demais. Pois é símbolo do "vício em outras mofadas formas de sentir e experimentar que fazem com que eu permaneça com a sensação eterna de que sou velho enquanto vejo o tempo levar a juventude de qualquer jeito".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Ufa. Eis que respiro melhor agora. Mas tenho lágrimas nos olhos. Não vou defender suas causas agora. Agora meus olhos estão vazios. Ou assim desejo. Sim, só um desejo substitui outro. Tá, tá. Mas cansei de viver desse jeito. Esta noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Esta noite eu fui ridículo. Assim me disseram até. Não achei bom, pois tive de morrer para. Sim, estou morto, digo por dizer. Enquanto que em minha cabeça gira uma feliz canção de ontem, anteontem. Sempre foi assim, o desespero numa canção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Talvez sem o cigarro eu aprenda a morrer de verdade, e não aos poucos, e não aos porcos. Quero dizer: viver, deixar um sonho de infância chocar-se com a insatisfação do momento presente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;(Sofro sozinho, pois estou contaminado por este medo geral que recai sobre aqueles que não conseguem entender o outro.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;(Se eu praguejasse, seria um velho cansado ou um adolescente revoltado. Sou ambos. Não esta noite em que estou morto, anotando as horas na tumba. Será que quero morrer? Ou terei força para me divertir com a 'aventura de um sonho maior'?)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Tenho que parar de fumar. Não é só paranóia. Respirarei melhor. Serei mais forte. Comportarei sempre o sorriso certo a cada ambiente. Inspirarei um caminho inaudito de amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Mas esta noite precisei ser egoista, precisei deixar a curiosidade de lado e passar a sentir tédio. Precisei chorar sozinho para chegar no sentimento mais puro, isto é, sem destinatário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Agora? Sinto a mesma frustração que senti em quase todas as aventuras para as quais me convidam, prometendo-me delícias que nunca se cumprem. Mas a pergunta é: será que da próxima vez darei uma nova chance com inocência, esperança e fé?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Quero aprender a pedir passagem cantando. De uma frase a outra, sempre. Como só um homem ridículo poderia fazer. Deixo a seriedade para a juventude que ainda precisa se afirmar entre o desejo e a razão, cativos de ambos. Quero mais é aprender a ver na luz de cada idéia a sombra de um desejo, e na sombra de cada desejo, a luz de uma idéia. Queria que aprendessem comigo, sem disputas, sem vacilações. Mas não foi possível de novo - quero dizer: esta noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Quando chegará o século em que todos seremos eternamente jovens e velhos? Guardo o segredo deste tempo em meu peito, em minha vida não contada. Só não sei do futuro, nunca é demais repetir. E claro, a sentença-mor: sei que vou morrer definitivamente, e não sei se é melhor se lembrar ou esquecer desta única certeza que nos salva e condena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Que outra boca terá coragem de revelar a minha sua sede eterna, como num jogo de crianças sob o sol da praia? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Preciso mudar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5405119571273929149?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5405119571273929149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/06/cinzas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5405119571273929149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5405119571273929149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/06/cinzas.html' title='Cinzas'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SjPdpFrx7DI/AAAAAAAAAKU/QjfwR6hwTPw/s72-c/smoking.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8853551880340910863</id><published>2009-05-15T11:27:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:27:41.928-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura japonesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ravi Shankar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura indiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haruki murakami'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beatles'/><title type='text'>Norwegian Wood - Haruki Murakami e Beatles</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg20glik14I/AAAAAAAAAJM/AA_KslRWl6Y/s1600-h/haruki+murakami.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336119605429852034" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg20glik14I/AAAAAAAAAJM/AA_KslRWl6Y/s400/haruki+murakami.bmp" style="cursor: hand; display: block; height: 196px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;Levei quatro anos para terminar de ler Norwegian Wood, romance aclamado por crítica e público, obra do escritor japonês Haruki Murakami. Tinha parado num trecho que refletia minha próprias angústias com a juventude. A leitura e fácil e fluída. A complexidade das relações é que embrutece ou faz viver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história é narrada por Toru Watanabe, dos dezessete anos aos vinte e poucos, desde 1968, quando chega em Tóquio para estudar teatro numa universidade. Mas o que dá base à história de experimentação numa megalópole nos anos sessenta são as relações prévias que Toru tinha com seu melhor amigo suicida e a namorada deste, Naoko, que entra em processo de degeneração constante desde a morte de seu amor adolescente, e com quem Toru vai desenvolver um laço tenso entre o carnal - a busca de um desejo possível no instante presente - e o espiritual - a busca de identidade e alteridade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg3TEV2POwI/AAAAAAAAAJc/DvrpaZvh79c/s1600-h/729530_4.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336153205041478402" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg3TEV2POwI/AAAAAAAAAJc/DvrpaZvh79c/s320/729530_4.jpg" style="cursor: hand; float: left; height: 320px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 240px;" /&gt;&lt;/a&gt;Publicado originalmente em 1987, este livro é uma interessante reverberação das pulsões beatniks, com seus ambientes jazzísticos, a presença dos silêncios orientais pontuando as conversas sobre música, arte, amor, as cartas para pessoas distantes, além de expressar a universalidade do despertar, este "estar atento e ter de escolher" entre tantos caminhos de corpo e alma - a escolha difícil entre o prazer inédito, atual, e o que a lucidez ordena com pitadas de lembranças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os detalhes sexuais, mais que descrições cruas, são envolventes e imprimem ao texto uma densidade plausível, que dosa bem o turbilhão de angústias, dúvidas, medos, festas, sonhos, lugares e pessoas de mundos desconhecidos e vagamente familiares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este livro tem cheiro daqueles clássicos de voz única. A quase estúpida placidez de Toru, bem como sua resignada melancolia, servem de apoio para que transitemos como pluma pelo belo e trágico final da década de sessenta. Sem morrer em nenhuma praia, nenhuma tribo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um momento luminoso se passa quando Toru sai para jantar com Nagasawa, seu amigo rico e garanhão, e com Hatsumi, namorada deste amigo e uma das muitas personagens fugazes que fazem sua aparição, brilham e fenecem, marcando para sempre Toru, que expressa uma boa frase para resumir a história: [o sentimento que ela me provocava] &lt;em&gt;era algo como uma aspiração infantil que nunca havia sido saciada, e que jamais o seria. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg3UxbXREKI/AAAAAAAAAJ0/1veBpUOA4i8/s1600-h/the-beatles-norwegian-wood.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336155079127928994" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg3UxbXREKI/AAAAAAAAAJ0/1veBpUOA4i8/s200/the-beatles-norwegian-wood.jpg" style="cursor: hand; float: right; height: 200px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 198px;" /&gt;&lt;/a&gt;Aqui tem o vídeo da música dos Beatles que dá nome ao livro. Abaixo do vídeo, a letra. Preste atenção na mistura de rock e cítara, uma das primeiras sínteses entre oriente e ocidente na cultura pop, resultado do encontro entre George Harrison e Ravi Shankar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Norwegian Wood é do álbum Rubber Soul, de 1965, cheio de canções de amor quase desencantadas, mais sombrias, em comparação a sucessos anteriores dos Beatles, como L&lt;em&gt;ove me do &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;I want to hold your hand.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" fs="1" height="344" src="http://www.youtube.com/v/KkcRZSdc8us&amp;amp;hl=" type="application/x-shockwave-flash" width="425"&gt;&lt;/embed&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;I once had a girl, or should I say, she once had me...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;She showed me her room, isn't it good, norwegian wood?*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;She asked me to stay and she told me to sit anywhere,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;So I looked around and I noticed there wasn't a chair.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;I sat on a rug, biding my time, drinking her wine, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;We talked until two and then she said, "It's time for bed"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;She told me she worked in the morning and started to laugh.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;I told her I didn't and crawled off to sleep in the bath&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;And when I awoke, I was alone, this bird had flown&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;__________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;*Norwegian Wood é um tipo de madeira nobre para fazer móveis, artigo de luxo estrangeiro desejado pelos pobres com móvei de pinho.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-8853551880340910863?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/8853551880340910863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/norwegian-wood-haruki-murakami-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8853551880340910863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8853551880340910863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/norwegian-wood-haruki-murakami-e.html' title='Norwegian Wood - Haruki Murakami e Beatles'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg20glik14I/AAAAAAAAAJM/AA_KslRWl6Y/s72-c/haruki+murakami.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7549585700764838592</id><published>2009-05-15T08:40:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T12:54:49.692-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jack Kerouac'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Allen Ginsberg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura beatnik'/><title type='text'>...a trip...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg2Y6OU8W_I/AAAAAAAAAJE/eaxy-QFCd38/s1600-h/kerouac.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336089259549678578" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg2Y6OU8W_I/AAAAAAAAAJE/eaxy-QFCd38/s400/kerouac.gif" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 282px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Foto de Jack Kerouac, "quem quero ser agora", &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;tirada pelo Allen Ginsberg, em 1953, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;época de grandes trips para essa turma&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Meço o que há de errado em minha vida pelos pensamentos errados que tenho sobre o amor. Entenda-se errado como autodestrutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um palhaço torto e careca ou um galã sempre pronto para o sexo? Desejo estar no fio da meada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando assumindo que sei menos sobre mim do que sabia. Não me enxergo com a mesma frequência de antes e quando o faço, sou cruel. Ou era. Mas ainda me acho feio e magro e branquelo e velho e pesado. E viciado em cigarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude me anima e depois me cansa. A velhice dá esperança e depois o mesmo. Ando muito cansado de quem tentei ser e não consegui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembro de todas as paixões recusadas por algum trauma oculto, digno do cu; paixões platônicas dessas de idealizar no outro aquilo que não se tem coragem de viver. E me sinto fraco e preciso treinar meu corpo para treinar a mente. "Corpo são e mente sã". Novamente o ideal grego da felicidade. Falta a praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas noites, numa dessas pessoas vejo a juventude despreocupada, repleta de possibilidades, aberta e livre. Vejo a beleza da naturalidade. Vejo o ingênuo jogo de esconde-esconde onde sou eu quem mais se esconde e é o outro quem mais revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria chorar por nunca ter tido vinte anos de fato. Porque sei que conquistarei o que me faltou, mas com lucidez e cansaço. Sorrio entretanto - sei que é difícil para todo mundo que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem noites como esta que eu queria morrer só um pouquinho, durante alguns meses, só para me tornar mais forte, em conexão com os sonhos, em desconfiança com a realidade, no esquecimento do que me atormenta hoje. Porque "há sempre alguma coisa de ausente que atormenta." (Camille Claudel) O outro não me amará com desejo. Ou seria descrença minha? "Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças." (Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nesse outro com pele morena, plexo solar aberto, sorriso ingênuo e olhar caloroso, pronto para a vida, sem julgamentos, dando-se ao prazer com arte e perícia, amando cada vez mais e melhor. Esquecendo-me em meu canto escuro, em meu limbo ilusório. Queria que o outro me olhasse de fato. Talvez olhe e me veja feio como me sinto na metade do tempo. Queria ser alegre o suficiente para amar. Eu queria &lt;em&gt;me&lt;/em&gt; amar para ser alegre o suficiente. Não quero amar &lt;em&gt;este &lt;/em&gt;Alexandre. Tenho que mudar! Tenho que partir para o desconhecido, para a revolução de costumes, para a graça lisongeira da beleza natural. Prefiro sentir esta angústia do que o tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(De uma certa forma me contenta saber que cheguei aqui sozinho, na paciência de depurar no tempo as coisas sem nome, mas óbvias. Escrever verdadeiramente vem da força de querer enfrentar uma angústia noturna. Escrevo também para absolver-me de alguma culpa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro é a árvore de frente para varanda de casa: abaixo da altura de meus olhos, mas, ainda assim, de um mistéio inacessível. Quando o outro ri de mim é a natureza que ri de mim. Quando rio na cara do outro é a sociedade rindo da natureza. Preciso fazer mais gostoso... Não digo que eu queira viver a vida de pau duro, nem na ilusão do êxtase, mas tenho direito, ao menos, a um estado de proeminência de todas as aventuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora caço dinheiro, amor, estudo, aprendizado, paz, abertura, sexo despreocupado e intenso. Sou mais um. Mas sou muitos, e quero cada uma de minhas vidas como uma possibilidade quase palpável nos horizontes. Sim, sou mais um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero saber fazer novamente belos versos de amor, desses que só sorriem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voa pássaro mutante da praça central. Leva o meu canto. Adormeça antes do sol raiar. Se aqueça nos cantos seus e dos galhos, enquanto a noite resfria. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Um duro caminhão passa pelo cruzamento, três andares abaixo, cachoalhando ferro. Foi-se. Novamente o milagre do pássaro a cantar. Acho que estou conseguindo. Digo: ser feliz. Besta e prontamente. Estar vivo no prazer de fluir, sem acomodar-se a nenhum pensamento, nenhuma ruga, respirando para libertar-se de tantos estado de alerta. Flutuar. Dormir. Acordar. Dançar. Cutucar o instante. Aprontar, agir, desarmar, esquecer. Esquecer-se no outro, no corpo amante, suficiente, equilibrado. Lembrar-me de mim o tempo todo para conquistar o direito de não ser mais ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7549585700764838592?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7549585700764838592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/trip.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7549585700764838592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7549585700764838592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/trip.html' title='...a trip...'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sg2Y6OU8W_I/AAAAAAAAAJE/eaxy-QFCd38/s72-c/kerouac.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5504285120298459582</id><published>2009-05-09T10:47:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:30:30.058-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='virada cultural'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='são paulo'/><title type='text'>Lixo na Virada Cultural</title><content type='html'>Pior que sentir o lixo e o caos durante a última Virada Cultural, é ver pacotes inteiros de folhetos de divulgação do evento abandonados num canto qualquer da praça da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y8_aoTNeCN0&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y8_aoTNeCN0&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5504285120298459582?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=72b4e6195786a237&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5504285120298459582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/lixo-na-virada-cultural.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5504285120298459582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5504285120298459582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/lixo-na-virada-cultural.html' title='Lixo na Virada Cultural'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6813396466917942581</id><published>2009-05-09T08:57:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:31:58.576-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cláudia Baht'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ilustração'/><title type='text'>Parceria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dez anos ou mais, eu e a Cláudia (&lt;a href="http://inkuts.blogspot.com/"&gt;http://inkuts.blogspot.com/&lt;/a&gt;), amiga de alma e arte, brincamos seriamente de fazer uns trabalhos em conjunto, um mix de desenho e poesia. Ela começou desenhando; usou algumas de suas múltiplas armas expressivas para dar luz a certas urgências do inconsciente, e eu tentei registrar as palavras que as musas sugeriram a partir dos desenhos. Até deu orgulho ver o que fizemos aos 19, 20 anos.... Ei-los:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333855665731895106" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SgWpd88nf0I/AAAAAAAAAIk/ZvJ6iJ1r6DI/s320/img127.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 214px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Eu, que fui tão somente um giro de sol.....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de talões desnudos, transpus campos de coroas de cristo;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;e um passo adiante, pisoteando bolas de algodão em flor,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;criei barbas ruivas nas solas sangrentas.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;no meio das mil dunas, tomei da ampulheta apenas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;tornando-me também um senhor do tempo ao fiar linha arenosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;por minha laringe tal couro esticada.... trespassei fantasmas moluscais com lâminas de prata,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;incandescentes. Passantes, amantes; todos eles.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;alentei, em mãos molhadas de oceano, meu umbigo febril,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;convulsionado. Linhas frígidas sobre as lesmas de dor.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;emaranhei os cachos da sereia, e vi que teia ainda é seda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Nas caudas limbosas dos tritões, esfreguei o breu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;até que o atrito se fizesse um sustenido.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;nos olhos fui gotejado de saliva cancerosa. Espessa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;rompendo camadas do céu. Sempre fui um cego.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;enroscando nas próprias lãs, cocei o queixo num pêssego caído.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;As manchas da queda eram úmidas como olhos vazados.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;sufoquei a fome com asas de borboleta. tantas quantas pude encontrar.... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;tive o rosto a borbulhar, passivo a ventos devassos;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;e, escondendo-me sete palmos abaixo das águas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;vi o sol correr de novo de um fim a outro enquanto esperava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Eu, que soube de cada cicatriz da Natureza,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;até a chegada da noite, com as falanges trêmulas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;vesti de pergaminhos as mamilas de alguém.&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fAwtkcoGPsw/STl9FfXwOMI/AAAAAAAAAOY/JqDgvlLVK3o/s1600-h/img126.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333856027113150674" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SgWpy_Mn2NI/AAAAAAAAAIs/QYlBWy79mBs/s320/p%C3%A9.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 181px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Se há de haver uma gota, se for uma gota,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;que role então - acanhada pêra às pressas colhida - &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de pêlo a pêlo rastreando tatos em abandono.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;De pêlo a pêlo a alegoria de mineiros caindo em séquito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;- Que caia negra.Que seja negra e negros sejamos nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Se há de haver o artista da multidão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;que crie então - deliberado e conciso, de olhos trêmulos - &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de nuca a nuca edifique um frontispício.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;De fronte a fronte - as frescas, as cansadas, as machucadas, as aureoladas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Que crie e tão somente crie. Criar ainda é movimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;E frágeis de veias a estourar, que sejamos nós&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;sua obra de arestas mal polidas, inacabadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Ainda se arde na terra - calvário luxuoso de nossas torres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Ainda a terra arde, e com ela nossos tendões - seda dos pés-calcário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;A sombra ainda alenta e tão lenta passa erigindo novos mapas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;sobre nós, sobre os convites entregues, sobre o dia. Sobre a terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;E no fim , refaz sua paz com a lua, seja esta a meretriz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;À noite, a sombra faz as pazes com a lua - fazem seu entoar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;de ninar sobre a pele que dissimula os olhares da seda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Que sejamos para o sol só o que se vê. Só o que se vê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Como sempre, que sejamos mineiros caídos em diamantes de arestas e brilho primatas - &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Feito o sol para a antiguidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Para os sequazes os olhos do dia, que sejamos apenas um detalhe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;E para o resto do tempo, que sejamos o resto de nós. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6813396466917942581?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6813396466917942581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/parceria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6813396466917942581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6813396466917942581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/05/parceria.html' title='Parceria'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SgWpd88nf0I/AAAAAAAAAIk/ZvJ6iJ1r6DI/s72-c/img127.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6334610475777980751</id><published>2009-04-12T10:59:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:33:54.926-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='edgar allan poe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>um gato preto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeI_CkNb1EI/AAAAAAAAAIc/m4aJLFTRLu4/s1600-h/Black_cat_by_Moonbeam13.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323887022817662018" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeI_CkNb1EI/AAAAAAAAAIc/m4aJLFTRLu4/s320/Black_cat_by_Moonbeam13.jpg" style="cursor: hand; float: right; height: 320px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 279px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;As amoras estavam frescas, o creme de baunilha era quase natural; só a calda não era de açúcar mesmo, mas de outra coisa melosa, perigosa no mínimo. Meus dedos suportam menos o pegado do doce que a língua salivada. Limpo-me como gato.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Passa um gato. De verdade e preto. Dos olhos verdes de pescar tua maior fraqueza. Você se defende e respira fundo. Não demonstra medo, tão pouco come o doce. O gato avança um metro, para de novo e fixa o olhar. Eu digo, fixa o olhar, o mesmo... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Antes, enquanto ele caminhava como um assassino ou mensageiro do pior, deixei de ver um gato e vi ali uma besta primordial, gostaria que fosse de uma terra quente no Egito, mas era coisa até então mais deconhecida que noite trevosa, impressão que só se dissolveu quando o gato voltou a ser gato, e me olhou. Então, decidi que, eu também, eu também deveria voltar a ser gente, a levar jeito para a coisa. Pus a mão no queixo, a pensar ante os olhos do ser. Não demorou muito para que eu fraquejasse e suspirasse fundo. O gato só mexeu alguns bigodes, quase insinuando um sorriso de sarcasmo, mas não se dignando a tanto. Decidi ser gente olhando com o olhar cansado de quem finge ser essa coisa pessoa. Fingia para disfarçar que eu e o bicho éramos o mesmo ser, parados na expectativa daquele instante, sem desejo, sem posse, igualmente indiferentes, amorosos e prontos para o silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Cansamo-nos após alguns segundos. O gato virou e eu também, sem competição, uma trégua perpetrada pelo reconhecimento mútuo de uma irmandade de solidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Como eu queria que ele falasse... Cheguei a crer que sabia dizer ao menos o essencial, mas o guardava sob o olhar para torturar-me na dúvida cruel. Por que eles tem de ser tão constantes, ainda que permeáveis? Se ele praticava esta magia oculta, eu havia de apelar para alguma invenção de telepatia. Em suma, em minha gana de conquistar o mistério daquele gato, eu fantasiei, com a fé de um louco, que seria capaz de ler seus pensamentos. E assim o fiz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Mas, antes de reproduzir o que lhe descobri, se assim for necessário, devo confessar que conheço o motivo íntimo da existência dessa minha fé cega em alucinações comunicativas: eu tinha que sair o quanto logo daquela padaria. As putas já tomaram conta do pedaço e o pecado do doce passara da hora de morrer. A boca salva só mais uma fruta, a última amora. Mas a urgência, a urgência era uma só: você matara alguém. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Sim, você matou alguém - ainda bem que revelou num certo ato falho, num movimento inconsciente da glote.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Há um minuto, sentia-me capaz de equilibrar o golpe duro do machado com a suavidade do creme de baunilha e calda púrpura. Um luxo inexplicável que não me colocaria numa situação mais vil que a de ter a consciência obcecada por uma total falta de escrúpulos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Certamente, você obedeceu algum senso de justiça bem argumentado. Entretanto, fez-se o senhor do silêncio, de mãos limpas, só os dedos pegajosos, tintos de um vinho inesquecível. Agora você é mais um, pode ser esquecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Você empunha o garfo sentindo-se uma miniatura de Poseidon, certo e obsoleto. Arma as pontas afiadas contra o doce, disposto a aceitar a realidade concreta do prazer possível. Mais urgente que sua mão, o ser emite um estridente rancor que enche seu peito de pavor e letárgica melancolia. Ao redor do bicho arrepiado, o mundo do balcão da padaria e das mesas na esquina da avenida parou de falar, em respeito à sentença decisiva e poderosa daquele gato preto. E quando você olha, num piscar, num hesitar da inspiração, o bicho, claro, havia desaparecido. Sorte, azar ou acaso, você agradece e respira melhor. Que se vá com seus segredos! E eu? Conto os meus? Contei a história do gato preto, ao menos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;E tem a segunda história, mais terrível, mais absurda, mais atroz, se se quiser. O que me cabe é registrá-la. Julguem por si mesmos se este é o melhor lugar para relatar este estranho evento, pois, ao que me parece, e é horrível admitir, esta segunda história revela a primeira, a do grito do gato, tão bem como se as duas estivessem misteriosamente enredadas por uma lógica tão arbitrária quanto evidente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;O fato é que, quando cravei o garfo no doce, finalmente, tão próximo da normalidade quando poderia estar, esquecido até mesmo de que eu jogara no lixo da esquina, minutos atrás, embrulhado em papel de jornal como se fosse nada, o dedo anelar de minha vítima. (Não usei o machado para outra finalidade - cabe-me acalmar alguns nervos. Envenenei-o e pronto.) Agora, eu dava com um coisa acomodada debaixo do creme de baunilha, da calda sanguínea: sim, lá estava ele, o dedo anelar de meu opositor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Por ora, não sei se devo acreditar que já me perseguem, que fui flagrado e torturar-me-ão até o fim, ou se devo atribuir este joguete maldito a algum ser invisível capaz de dominar os gatos e os mortos. Minha angústia é constante - minha âncora de sobrevivência. Pensei, por um momento, em reclamar com o padeiro, em pedir meu dinheiro de volta, para distrair-me, como se aquele dedo não fosse comigo. Mas, saí sem correr riscos. Não paguei o doce, e deste crime arrependo-me eternamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Na rua, não tive mais que um minuto dessa vida: à minha frente, um táxi refreia brusco, emite o agudo som de auge dramático numa derrapada e passa por cima de um volume pesado. O gato. Que não se mexe. Que antes mesmo - assim meus sentidos quiseram ver - estava duro como se fosse morto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;- Já estava morto - confirma uma contundente profissional, enquanto, por baixo da mini-saia, alivia o elástico da calcinha na virilha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Você pensa: será que um primeiro veículo o teria matado antes? Neste caso, porque não houve nenhum burburinho, um último esganiçar de agonia, um lamento de mulher?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Era melhor não pensar mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Você toma o táxi assassino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;- Para onde? - o taxista sintetiza com cumplicidade de propaganda de pasta de dente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Você só é capaz de responder:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;- Tem algum lugar em que não exista gatos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;O homem sorri felino. Você se acomoda no banco, reencontrando a anatomia apropriada, funga quase descontente mas com a preguiça de quem pede paz. Concede a vida ao homem, e por incrível que pareça, adormece todos os ódios. Sim. Dorme e tem o mais belo dos sonhos. Que é melhor não contar. Ninguém daria crédito a um assassino. Ninguém dormiria de noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6334610475777980751?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6334610475777980751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/um-gato-preto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6334610475777980751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6334610475777980751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/um-gato-preto.html' title='um gato preto'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeI_CkNb1EI/AAAAAAAAAIc/m4aJLFTRLu4/s72-c/Black_cat_by_Moonbeam13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5928054042512077987</id><published>2009-04-10T21:07:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T11:50:40.305-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Adolfo Bioy Casares'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luis Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alain Resnais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura argentina'/><title type='text'>A Invenção de Morel e Marienbad</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAtbbnqfHI/AAAAAAAAAIE/ZaD3lgHuaJY/s1600-h/bioy.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323304708845763698" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAtbbnqfHI/AAAAAAAAAIE/ZaD3lgHuaJY/s320/bioy.bmp" style="cursor: hand; float: left; height: 315px; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Finalmente! Li &lt;em&gt;A Invenção de Morel &lt;/em&gt;, de Adolfo Bioy Casares, escritor argentino, parceiro entranhado de Borges. Este livro me rondava há meses, recomendado por uma amiga, enquanto falávamos de Jorge Luis. Já o filme &lt;em&gt;Ano Passado em Marienbad&lt;/em&gt;, de Alain Resnais, também me fora altamente indicado na mesma época, por outro amigo. Mas, eu não sabia que o filme vinha do livro e só o soube depois de assistí-lo, semana passada, quando decidi encarar a obra original, que li ontem numa sentada. Feliz coincidência, lapso de tempo, fruto do acaso ou sábia sincronicidade, ainda mais por essas obras refletirem tão profundamente essas temáticas temporais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAng4A58TI/AAAAAAAAAHk/Aba6pYPXwhk/s1600-h/LaInvencionDeMorel10.jpg"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Do livro, tenho uma edição em espanhol, mais barata que a tradução. Até me emprestaram a tradução, mas devolvi sem ler. Não queria me aventurar ainda. Dava medo a afirmação de Borges de que "não parece uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la [a obra] de perfeita." Seu julgamento apoia-se no fato de Adolfo Bioy produzir uma história intricada com enredo mínimo, e assim temos as descrições mais ou menos fragmentadas segundo a acuridade de visão do narrador-personagem, o "fugitivo da lei".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Outro atributo ressaltado por Borges é a capacidade de seu amigo em sintetizar de forma harmômica as querelas eternas entre clássicos e modernos. O narrador caótico reencontra a civilização na ilha em que se refugia, sobretudo encontra um enorme museu, ou hotel, onde vários franceses snobs desfilam sua frieza intencional uns para os outros numa grande encenação. A trama foi construída como num romance policial (como os muitos que escreveria com Borges, ambos sob o pseudônimo de H. Bustos Domecq); um estilo já clássico, e neste caso as peripécias são dadas pelas nuances interiores do narrador. Com sentido de urgência e surpresa, seguimos atentos suas paranóias, como a de ser descoberto, seu amor nunca suficientemente declarado, ao que presume, pela bela e fria Faustine, e acima de tudo, suas descobertas em torno da invenção de Morel, o "tenista barbudo". Este segredo máximo, limite do mistério nesta narrativa, é o que nos simboliza, afinal, o propósito do sutil jogo de realidades repetidas, sóis duplos, estações do ano sobrepostas, fusão entre memória e desejo, fenômenos que tornam cada vez mais movediça a realidade. Basta dizer que a resolução antecipa cinquenta anos de história... Talvez porque Buoy Casares também seja um desses autores preocupados com a eternidade. E o que seria de nós vivendo numa eternidade apenas imaginada pelo homem? Responde Morel: "eu poderia ter-lhes dito, ao chegar: viveremos para a eternidade. Talvez tivéssemos arruinado tudo forçando-nos a manter uma contínua alegria. Pensei: Qualquer semana que passemos juntos, se não sofrermos a obrigação de ocupar bem o tempo, será agradável."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;Fazendo humor da angústia, construindo uma eternidade possível e comovente, esta obra nos leva a buscar por Morel, o gênio louco cuja lógica é tão insana quanto perfeita, e por Faustine, seu pólo oposto, a pura e silenciosa voz do mistério, com sua frieza sorridente, estabelecida à força entre prazeres cansativos e tédios inevitáveis. E nossa busca é a do narrador, que constrói a história enquanto a inventa ou tenta explicar, entender, amar, sobreviver, escolhendo memórias, projetando desejos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAuV2K_ZkI/AAAAAAAAAIU/Rn43-WcFESA/s1600-h/marienbad.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323305712405669442" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAuV2K_ZkI/AAAAAAAAAIU/Rn43-WcFESA/s320/marienbad.jpg" style="cursor: hand; float: right; height: 235px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;O filme de Alain Resnais foi feito quase vinte anos depois da publicação do livro, e é a própria obra-prima idealizada por Morel em sua invenção. Na tela, acompanhamos a repetição da perfeição calculada, vemos dissolverem os limites entre memória, desejo, realidade, sonho, ilusão, alucinação, lucidez, perdidos entre o que de fato teria acontecido ano passado em Marienbad, o que se passa agora, a gente parada em desejos do que é possível e impossível de ser feito, planejando uma eternidade enquanto se teme a morte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;No livro, temos ainda a vantagem de ver a história pela perspectiva do fugitivo da lei, observando à distância este palácio encantado, tentando até se envolver, mas preso à sobrevivência, obrigado a revelar sua própria história e identidade ocultas no exercício de desvendar a invenção de Morel/Resnais. Sua descoberta da eternidade sonhada torna-se cada vez mais claramente um aprendizado da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;O filme é mais sombrio, seu labirinto não tem ponto de fuga, nem após os créditos finais. No livro, a jornada é mais esperançosa, como, por exemplo, quando o narrador conclui, para fazer calar suas angústias: "Está ese camino: vivir, ser el más feliz mortal."&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5928054042512077987?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5928054042512077987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/invencao-de-morel-e-marienbad.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5928054042512077987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5928054042512077987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/invencao-de-morel-e-marienbad.html' title='A Invenção de Morel e Marienbad'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SeAtbbnqfHI/AAAAAAAAAIE/ZaD3lgHuaJY/s72-c/bioy.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-857465508153893880</id><published>2009-04-09T06:41:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:35:43.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia em inglês'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Pequena Ficção / One Landing Morning</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sd4Kaa8otYI/AAAAAAAAAHU/164S45LRcNs/s1600-h/Evening_At_The_Window_%5B1950%5D.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322703258625029506" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sd4Kaa8otYI/AAAAAAAAAHU/164S45LRcNs/s400/Evening_At_The_Window_%5B1950%5D.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 448px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 333px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;Evening at the window - Chagall&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois experimentos a partir do mesmo motivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Pequena Ficção&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começou com uma palavra, não mais. Ela disse “simples” na ponta da língua, eu disse “sempre” na ponta do lápis. Se você quer ter tudo, tem que trabalhar muito. Artigos de luxo e dor nas costas. “Ó pobre burguês a reclamar”, eu disse já para quebrar a possibilidade dela me chamar de “auto-indulgente”, esta palavra fina que ambos acataram de suas formações cristãs, o pai dele católico, o dela espírita. “Amanhã haverá talvez um concurso de miss na televisão”, ela diz. “E o que tenho a ver com isso?”, você responde. “Você não acha engraçado?”, ela ri.&lt;br /&gt;Mas ele não pôde responder, pois logo entrou pela janela um saco de lixo preto, amarfanhado. Era coisa do acaso, do vento ou de ambos. Dentro havia um pássaro gritando, pedindo por socorro, preto no sangue, bico para cima, cores ao vivo.&lt;br /&gt;Entreti-me em seu olhar antes da atitude de salvá-lo. Ela, atrás da cama, esperou com suas chinelas verdes de pano, nem um passo a frente, nem um passo atrás. O que faríamos? O que eu faria? Olhei o bicho no saco, seu estado, e nada. Não se mexia mais. “Não sei como se ouve coração de pássaro”, eu disse. Ela disse: “Não preciso do seu cinismo agora.”&lt;br /&gt;“Ela não me quer mais”, você pensa, e deixa o pássaro quieto. Amanhã será talvez. Mas a preguiça fez com que ficássemos ali. Era melhor do que brigarem com os pais. Era melhor que beijar na boca. Ela se senta na cama, as mãos pensas sobre o colo, um sorriso no rosto, um ar de aleluia.&lt;br /&gt;Ele tirou os sapatos pretos, deixou-os lustrando ao lado do ninho de plástico, arrastou-se de fininho até a cama e deixou de existir, sem dó nem piedade.&lt;br /&gt;Dormiram.Viveram juntos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;One Landing Morning&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;One day, when days was crowded ones&lt;br /&gt;An the roses was sold around the corners,&lt;br /&gt;A small and smart boy came slowly from the road.&lt;br /&gt;Pissed the grass, laid down all over the rest&lt;br /&gt;And dreamt about a dream under the rain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The train was coming fast,&lt;br /&gt;The food was at its best,&lt;br /&gt;My baby just don’t care,&lt;br /&gt;Lying like a cat,&lt;br /&gt;Just for fare… But –&lt;br /&gt;I see a fly in my wine,&lt;br /&gt;And the winter is wide in the air.&lt;br /&gt;The wings spreads fractions of vibrations on the red surface.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;She’s not decided to live or die.&lt;br /&gt;She does not think in anything.&lt;br /&gt;She’s drunk for the three of us or she just tries.&lt;br /&gt;She talks to me in a language I can breath.&lt;br /&gt;I want to say ‘I’m fine for today’,&lt;br /&gt;But she stops playing.&lt;br /&gt;‘I know I’m gonna be sleeping soon”,&lt;br /&gt;I said before wake up.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-857465508153893880?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/857465508153893880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/pequena-ficcao-one-landing-morning.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/857465508153893880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/857465508153893880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/04/pequena-ficcao-one-landing-morning.html' title='Pequena Ficção / One Landing Morning'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/Sd4Kaa8otYI/AAAAAAAAAHU/164S45LRcNs/s72-c/Evening_At_The_Window_%5B1950%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-550894012539332976</id><published>2009-03-31T23:06:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:36:49.036-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio poético'/><title type='text'>lapsos da eternidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdML1T8FhhI/AAAAAAAAAHM/R-XvMtzu_HE/s1600-h/a-these-people-exist-part3-8.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319608595367953938" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdML1T8FhhI/AAAAAAAAAHM/R-XvMtzu_HE/s400/a-these-people-exist-part3-8.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 337px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 425px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim que sintonizo um pensamento certo, só espero adormecer o mais rápido possível e cair na irrealidade profunda dos sonhos. Não porque considere que o inconsciente seja mais nobre que a consciência, mas porque detesto me embriagar de mim mesmo. Porque sei que a certeza me vence onde o medo me usurpa. Assim, espero contradizer meus pensamentos com sonhos de origem desconhecida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, quando sonho bem, também desejo voltar a pensar adequadamente o quanto logo. Não chega a ser um propósito, pois também não me agrada esta ansiedade de sempre preferir estar um passo à frente de mim mesmo; sei e sinto que é bom contentar-se no instante presente, perfeito e imperfeito, completo e ausente. O que me agrada é assumir uma contradição. Mas isto também, nem sempre. Tenho medo de mim na maior parte do tempo, por isso me movo para frente, mas é justamente aí, no movimento progressivo, que a contradição reaparece, contraditoriamente. Já quando confio-me demais, sinto uma preguiça quase eterna, sem vontade de expandir ainda mais o universo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero, sobretudo, aprender a nascer e morrer sem perder tempo, embora saiba que quando me perco no tempo dos homens, torno-me, ainda assim, alguma coisa que cabe neste mundo, meu e nosso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, a paz é uma guerra constante; o riso, um choro; cada banalidade, uma sabedoria; cada significado, um espanto mudo e sem sentido. E pronto. Agora sim podemos jogar este texto no lixo e fingir que foi apenas sonho difícil de lembrar. Isto não é conselho nem presente de grego. Entenda assim: a compaixão me move onde a raiva me falha. E vice-versa. E viva o verso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-550894012539332976?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/550894012539332976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/lapsos-da-eternidade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/550894012539332976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/550894012539332976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/lapsos-da-eternidade.html' title='lapsos da eternidade'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdML1T8FhhI/AAAAAAAAAHM/R-XvMtzu_HE/s72-c/a-these-people-exist-part3-8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2220551287798021683</id><published>2009-03-31T21:19:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:39:58.858-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar Wilde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogo'/><title type='text'>Diálogo incompleto entre um jovem de 20 e outro de 30</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdMDi0aNEOI/AAAAAAAAAHE/xK6fwFvkNUU/s1600-h/replacement-for-how-to-format-dialogue-i.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319599481573675234" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdMDi0aNEOI/AAAAAAAAAHE/xK6fwFvkNUU/s400/replacement-for-how-to-format-dialogue-i.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 225px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;"Não sou jovem o suficiente para saber tudo"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Oscar Wilde&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;20 - Se estou na idade da liberdade, isto é, aberto à realização de qualquer sonho, por que o passado me prende, aliando-se ao medo de experimentar? Por que devo escolher o que sou, baseado no que fui?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;30 - Você diz que é livre, mas para você a liberdade apenas começa. É um ideal ainda. Vai escolher a liberdade no ato de responsabilizar-se pelas próprias escolhas. Vai acreditar, justamente, que é livre para escolher. Aos poucos, a maior parte dos sonhos possíveis parecerão ilusões, por conta da necessidade de aplacar uma fome cada vez mais material. O espírito parecerá pobreza. Embora eu próprio tenha de assumir que volto a buscar o espírito, e o resto do invisível, nos despojos da carne.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;20 - Você é tão dramático quanto eu. Corre atrás de certezas duvidosas, enquanto sondo por dúvidas certeiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;30 - As certezas são atalhos. E se você não quer ser mais um servo da matéria, precisará de uma urgência que só as verdades proclamadas podem trazer. Você ainda tem o benefício de viver no tempo da poesia, espontaneamente. Eu luto para não esquecer o que sonhava aos vinte anos, por não conseguir ser espontâneo naquela época. Sei que, como antes, continuo desejando o tempo todo. Mas agora tenho menos medo de agir, o que torna as transgressões de outrora menos excitantes hoje. Cada vez faço um esforço maior para me interessar por coisas e pessoas, embora tenha menos preconceitos. Ao mesmo tempo, luto para me desapegar de coisas e pessoas às quais me acomodei. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;20 - Você e eu somos iguais: continuamos a desejar um grande amor e a cartada certa. E isto não tem idade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(janeiro/09)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2220551287798021683?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2220551287798021683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/dialogo-incompleto-entre-um-jovem-de-20.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2220551287798021683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2220551287798021683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/dialogo-incompleto-entre-um-jovem-de-20.html' title='Diálogo incompleto entre um jovem de 20 e outro de 30'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SdMDi0aNEOI/AAAAAAAAAHE/xK6fwFvkNUU/s72-c/replacement-for-how-to-format-dialogue-i.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-7090737537905718309</id><published>2009-03-26T11:57:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:43:26.560-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biblioteca de babel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jorge Luis Borges'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura argentina'/><title type='text'>A BIBLIOTECA DE BABEL - Jorge Luis Borges</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;By this art you may contemplate the variation of the 23 letters...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;The Anathomy of Melancholy,part. 2, sec. ii, mem. iv&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;br /&gt;O universo (que outros chamam a Biblioteca) se compõe de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no meio, cercados por varandas baixíssimas. De qualquer hexágono se vêem os pisos inferiores e superiores: interminavelmente.&lt;br /&gt;A distribuição das galerias é invariável. Vinte prateleiras, sendo largas cinco por parede, cobrem todos os lados menos dois; sua altura, que é a dos andares, excede apenas a de um bibliotecário normal. Uma das faces livres dá para um apertado saguão, que desemboca em outra galeria, idêntica à primeira e a todas. À esquerda e à direita do saguão há dois gabinetes minúsculos.&lt;br /&gt;Um permite dormir de pé; outro, satisfazer as necessidades finais. Por aí passa a escada espiral, que se abisma e se eleva até o remoto. No saguão há um espelho, que fielmente duplica as aparências. Os homens pretendem inferir deste espelho que a Biblioteca não é infinita (se fosse realmente, para quê esta duplicação ilusória?); eu prefiro sonhar que as superfícies polidas figuram e prometem o infinito... A luz procede de umas frutas esféricas que levam o nome de lâmpadas. Há duas em cada hexágono: transversais. A luz que emitem é insuficiente, incessante.&lt;br /&gt;Como todos os homens da Biblioteca, viajei em minha juventude, peregrinei em busca de um livro, acaso o catálogo dos catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, me preparo para morrer a umas poucas léguas do hexágono em que nasci. Morto, não faltarão mãos piedosas que me atirem pela varanda; minha sepultura será o ar insondável; meu corpo submergirá profundamente e se corromperá e dissolverá no vento engendrado pela queda, que é infinita.&lt;br /&gt;Afirmo que a Biblioteca é interminável. Os idealistas argumentam que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Raciocinam que é inconcebível uma sala triangular ou pentagonal. (Os místicos pretendem que o êxtase lhes revela uma câmera circular com um grande livro circular de lombada contínua, que dá toda a volta das paredes, porém seu testemunho é suspeito; suas palavras, obscuras. Este livro cíclico é Deus.) Basta-me, por ora, repetir o ditado clássico: A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível.&lt;br /&gt;A cada um dos muros de cada hexágono correspondem a cinco prateleiras; cada prateleira encerra trinta e dois livros de formato uniforme; cada livro é de quatrocentas e dez páginas; cada página quarenta linhas, cada linha umas oitenta letras de cor negra. Também há letras no dorso de cada livro. Essas letras não indicam ou prefiguram o que dirão as páginas. Sei que esta inconexão, algumas vezes, pareceu misteriosa. Antes de resumir a solução (cujo descobrimento, apesar de suas trágicas projeções, é quiçá o fato capital da história) quero rememorar alguns axiomas.&lt;br /&gt;O primeiro: A Biblioteca existe ab aeterno. Desta verdade, cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente racional pode duvidar. O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do acaso ou de demiurgos malévolos; o universo, com sua elegante dotação de prateleiras, de tomos enigmáticos, de infatigáveis escadarias para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, só pode ser obra de um deus. Para perceber a distância que há entre o divino e o humano, basta comparar estes rudes símbolos trêmulos que minha falível mão garatuja na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas. [1]&lt;br /&gt;O segundo: O número de símbolos ortográficos é vinte e cinco. Essa comprovação permitiu, há trezentos anos, formular uma teoria geral da Biblioteca e resolver satisfatoriamente o problema que nenhuma conjectura havia decifrado: a natureza informe e caótica de quase todos os livros. Um, que meu pai viu em um hexágono do circuito quinze noventa e quatro, constava das letras MCV perversamente repetidas desde a linha primeira até a última. Outro (muito consultado nesta zona) é um mero labirinto de letras, porém a página penúltima disse Oh tempo tuas pirâmides. Já se sabe: por uma linha racional ou uma reta notícia há léguas de insensatas cacofonias, de miscelâneas verbais e de incoerências. (Eu sei de uma região cerrada cujos bibliotecários repudiam o supersticioso e vão costume de buscar sentido nos livros e o equiparam ao de buscá-lo em sonhos ou em linhas caóticas da mão... Admitem que os inventores da escritura imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, porém sustentam que esta aplicação é casual e que os livros nada significam em si. Esse ditame, já veremos não é de todo falaz.)&lt;br /&gt;Durante muito tempo se acreditou que esses livros impenetráveis correspondiam a línguas pretéritas ou remotas. É verdade que os homens mais antigos, os primeiros bibliotecários, usavam uma linguagem bem diferente da que falamos agora; é verdade que umas milhas à direita a língua é dialetal e que noventa pisos acima, é incompreensível. Tudo isso, repito, é verdade, porém quatrocentas e dez páginas de inalteráveis MCV não podem corresponder a nenhum idioma, por mais dialetal ou rudimentar que seja. Alguns insinuaram que cada letra podia influir na subseqüente e que o valor de MCV na terceira linha da página 71 não era o que pode ter a mesma série em outra posição de outra página, porém esta vaga tese não prosperou. Outros pensaram em criptografias; universalmente essa conjectura foi aceita, ainda que não no sentido em que a formularam seus inventores.&lt;br /&gt;Há quinhentos anos, o chefe de um hexágono superior [2] deu com um livro tão confuso como os outros, mas que tinha duas folhas de linhas homogêneas. Mostrou seu achado a um decifrador ambulante, que disse que estavam redigidas em português;outros disseram que em iídiche. Antes de um século pôde-se estabelecer o idioma: um dialeto samoiedo-lituano do guarani, com inflexões de árabe clássico.&lt;br /&gt;Também se decifrou o conteúdo: noções de análise combinatória, ilustradas por exemplos de variações com repetição ilimitada. Esses exemplos permitiram que um bibliotecário de gênio descobrisse a lei fundamental da Biblioteca. Este pensador observou que todos os livros, por mais diversos que sejam , constam de elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula, as vinte e duas letras do alfabeto. Também alegou um fato que todos os viajantes confirmaram: Não há na vasta Biblioteca, dois livros idênticos.&lt;br /&gt;Dessas premissas incontroversas deduzo que a Biblioteca é total e que suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (número, ainda que vastíssimo, não infinito) ou seja, tudo o que é dado expressar: em todos os idiomas. Tudo: a história minuciosa do porvir, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração da falácia do catálogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basilides, o comentário deste evangelho, o comentário do comentário deste evangelho, a relação verídica de tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as interpolações de cada livro em todos os livros, o tratado que Beda pôde escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de Tácito.&lt;br /&gt;Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens se sentiram senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema pessoal ou mundial cuja eloqüente solução não existisse: em algum hexágono. O universo estava justificado, o universo bruscamente usurpou as dimensões ilimitadas da esperança. Naquele tempo se falou muito nas Vindicações: livros de apologia e de profecia, que para sempre vingavam os atos de cada homem do universo e guardavam arcanos prodigiosos para seu provir. Milhares de ambiciosos abandonaram o doce hexágono natal e se lançaram escadarias acima, urgidos pelo vão propósito de encontrar sua Vindicação. Esses peregrinos disputavam nos corredores estreitos, proferiam obscuras maldições, se estrangulavam nas escadarias divinas, lançavam os livros enganosos ao fundo dos túneis, morriam despenhados por homens de regiões remotas. Outros se enlouqueceram... As Vindicações existem (eu cheguei a ver duas que se referem a pessoas do futuro, a pessoas talvez não imaginárias) mas os buscadores não recordavam que a possibilidade de que um homem encontre a sua, ou alguma pérfida variação da sua, é computável em zero.&lt;br /&gt;Também se esperou então o esclarecimento dos mistérios básicos da humanidade: a origem da Biblioteca e do tempo. É verossímil que esses graves mistérios possam explicar-se em palavras: se não bastar a linguagem dos filósofos, a multiforme Biblioteca produziria o idioma inaudito que se requer e os vocábulos e gramáticas desse idioma. Faz já quatro séculos que os homens fatigam os hexágonos... Há buscadores oficiais, inquisidores. Eu os vi no desempenho de sua função: chegam sempre rendidos; falam de uma escadaria sem degraus que quase os matou; falam de galerias e escadarias com o bibliotecário; vez por outra, tomam o livro mais próximo e o folheiam, em busca de palavras infames. Visivelmente, ninguém espera descobrir nada.&lt;br /&gt;À desaforada esperança, sucedeu, como é natural, uma depressão excessiva. A certeza de que alguma prateleira em algum hexágono encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis, pareceu quase intolerável. Uma seita blasfema sugeriu que cessaram as buscas e que todos os homens embaralhavam letras e símbolos, até construir, mediante um improvável dom do acaso, esses livros canônicos. As autoridades se viram obrigadas a promulgar ordens severas. A seita desapareceu, mas em minha infância cheguei a ver homens velhos que largamente se ocultavam nas latrinas, com uns discos de metal em um cubículo proibido, e debilmente imitavam a divina desordem.&lt;br /&gt;Outros, inversamente, creram que o primordial era eliminar as obras inúteis. Invadiam os hexágonos, exibiam credenciais nem sempre falsas, folheavam com fastio um volume e condenavam prateleiras inteiras: a seu furor higiênico, ascético, se deve a insensata perdição de milhões de livros. Seu nome é execrado, porém aqueles que deploram os “tesouros” que seu frenesi destruiu, negligenciam dois fatos notórios. Um: a Biblioteca é tão enorme que toda redução de origem humana resulta infinitesimal. Outro: cada exemplar é único, insubstituível, mas (como a Biblioteca é total) há sempre várias centenas de milhares de fac-símiles imperfeitos: de obras que não diferem senão por uma letra ou uma vírgula. Contra a opinião geral, me atrevo a supor que as conseqüências das depredações cometidas pelos Purificadores, têm sido exageradas pelo horror que esses fanáticos provocaram. Urgia neles o delírio de conquistar os livros do Hexágono Carmim: livros de formato menor que os naturais; onipotentes, ilustrados e mágicos.&lt;br /&gt;Também sabemos de outra superstição daquele tempo: a do Homem do Livro. Em alguma prateleira de algum hexágono (raciocinaram os homens) deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de todos os demais. Algum o teria percorrido e seria análogo a um deus. Na linguagem desta zona persistem ainda vestígios do culto desse funcionário remoto. Muitos peregrinaram em busca d’Ele.&lt;br /&gt;Durante um século cansaram-se em vão pelos mais diversos rumos. Como localizar o venerado hexágono secreto que o hospedava? Alguém propôs um método regressivo: Para localizar o livro A, consultar previamente um livro B que indique a localização de A; para localizar o livro B, consultar previamente um livro C, e assim até o infinito... Em aventuras dessas, tenho prodigado e consumido meus anos. Não me parece inverossímil que em alguma prateleira do universo haja um livro total [3]; rogo aos deuses ignorados que um homem – um só, ainda que tenha sido há mil anos! – o tenha examinado e lido. Se a honra e felicidade não são para mim, que sejam para outros. Que o céu exista, ainda que meu lugar seja o inferno. Que eu seja ultrajado e aniquilado, porém que em um instante, em um ser, Tua enorme Biblioteca se justifique.&lt;br /&gt;Afirmam os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o racional (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase uma milagrosa exceção. Falam (eu sei) da “Biblioteca febril, cujos aleatórios volumes correm o incessante destino de transformar-se em outros e que tudo o que afirmam, negam e confundem como uma divindade que delira.” Essas palavras que não só denunciam a desordem mas também a exemplificam, notoriamente provam seu gosto péssimo e sua desesperada ignorância.&lt;br /&gt;Com efeito, a Biblioteca inclui todas as estruturas verbais, todas as variações que permitem os vinte e cinco símbolos ortográficos, porém nem um só disparate absoluto. Inútil observar que o melhor volume dos muitos hexágonos que administro se intitula Trovão penteado, e outro A câimbra de gesso e outro Axaxaxas mlö. Essas proposições, à primeira vista incoerentes, sem dúvida são capazes de uma justificação criptográfica ou alegórica; essa justificação é verbal e, ex hypothesi, já figura na Biblioteca. Não posso combinar uns caracteres&lt;br /&gt;dhcmrlchtdj&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que a divina Biblioteca não tenha previsto e que em alguma de suas línguas secretas não encerrem um terrível sentido. Nada pode articular uma sílaba que não esteja plena de ternuras e temores; que não seja em alguma dessas linguagens o nome poderoso de um deus. Falar é incorrer em tautologias. Esta epístola inútil e faladeira já existe em um dos trinta volumes das cinco prateleiras de um dos incontáveis hexágonos – e também sua refutação. (Um número n de linguagens possíveis usa o mesmo vocabulário; em algumas, o símbolo biblioteca admite a correta definição ubíquo e perdurável sistema de galerias hexagonais, mas, biblioteca é pão ou pirâmide ou qualquer outra coisa, e as sete palavras que a definem têm outro valor. Tu, que me lês, estás seguro de entender em minha linguagem?)&lt;br /&gt;A escritura metódica me distrai da presente condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos afantasma. Eu conheço distritos em que os jovens se prosternam diante dos livros e beijam com barbárie as páginas, porém não sabem decifrar uma só letra. As epidemias, as discórdias heréticas, as peregrinações que inevitavelmente degeneram em banditismo, têm dizimado a população. Creio haver mencionado os suicídios, cada ano mais freqüentes. Quiçá me enganem a velhice e o temor, mas suspeito que espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.&lt;br /&gt;Acabo de escrever infinita. Não interpolei este adjetivo por um costume retórico; digo que não é ilógico pensar que o mundo é infinito. Aqueles que o julgam limitado, postulam que em lugares remotos os corredores e as escadarias podem inconcebivelmente cessar – o que é absurdo. Aqueles que o imaginam sem limites, esquecem que contém o número possível de livros. Eu me atrevo a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao cabo dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão se alegra com esta elegante esperança. [4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar del Plata, 1941&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] O manuscrito original não contém algarismos ou maiúsculas. A pontuação está limitada à vírgula e ao ponto. Esses dois signos, o espaço e as vinte e duas letras do alfabeto são os vinte e cinco símbolos suficientes que enumera o desconhecido. (Nota do Editor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Antes, para cada três hexágonos havia um homem. O suicídio e as enfermidades pulmonares destruíram essa proporção. Memória de indizível melancolia: Às vezes viajei muitas noites por corredores e escadarias polidas sem achar um só bibliotecário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Repito: basta que um livro seja possível para que exista. Só está excluído o impossível. Por exemplo: nenhum livro é também uma escadaria, ainda que sem dúvida haja livros que discutem e negam e demonstram essa possibilidade e outros cuja estrutura corresponde a de uma escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Letizia Alvarez Toledo observou que a vasta Biblioteca é inútil; em rigor, bastaria um só volume, de formato comum, impresso em corpo nove ou corpo dez, que constaria de um número infinito de folhas infinitamente grandes. (Cavalieri, no início do século XVII, disse que todo corpo sólido é a superposição de um número infinito de planos.) O manejo desse vademecum sedoso não seria cômodo: cada folha aparentemente se desdobraria em outras análogas; a inconcebível folha central não teria reverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Alexandre Rabelo&lt;br /&gt;Agosto de 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-7090737537905718309?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/7090737537905718309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/biblioteca-de-babel-jorge-luis-borges.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7090737537905718309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/7090737537905718309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/biblioteca-de-babel-jorge-luis-borges.html' title='A BIBLIOTECA DE BABEL - Jorge Luis Borges'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1702351172675521935</id><published>2009-03-25T20:48:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T10:45:45.156-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aforismas'/><title type='text'>Máximas Ínfimas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ScsCx84lSlI/AAAAAAAAAG8/PidOwo20I3Y/s1600-h/escher-hands.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317346842221300306" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ScsCx84lSlI/AAAAAAAAAG8/PidOwo20I3Y/s400/escher-hands.gif" style="cursor: hand; display: block; height: 362px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sou feliz e triste ao mesmo tempo, pois o tempo não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho medo da morte quando temo a vida. Quando não tenho medo, não existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rezo para os grandes escritores e leio deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só me expresso quando estou vazio. Quando estou cheio, só sei morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estendo a mão para me curar no amor que possa dar. Prefiro esse egoísmo à pretensão de salvar quem me salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém me salva de mim. Prefiro ser meu pior inimigo para sempre precisar de um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se as pessoas fossem uma raça em extinção, talvez eu gostasse delas como gosto das baleias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compreendo a juventude porque ela também não se compreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Defender idéias é assassinar o tempo. Atacar idéias é suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Troquei umas palavras com o silêncio, mas ele só me disse o que eu já sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acerto para sobreviver e erro para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se esqueço é para começar de novo. Se recomeço, é para me esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando percebi que era preciso saber muita coisa, as coisas deixaram de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A injustiça me enraivece; a justiça me entorpece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só mudo para ser o mesmo, e quero ser o mesmo para ser o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu digo dor com quem diz sorriso. Quando sorrio é por não ter o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu digo amor como quem diz ansiedade. Quando anseio é por não ter o que amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem se arroga de ser louco descobriu a pior desculpa de todos os tempos. Quem se arroga de ser são, não descobriu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uso o vaso sanitário para pensar. Os pensamentos eu uso para expelir fluídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ardo para aprender a respirar. Respiro para desaprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A eternidade me conduz pois só nela me perco. O tempo não me diz nada pois só nele me acho, e não sou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto-me só pois do contrário me sentiria inteiro. E só é inteiro quem conheceu tudo, inclusive a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosto muito de dinheiro, só não gosto de quem ele pode comprar. Mesmo assim, as compro quando posso, para desmascarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho esperança porque o desespero me cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei expressar essas verdades prontas, por isso só as jogo. Quem sabe aí eu me invente por um dia ou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desejo a paz como quem não deseja mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1702351172675521935?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1702351172675521935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/maximas-infimas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1702351172675521935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1702351172675521935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/03/maximas-infimas.html' title='Máximas Ínfimas'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ScsCx84lSlI/AAAAAAAAAG8/PidOwo20I3Y/s72-c/escher-hands.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6235684983272239576</id><published>2009-02-25T02:45:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T10:51:17.834-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura indiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heinrich zimmer'/><title type='text'>Desejo e Ilusão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SaUxQa-5UsI/AAAAAAAAAGs/pZmQKeDYWOo/s1600-h/desgarrocp6.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306701894116790978" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SaUxQa-5UsI/AAAAAAAAAGs/pZmQKeDYWOo/s400/desgarrocp6.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 272px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;" 'Assim como o fogo é envolvido pela fumaça, um espelho pela poeira, e o feto no ventre materno pelos tegumentos que rodeiam o embrião, assim também a compreensão é envolvida pelo desejo. A inteligência superior (jñana) do homem - que intrinsicamente é dotado de perfeito discernimento (jñanin) - está cercada por este eterno inimigo, o desejo, que assume todas as formas possíveis e que é um fogo insaciável. As forças sensoriais (indriya), a mente (manas) e a faculdade de compreensão intuitiva (buddhi), são todas consideradas sua morada. Por meio delas o desejo atordoa e confunde o Possuidor do corpo, velando sua compreensão superior. Portanto, começa por sujeitar os órgãos dos sentidos e mata este maligno, o destruidor da sabedoria (jñana) e da realização (vijñana). As forças sensoriais são superiores [ao corpo físico]; a mente é superior aos sentidos; a compreensão intuitiva, por sua vez, é superior à mente; e, superior à compreensão intuitiva, aquieta firmemente o eu por meio do Eu [sa: o Possuidor do corpo, o Eu], e mata o inimigo que tem a forma do desejo [ou que assume qualquer forma que lhe agrade] e que é difícil vencer.'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;'Ao contemplarmos os objetos dos sentidos interiormente, visualizando-os e ponderando-os, criamos apego a eles; do apego nasce o desejo; do desejo surgem a cólera e as paixões violentas; da paixão violenta, o atordoamento e a confusão; do atordoamento, a perda da memória e do autodomínio consciente; desta perturbação, ou ruína do auto-controle, advém o desaparecimento da compreensão intuitiva; e da ruína da compreensão intuitiva vem a ruína do próprio homem.'&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;A técnica de desapego ensinada pelo Bem-aventurado Krishna na Gita é um espécie de 'caminho do meio'. Por um lado o devoto deve evitar o extremo de se apegar à esfera da ação e a seus frutos (a busca egoísta de propósitos pessoais, com avidez de aquisição e posse), e pelo outro, deve-se evitar cair, com o mesmo cuidado, no extremo da vazia abstinência de toda espécie de ação. O primeiro erro é aquele proveniente do comportamento normal do ingênuo ser mundano, propenso à atividade e ansioso pelos resultados. Isto leva apenas a uma continuação do inferno da roda dos renascimentos: nossa costumeira e inútil participação no sofrimento inevitável que acompanha o fato de sermos um ego. Enquanto o erro oposto é o da abstenção neurótica; o erro dos ascetas absolutos - como os monges jainas e ajivika - que se entregam à vã esperança de que é possível livrar-se dos influxos cármicos simplesmente através da mortificação da carne, fazendo cessar todos os processos mentais e emocionais e matando de fome ao corpo. Contra essas coisas, a Bhagavad Gita apresenta uma concepção mais moderna, mais psicológica e espiritual: Age! porque, na verdade, agirás não importa o que faças, mas consegue desapegar-te dos frutos! Dissolve assim o amor-próprio de teu ego e com isto descobrirás o Eu! O Eu não se preocupa nem com a individualidade interior (jiva, purusa) nem com o mundo exterior (a-jiva, prakrti)."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Filosofias da Índia - Heinrich Zimmer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6235684983272239576?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6235684983272239576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/desejo-e-ilusao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6235684983272239576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6235684983272239576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/desejo-e-ilusao.html' title='Desejo e Ilusão'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SaUxQa-5UsI/AAAAAAAAAGs/pZmQKeDYWOo/s72-c/desgarrocp6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-103089448405641570</id><published>2009-02-10T17:38:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T10:59:54.426-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='atitude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='epístola'/><title type='text'>carta a jovens rebeldes</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SZItImBRAJI/AAAAAAAAAGc/hIqJkosZHF0/s1600-h/carav13.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301349337036554386" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SZItImBRAJI/AAAAAAAAAGc/hIqJkosZHF0/s400/carav13.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 360px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 448px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;David e Golias - Caravaggio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Tenho conversado cada vez mais com jovens rebeldes, dos mais diversos tipos de inadequação. Quanto mais conheço suas necessidades, mais percebo que o que desejam é um ouvido paciente para exercitarem o galope selvagem de suas contradições, sem censura. Por outro lado, procuram corpos como se estes fossem apenas ouvidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Todos assumem ser a arte o interesse mais verdadeiro. E todos têm medo e buscam em minhas palavras, na boca que as emite, uma razão corajosa e louca para realizarem seus sonhos inconfessáveis de expressão, prazer, poder, paz. Sabem-me como alguém que lhes incentivará o desvario calculado, com o benefício da dúvida, da ambigüidade, do mistério, magia, todas as palavras grandes que os homens se inventam para se cercar de importâncias. Comigo querem falar sobre o amor, começo e meio e fim. Querem falar sobre loucura, responsabilidade, impulso, sexo, pessoas, bichos, poesia, tempestade, festas, filmes, dramas, mantras. Sobre terra, céu e mar. Revelam-se como eu, tímidos, inseguros, covardes, melancólicos, tristes, sombrios. Uns desdenham a palavra deus, outros a palavra amor. Armam-se de palavras para alcançar algum gozo, preenchido de idealidades outras, sonhos de carne inconfessáveis, nos mais diversos estilos musicais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Pensei em escrever uma carta a todos estes jovens rebeldes, com a intenção de expressar possíveis relações sobre assuntos que vejo serem mais repetidamente evocados. Também falo com a intuição de que lhes fará algum bem sentir que suas questões mais presentes são reais para uma coletividade maior, embora eu me dirija a uns tantos rebeldes em específico, mas sem ferir suas individualidades, e sim tentando desvendar o que possa ser superior à nossa solidão, dita existencial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Reparo que quanto mais tomamos parte em experiências extremas, segundo nossos próprios critérios, mais dizemos, sentidamente, a palavra solidão. Pois conhecer abismos nos individualiza. E sigo dizendo que é uma questão de tempo, paciência, delicadeza, segurando nos dentes as rédeas dos próprios impulsos, sabendo que todos queremos convencer ou confundir nossos pares, cheios demais de desejo para já trabalharmos na disciplina consciente do equilíbrio justo entre dor e prazer. Todos queremos confessar algum grande crime de amor, para nos sentirmos superiores a nossas próprias palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Os mais ousados expressam-se através das artes. Plásticas, literárias, teatrais, cinematográficas, musicais. Primitivas e ancestrais, futuristas e cósmicas. Arrogam-se de conhecer a realidade dura da pedra, do dinheiro, do poder e do interesse. Afirmam sentimentos fugazes em nome das últimas verdades de que se armaram, em sua leitura convulsiva do mundo. Eu sigo dizendo: a arte mais básica é a da respiração, mas, sendo jovens, conscientizamo-nos disto apenas durante um beijo.&lt;br /&gt;No fundo, o que eu poderia dizer de verdadeiro, com valor de lei, de acordo com minhas reais atitudes? Este parece ser nosso problema mais crucial ainda. A medida entre palavras e atos. Ora sou incerteza, ora homem, ora coisa. Não quero dizer que o consolo da razão garante a felicidade, mas saber escolher é sobreviver melhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;E há que se ouvir os sonhos, onde estão as conexões mais antigas, mais próximas de nosso ser primordial, as conexões mais comuns, mesmo as que um sonho faz crer que sejam inéditas. Há que se navegar pelos sonhos, no medo, na idéia de que há luz e escuridão. Mas, acautelem-se na hora de brincar com fogo! Quem brinca com fogo realmente faz xixi na cama. E já acorda com medo, um pouco mais queimado, com a pele mais insensível e a vista mais ofuscada. O fogo é para ser reverenciado, mas não como um ídolo, e sim como o emblema mesmo do mistério superior à vida de um homem, este ser nascido no tempo. Cada elemento simples e eterno deve emanar constantemente seu poder sobre a fraqueza e força de um homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Devemos nos entregar ao simples jogo de crer que há um mistério para fora de nós mesmos, deve haver um mistério maior que este que enxergamos em outro homem ou mulher. Deve haver algo além das palavras amor e deus, um outro sopro sutil indefinido e quase inaudível. Senão, a matéria e suas leis, sempre tediosamente arbitrárias, mortais...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;A revolta é a atitude de imaginar uma realidade superior à nossa, pela leitura intencional dos sinais que nossa realidade mais concreta parece apresentar. Pois se toda crença é vã, que possamos estar ao menos conscientes de que construímos nossas vidas como uma ficção, uma história para se contar, e ainda assim que possamos dar cada vez mais crédito a nós mesmos. Devemos ser honestos e assumir quem são os homens de quem roubamos nossos argumentos. Se não dermos forma à revolta, ela nos mata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Meu partido é a capacidade de criar histórias, ficções, fantasias onde o cotidiano se revele sobrenatural, convidando-nos a mergulhar até o fundo da ilusão para perceber seu caráter de máscara, simulacro, pele morta. A magia dos fogos universais não pode ocultar senão um silêncio, que é de cada um e de todos. Para estarmos atentos a nossas relações com o mundo, para aventurarmo-nos com certa segurança, é preciso termos como porto este silêncio incognoscível, esta curiosidade franca e latente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Toda história, em nossas vidas ou fora delas, sempre retorna ao silêncio que a originou. Não há verdade mais eterna que o silêncio. Há apenas testemunhos aos quais podemos nos agarrar com a justificativa da fé, sejam esses testemunhos obras de pastores ou poetas, criadores de sons e imagens, cientistas ou feiticeiros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Se nossa revolta nos impele às vezes a desdizer os mestres antigos, sejam estes professores, amantes, poetas ou estrelas, sejam velhos amigos solitários, por que então gastamos nosso tempo e palavras em desdizê-los? Por que não dizemos, enfim, apenas o que desejamos? Eu sei... Porque não há nome que nos emule... Ainda queremos viver de segredos, mesmo quando sabemos ser mais saudável e divertido expor com coragem nossas contradições. Eu sei, temos de nos mostrar como soldados, fortes, preparados, inocentes da própria hipocrisia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;O fato é que estamos sempre fazendo jogo duplo, triplo, quádruplo, como acrobacia que nos permitisse atender a nós mesmos, de um lado, e aos nossos desejos, tão estranhos a nós mesmos. Somos livres, mas queremos possuir a liberdade do outro, se possível. Seria melhor assumirmo-nos frágeis, selvagens, flexíveis, úmidos. Melhor seria respirar e rir. Melhor seria criar ou calar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Já no fim desta carta, tendo dado forma ao que a observação mostrou ser o mais urgente, sinto alguma rebeldia se lançar estômago acima, tentando caluniar inutilmente o que acabo de escrever. Mas uns outros lados meus, chiaroscuros, se contentam, sem auto-complacência, implacavelmente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-103089448405641570?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/103089448405641570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/carta-jovens-rebeldes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/103089448405641570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/103089448405641570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/carta-jovens-rebeldes.html' title='carta a jovens rebeldes'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SZItImBRAJI/AAAAAAAAAGc/hIqJkosZHF0/s72-c/carav13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-820716539176394372</id><published>2009-02-07T00:27:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:03:51.862-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tarkovsky'/><title type='text'>Stalker - Tarkovsky</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SY1HDwj9kJI/AAAAAAAAAF8/Teu-MSFZUrw/s1600-h/tarkovsky.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299970466385858706" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SY1HDwj9kJI/AAAAAAAAAF8/Teu-MSFZUrw/s400/tarkovsky.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 271px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;“Quando o homem nasce, é fraco e flexível; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;quando morre é impassível e duro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Quando uma árvore nasce, é tenra e flexível; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;quando se torna seca e dura, ela morre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A dureza e a força são atributos da morte; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;a flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por isso, quem endurece, nunca vencerá…”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-820716539176394372?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/820716539176394372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/stalker-tarkovsky.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/820716539176394372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/820716539176394372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/02/stalker-tarkovsky.html' title='Stalker - Tarkovsky'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SY1HDwj9kJI/AAAAAAAAAF8/Teu-MSFZUrw/s72-c/tarkovsky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6749993169998669704</id><published>2009-01-24T09:23:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:23:39.829-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura indiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heinrich zimmer'/><title type='text'>Acreditar na Humanidade?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Um fato básico que os 'adeptos' da sabedoria da Índia costumam esquecer é que os mestres indianos e aqueles que se libertaram das cadeias do mundo rejeitam todos os valores da Humanidade. A 'humanidade', no sentido do ser humano, o ideal de sua perfeição e o ideal da sociedade humana perfeita, foi da maior importância para o idealismo grego, como ainda o é para o cristianismo ocidental em sua forma moderna; entretanto, para os sábios e ascetas indianos, os &lt;em&gt;Mahatma&lt;/em&gt; e salvadores iluminados, a 'humanidade' não era mais do que uma casca a ser partida, quebrada e abandonada. Porque a perfeita inatividade do pensamento, palavra e ação, é possível unicamente quando se morre para todos os interesses da vida: morto para a dor e o prazer, bem como para todo impulso de poder; morto para os atrativos do exercício intelectual; morto para os assuntos políticos e sociais; imóvel, profunda e absolutamente desinteressado mesmo pela condição de ser humano. A última, sublime e suave cadeia, a virtude, também é, por conseguinte, algo a ser cortado. Não pode ser considerada como meta; ela só é o início da grande aventura espiritual do 'autor da travessia' , um degrau no caminho rumo à esfera sobre-humana. Outrossim, esta esfera não é apenas sobre-humana, é também superdivina: está além dos deuses, de suas moradas celestiais, de seus prazeres, de seus poderes cósmicos. Conseqüentemente, a 'humanidade', tanto em seu aspecto coletivo quanto individual, não pode continuar preocupando alguém que seriamente se esforça por atingir a perfeição seguindo a rota suprema da sabedoria hindu. A humanidade e seus problemas pertencem às filosofias da vida, que analisamos anteriormente: as filosofias do êxito &lt;em&gt;(artha)&lt;/em&gt;, do prazer &lt;em&gt;(kama), &lt;/em&gt;e do dever &lt;em&gt;(dharma); &lt;/em&gt;porém estas já não interessam àquele que literalmente morreu para o tempo, e para quem a vida é morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;'Deixa aos mortos sepultar os seus mortos': esta é a idéia. Justamente por isso resulta tão difícil - para nós, cristãos do Ocidente moderno - apreciar e assimilar a mensagem tradicional da Índia."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;Filosofias da Índia - Heinrich Zimmer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6749993169998669704?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6749993169998669704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/acreditar-na-humanidade.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6749993169998669704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6749993169998669704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/acreditar-na-humanidade.html' title='Acreditar na Humanidade?'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5997379210534768556</id><published>2009-01-20T15:01:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:48:38.207-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura indiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heinrich zimmer'/><title type='text'>Samsara</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SXZaz16osvI/AAAAAAAAAFo/2CQzAzDpVf0/s1600-h/samsara.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293518258713441010" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SXZaz16osvI/AAAAAAAAAFo/2CQzAzDpVf0/s400/samsara.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Todos temos que nos identificar e 'pertencer' a algo; mas não podemos nem devemos buscar nossa realização nesta atitude, porque reconhecer as distinções entre as coisas, diferenciar isto daquilo - ação implícita e fundamental no esforço natural - pertence à esfera da mera aparência, ao reino do nascimento e morte &lt;em&gt;(samsara).&lt;/em&gt; A tendência popular indiana a tudo deificar, a tornar divinizada toda classe de ente, não é menos absurda, em última instância, que a irreligiosidade cientificista do Ocidente que, com seu 'nada mais que', pretende reduzir tudo à esfera do entendimento racional e relativo - desde a potência do sol até o ímpeto do amor. O relativismo e o absolutismo, quando totais, são de igual modo perversos, precisamente por serem convenientes. Simplificam em excesso visando os fins da ação eficaz. Não se preocupam com a verdade e sim com os resultados. Enquanto não compreendermos que cada coisa inclui todas as demais, ou pelo menos, que também é diferente do que parece ser, e que antinomias tais como as dos opostos - o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, isto e aquilo, o sagrado e o profano - estendem-se até as fronteiras do pensamento, mas não as ultrapassam, ainda esatremos atados ao monturo do &lt;em&gt;samsara&lt;/em&gt;, sujeitos à ignorância que retém a consciência dentro dos mundos dos renascimentos. Enquanto fizermos distinções, exclusões ou excomunhões, seremos agentes e servos do erro."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Heinrich Zimmer - Filosofias da Índia&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5997379210534768556?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5997379210534768556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/samsara.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5997379210534768556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5997379210534768556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/samsara.html' title='Samsara'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SXZaz16osvI/AAAAAAAAAFo/2CQzAzDpVf0/s72-c/samsara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5752865177241805467</id><published>2009-01-15T13:39:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:49:20.161-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ingmar bergman'/><title type='text'>Gritos e Sussurros - Bergman</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SW-wr5jt4VI/AAAAAAAAAFg/1NapJ16MP_U/s1600-h/cries1.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291642355415114066" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SW-wr5jt4VI/AAAAAAAAAFg/1NapJ16MP_U/s400/cries1.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 249px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Trebuchet MS; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Por que você é tão formal? Não pode deixar o passado esquecido?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Venha cá, Maria. Venha! Olhe-se nesse espelho. Você é bonita. Provavelmente, mais bonita do que antes. Mas você também mudou muito. Quero que veja como mudou. Agora seus olhos lançam olhares rápidos e calculistas. Você olhava para frente, diretamente, abertamente, sem máscaras. Sua boca assumiu uma expressão de descontentamento e fome. Era tão macia. Sua pele agora é pálida. Você usa maquiagem. Sua testa bonita, ampla, agora tem quatro rugas sobre cada sobrancelha. Não, não dá pra ver nessa luz, mas se vê à luz do dia. Sabe o que causou essas rugas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Indiferença, Maria. E essa linha fina que vai da orelha ao queixo não é mais tão óbvia, mas é esboçada pelo seu jeito despreocupado e indolente. E lá, na ponta do seu nariz... Por que você escarnece com tanta freqüência, Maria? Está vendo? Você escarnece demais. Vê, Maria? E olhe sob seus olhos. As linhas agudas e quase invisíveis da sua impaciência e do seu tédio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Pode ver mesmo tudo isso no meu rosto?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Não, mas senti isso quando me beijou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Acho que está brincando comigo. O que está vendo é evidente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- É mesmo? O quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Você mesmo. Porque somos tão parecidos, você e eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Fala... do egoísmo? Da frieza? Da indiferença?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Costumo achar seus comentários tediosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Não há absolvição para você e para mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: 85%;"&gt;- Não tenho nenhuma necessidade de ser perdoada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5752865177241805467?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5752865177241805467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/gritos-e-sussurros-bergman.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5752865177241805467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5752865177241805467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/gritos-e-sussurros-bergman.html' title='Gritos e Sussurros - Bergman'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SW-wr5jt4VI/AAAAAAAAAFg/1NapJ16MP_U/s72-c/cries1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-291209477074246529</id><published>2009-01-09T09:29:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.288-07:00</updated><title type='text'>Duplos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SWeLd3pIgTI/AAAAAAAAAFY/jmL08bWYiNs/s1600-h/magritte.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289349632638878002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 292px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SWeLd3pIgTI/AAAAAAAAAFY/jmL08bWYiNs/s400/magritte.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Tela de Magritte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tem casa que eu queira. Nem em Paris. Quero o mar e o sol. Quero viajar pelo mundo com um amor. Eu sei, eu sei, há que se rir desses sonhos unânimes que me demonstram ser um igual. Mas só este sonho parece valer a pena. Cansei da inocência dos inocentes e da malícia dos maliciosos, embora meu cansaço nada possa. Quem se deitará comigo para acreditar que nem as estrelas podem consolar, só braços amantes? Nunca me senti tão só nem nunca conversei com tantas pessoas distintas. Talvez eu esteja pagando o preço por sempre desconfiar do conforto. Talvez eu esteja crescendo o suficiente para não acreditar mais em verdades ou prazeres. O único êxtase que ainda parece valer como justificativa para executar o trabalho de ter que ficar de pé é o dos amantes, pois ilusão compartilhada com força de carne é a única que reluz um sinal de coragem, ímpeto de assumir o medo, ao menos. Mas, coragem para quê? Oras, para continuar temendo a morte; isto alivia o tédio. Cínico? Só para você que me lê e desconfia. Para mim, sou criança, só me pergunto. A resposta eu dou como luar, frágil, mas a pergunta é pedra, lançada na cara de algum barbado cheio de saberes, como faço com o espelho quando me tolero a ponto de desdizer a beleza que encontro ali. Alguém poderia me dizer que sou lindo por sentir falta de pessoas e não de coisas, mas é que eu me irrito fácil com as pessoas na maior parte do tempo, essas pessoas que seguem na administração do mundo, acreditando que trabalham para a manutenção dos próprios prazeres. Quanto aos rebeldes, não suportariam que toda gente viva desistisse de tudo e montasse uma grande e única banda de rock; os rebeldes precisam da luta, esta arma letal que roubaram de seus próprios inimigos a quem acusam em nome de uma justiça abstrata. O problema, óbvio, é que tem gente demais. Até sei que é meio estúpido ser crítico-apocalíptico agora, mas, juro, não é por esse sentido humanitário. É apenas mais desespero sem forma nem conteúdo. E veja, eu argumento ainda mais, só para mostrar como isso de ter de dizer é chato: se todo mundo ficasse quieto, meio budista-vegetariano, a fome não seria menos indecente. Digo isto não para lembrar da fome, mas porque a fome lembra nosso fracasso. Este fracasso que, ainda assim, é um dos melhores quinhões da beleza universal. Ou será que digo isso porque não tenho vontade nem de conhecer a lua? Ultimamente, qualquer lugar é uma rua apinhada, mesmo uma ilha deserta para dois amantes. Doei-me para a tal humanidade para, quem sabe, ter minha dor justificada, mas agora penso em amaldiçoar quem inventou a palavra dor. Certamente, foi alguém que teve consciência de que existe uma consciência, fornecendo incessante a lembrança implacável de um grande momento de prazer onde a vida pareceu quase como se sonha. Mas o pior é que nem posso idealizar o meu passado, pois minha memória me alerta de que nunca fui consolado da dor de doer. Sempre foi assim, até o ponto em que julguei, imaturo, poder viver dessa dor contra a qual não se luta quando se passa a acreditar que cada significado criado por nossas palavras não disfarça o modo como somos acomodados dentro das caixinhas. Ou o problema seria eu, que me recuso a treinar meu corpo para me tornar um soldado mais competente? Por enquanto, tenho competido com a minha preguiça, esta forma de morrer para não ter de matar, uma recusa nada nobre, mesmo porque minha preguiça não se compraz, antes se tortura nessas palavras que recusam outras palavras iguais. Mas, tudo bem, como dizem os fracos, alguém lerá isto e se sentirá melhor, compreendido, por um momento, ao menos. E se isto acontecer, me sentirei menos só, e terei novamente a ilusão de que me curo na cura do outro. Em suma, pergunto ao espelho: quais luzes do reflexo parecerão reais o suficiente para dar-me vontade de um prazer qualquer? Melhor nem dizer nada sobre o amor agora.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-291209477074246529?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/291209477074246529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/duplos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/291209477074246529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/291209477074246529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/duplos.html' title='Duplos'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SWeLd3pIgTI/AAAAAAAAAFY/jmL08bWYiNs/s72-c/magritte.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4875361203088577180</id><published>2009-01-04T17:38:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.296-07:00</updated><title type='text'>alfabeto do ano novo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Abro o ano com A e B.&lt;br /&gt;Colegial, cabalístico, iniciante, iniciado.&lt;br /&gt;Olho com força de delicadeza a sucessão impossível de&lt;br /&gt;fatos, coisas, pessoas, filmes, livros, noites,&lt;br /&gt;o tecer gradual de uma experiência singular.&lt;br /&gt;Abro os olhos no auge da montanha-russa,&lt;br /&gt;a eternidade dura só um loop, é preciso estar atento,&lt;br /&gt;um dia o sol não estará lá.&lt;br /&gt;Abro antes meu corpo para a urgência que me torna em palavras.&lt;br /&gt;que desejo? que sensatez? que aventura? descanso?&lt;br /&gt;antes do desespero, invento deuses num copo d'água,&lt;br /&gt;o universo em uma gota,&lt;br /&gt;falo alto, louco, com os mestres antigos,&lt;br /&gt;conecto-me à urgência infinita de hordas de boys &amp;amp; girls,&lt;br /&gt;viajo por corações partidos, olho os iluminados nos olhos,&lt;br /&gt;selo caminhos, rastreio verdades, mergulho abismos de céu e mar.&lt;br /&gt;A saudade será o princípio do novo amor.&lt;br /&gt;Serei soldado da palavra, em pacto com as sereias.&lt;br /&gt;Este ano é o começo de um novo canto e não sei como ou onde estarei nu.&lt;br /&gt;Os primeiros dias trazem a tempestade com que se respira melhor.&lt;br /&gt;Resta levantar a voz para clamar&lt;br /&gt;ou o silêncio no prazer de um conforto fino,&lt;br /&gt;enquanto a natureza não poupa esforços,&lt;br /&gt;aplacando justos e injustos,&lt;br /&gt;confirmando nossa estranha fascinação com seu poder sem face,&lt;br /&gt;XYZ.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4875361203088577180?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4875361203088577180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/alfabeto-do-ano-novo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4875361203088577180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4875361203088577180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2009/01/alfabeto-do-ano-novo.html' title='alfabeto do ano novo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4348327259948130318</id><published>2008-12-25T11:03:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:56:30.781-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='shakespeare'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='epístola'/><title type='text'>epistolário grandiloqüente elisabetano</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPqJ7BrWhI/AAAAAAAAAFQ/gc0bUT4-xas/s1600-h/Vrubel_Hamlet_Ophelia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283824244020173330" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPqJ7BrWhI/AAAAAAAAAFQ/gc0bUT4-xas/s400/Vrubel_Hamlet_Ophelia.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 466px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 360px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 78%;"&gt;Vrubel -Hamlet e Ofélia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Carta de Hamlet a a Ofélia, em seu túmulo&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;"Não há nada de que o homem tenha tanto medo quanto saber as enormidades que ele pode fazer e se tornar."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;Kierkegaard, Filófoso dinamarquês&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;O que eu poderia dizer agora que estás morta, e eu havia te matado ainda muito antes, seguindo atalhos diferentes dos de tua companhia? Por que, linda Ofélia, insistiu em cantar profundidades suspirantes que não chegam sequer a adornar esse momento? Estás estupidamente lançada de seu turbilhão expressivo para este estupor eterno em que te vejo agora. O mundo é enfim esta surpresa serena que diviso em seus olhos cheios de vácuos? Você é mais uma morte, querida. Agora que retorno do estrangeiro, do país dos mortos, sei que minha revolta era certa, que devo entregar minhas ações ao juízo dos homens, decidindo sobre tantas vidas, com medo de abdicar do sonho que sonhei a teu lado, enquanto te irradiavas para dentro de teus cantos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Não está mais frio aqui que na cova de meu pai. Também levantarás da tumba para me falar em sonhos? Tomarei lúcidas precauções. Bendirei os amigos mesmo sem saber que amizade importa àquele que não se conhece, ou que se ama e segue, de coração entregue a um prazer de cercar mistérios. Nunca mais os tédios das juras de amor. Receberei a verdade na cara limpa, de quem vier me dizer. Visitarei os xamãs das montanhas e grutas, beberei de seus encantamentos, lembrarei de você como uma verdade boa que me fez acreditar numa eternidade em que brevemente possamos nos encontrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Mas agora estou morto, e tenho por companhia seu vulto inerte. Escolho entre dor, o esforço da esperança, ou o tédio que se torna dificilmente risível depois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Que terra de sonhos acolherá o sonho dos amantes? Eu estava preparado para partir em teu favor, porém escolhi a bravura de mergulhar no passado e tu me pareceu um surto juvenil, uma escolha espontânea, sincera, absurda, louca, feliz por um momento. Juntos, percorremos com risos e silêncios a grande cidade. De alma demos tudo, de corpo demos pouco. Os atos paralisaram pelas necessidades cruéis que nos acomodam ao conforto, chegamos a temer e depois a repudiar essa vontade de arriscar na terra de todas as oportunidades, de todas as guitarras. A dúvida me paralisou num solo fino que parecia linha terminal. Queria paz, mas reencontrei o êxtase em minha nova condição duvidosa, antes negada pelo sonho do amor. Com você eu tinha a paz da idiotice certeira mas entediei-me, achei covardia, equívoco, um erro contudo não arrependido. Uma benção que nos faturei com meu poder e sua aura de encanto. Agora, as obrigações. Nos veremos de novo, eu me tornarei um ser capaz de reencontrar-te, quando, aonde for. Não morreremos, Ofélia, não morreremos jamais. Este é o selo desta carta que entrego ao apodrecimento das horas. Deixo alguém contigo neste túmulo, mas acrescento um outro em mim, um que silencia com o que vê e que pressente o que vai acontecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Fui aberto a você. Mas, ainda éramos bichos recuados. Havia muita arte a construir juntos. Muita energia que foi convertendo-se em preguiça ante o descontentamento de ter de fazer novas relações entre as pessoas, pensamentos, sentimentos, objetos. Ter de reinventar a humanidade, quando eu retorno para o que é familiar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Eu serei um artista, além de reinar sobre os poderes que me legaram, eu saberei inventar novas histórias para os homens, para o que eu posso reencontrar de humano em mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Minha doce criatura, éramos crianças. Quem seremos agora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4348327259948130318?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4348327259948130318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/epistolario-grandiloquente-elisabetano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4348327259948130318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4348327259948130318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/epistolario-grandiloquente-elisabetano.html' title='epistolário grandiloqüente elisabetano'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPqJ7BrWhI/AAAAAAAAAFQ/gc0bUT4-xas/s72-c/Vrubel_Hamlet_Ophelia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1334705517968286183</id><published>2008-12-25T08:32:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:57:48.086-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='shakespeare'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='epístola'/><title type='text'>grandiloqüente epistolário elisabetano</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPA-LuwMPI/AAAAAAAAAFI/JDWOGPBbML0/s1600-h/212_millais_ophelia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283778962369032434" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPA-LuwMPI/AAAAAAAAAFI/JDWOGPBbML0/s400/212_millais_ophelia.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 281px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: verdana; font-size: 78%;"&gt;&lt;em&gt;Millais, Ophelia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Carta de Ofélia a Hamlet, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;castelo de Elsinor, paisagem bergmaniana, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;música incidental "somewhere there's a feather", Nico&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Entre as cartas que te devolvo, deixo esta entreaberta, para que vejas logo o que tua loucura ainda permite ver, para que não rasgues, no impulso de uma esperança de esquecimento, um caminho que te valeu as penas, já entre tantas que nos acometem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Vejo a arte em teus jogos de segredos e provérbios cifrados. Defendes o sentimento da revolta plena contra a injustiça da morte, não querendo mascarar com nenhum sentimento ideal de salvação a dor de ter de viver aprisionado nesses muros frios, detentores de tantos poderes. Calejas-te na dúvida, cruel, rancorosa, e desdenhas com soberba as fracas alternativas dos que te acompanham. O que eu e tua mãe, únicas mulheres neste antro de lobos famintos, poderíamos fazer a não ser defender nossas penas com sussurros de amor ou surtos silenciosos? Tua dúvida e desdém contra a própria vontade, violentada pelo conforto de ter as honras, tua revolta contra o desejo emancipador não te livra do ciclo de prazer e dor, girando onipotente sobre a umidade tediosa de nossos destinos marcados. Ou teremos salvação em terra estrangeira?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Aqui já houve quem jurasse o amor, por esquecimento também, pelo luto até, pela certeza de que, num homem, um futuro rei, uma visão ideal do paraíso e uma verdade de anjo que visitou o inferno reinariam no unguento único que é o compartilhar da dor, este momento de doce dificuldade que antecipa a comunhão das almas perdidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Mas não descobrimos a paciência. Nem nós, os amantes, nem eles, os inimigos, os mercadores. Agora, fingindo uma loucura maior do que todas, tu te orgulhas de se isentar da hipocrisia. Qual de nossos orgulhos será o mais justo e verdadeiro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Que fantasmas domam o teu nome, Hamlet? Que palavras afora o desgosto, a vingança, a frieza, alijam teus pensamentos nas noites longas de nossos invernos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Enquanto o passado nos paralisa, cada um desce o próprio fosso, preparando já a própria cova, ebulindo venenos, dando nós em armadilhas, escarrando maldições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Com teu pai morto, mataste o meu. Aquele adulador não guiará meus caminhos mais, pois que me amaram por um instante breve e preciso como a morte que me mostrou. Ganhei coragem para ser louca, mas de verdade Hamlet.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Resta-me a mesma razão enlouquecedora que embruteceu teus sentidos ou o vão desepero de cantar as lembranças boas, como se nada mais existisse. O que eu escolheria?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Você ainda pode escolher em se deixar distrair pelos palhaços que te põem ao redor, enquanto crê na leveza do entrelaçar de uma vingança que faça precipitar um traidor para tornar outro traidor igual, bandido, entronado. Quais liras e jogos de espelho e jovens te distraem nesses dias?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;A adulação e a falsa cumplicidade sitraem-te da incerteza de um amor precipitado, ele também, nos abismos de sonhos grandes, e por isso mesmo nobres, em terras novas. Quando fugiremos, Hamlet? Por que não fugimos, príncipe dos mares do norte? Em que praia realizaremos as imagens ditadas pela lua? Que sofros funéreos o astro noturno bafeja em tua cara nessas noites de tempestade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Antes do dilúvio, era a certeza da carne, animada pela vida que nos restou. Meu colo era terra e chamas. Inquietos, procurávamos nos aperfeiçoar para o futuro. Agora, o passado. Devem ser só essas noites de infindas festividades. Ninguém sabe se chora o luto ou celebra o jubileu.... Vamos esperar Hamlet, guardemos nossas canções, essas outras canções, para depois, quando nos encontrarmos de novo no átrio do silêncio, para experimentarmos juntos, sem espanto ou ilusão, as magias universais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Eu não tenho mais em que acreditar a não ser em milagres, Hamlet. Quero me lembrar de tantos sonhos juvenis, impetuosos, ousados, que foram capazes de salvar a história dos homens, distribuindo o pão, tornando ao menos compatível com a natureza nossa natureza excessiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Não quero tua atenção para que cuides de mim, mas para que deixe provar só o que for amor, chame isto uma coisa boa, sem juras, sem segredos, mas plena do silêncio confortável que só cumplicidade mais sobrenatural pode mobilizar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;Acredite-me sem ardis ou confissões, caro amigo, o que tinha para te dizer como amante já foi dito por outros amantes, agora falo como amiga, por amor dos homens, na hora urgente e atual, das celas que nos destinaram. Sim, o amor está para fora daqui, deve estar, mas o que faremos de nós mesmos, ainda que por jogo? É só angústia agora, de não fluir a imagem certa de um amor que assaltamos dos bolsos de nossos inimigos. Esperemos, Hamlet, Esperemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1334705517968286183?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1334705517968286183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/grandiloquente-epistolario-elisabetano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1334705517968286183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1334705517968286183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/grandiloquente-epistolario-elisabetano.html' title='grandiloqüente epistolário elisabetano'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SVPA-LuwMPI/AAAAAAAAAFI/JDWOGPBbML0/s72-c/212_millais_ophelia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8294536653869045323</id><published>2008-12-22T12:23:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T11:59:21.680-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vídeo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object class="BLOG_video_class" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="266" id="BLOG_video-bcebc27e4d9da47f" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqAAAABqQx1oQmSnIaATdhug8I95uN57RciwNeg64sYdq6xpx3EfOKzj62NlVv_d5iOagdbRPKmZ08-rYkOMQN2GgZh9aEVFHZ2tnyhEtV9vzKAERYH9dkNrirPyDoqIrkPttniKFE8m2h5YhPS5U8oaaVbSQkO2TUSEBf2sa2BuDlBtFSdEJC6KKE2ShMcC62WhzmVSiLlFOZ7Mg0tD2nGYE4X6A7OENd29XYwklBJR34W8Z%26sigh%3DGA54XBnSpr9hDdQRNC9nWKPxub4%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3Dbcebc27e4d9da47f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DEq-gUH9l7Li41uhi_RgebG0ANxU&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqAAAABqQx1oQmSnIaATdhug8I95uN57RciwNeg64sYdq6xpx3EfOKzj62NlVv_d5iOagdbRPKmZ08-rYkOMQN2GgZh9aEVFHZ2tnyhEtV9vzKAERYH9dkNrirPyDoqIrkPttniKFE8m2h5YhPS5U8oaaVbSQkO2TUSEBf2sa2BuDlBtFSdEJC6KKE2ShMcC62WhzmVSiLlFOZ7Mg0tD2nGYE4X6A7OENd29XYwklBJR34W8Z%26sigh%3DGA54XBnSpr9hDdQRNC9nWKPxub4%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3Dbcebc27e4d9da47f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DEq-gUH9l7Li41uhi_RgebG0ANxU&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;Aí vai um experimentação com vídeo tbm... Sempre gostei de ver as pessoas lendo seus próprios textos... Pra quem gosta tbm, aí vai um meu. Obviamente, já que me abri tanto, estou ainda mais aberto à críticas e comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-8294536653869045323?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=bcebc27e4d9da47f&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/8294536653869045323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/ai-vai-um-experimentacao-com-video-tbm.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8294536653869045323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/8294536653869045323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/ai-vai-um-experimentacao-com-video-tbm.html' title=''/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2112221988958713309</id><published>2008-12-19T08:45:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:04:32.599-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura francesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arthur rimbaud'/><title type='text'>ORGIA PARISIENSE OU PARIS SE REPOVOA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SUvP52IpSWI/AAAAAAAAAE4/RJbTwaZbP18/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281543580713306466" src="http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SUvP52IpSWI/AAAAAAAAAE4/RJbTwaZbP18/s400/untitled.bmp" style="cursor: hand; display: block; height: 302px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt; Foto: &lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;em&gt;David Wojnarowicz - Rimbaud in New York&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Em maio de 1871 o tempo devia estar bom em Paris. Era a esperada primavera, assim como aguardamos o verão. Rimbaud, dezesseis anos, chega pela terceria vez na cidade, fugido de sua cidadezinha rural, centenas de quilômetros depois, a pé. Instala-se com os poetras contestadores e jovens na Comuna, no bairro revolucionário do Quartier Latin, fechado por barricadas, onde se preparavam para viver na liberdade de um mundo sem posse.&lt;br /&gt;Nesta época, Rimbaud explode seu gênio, pensa seu método de vidência, baseado no desregramento de todos os sentidos. E é quando escreve esse poema que resolvi traduzir hoje. Lembrou-me muito São Paulo, minha relação com esta cidade, de crítica mas amor, esperança, prazer e luta, em escala titânica.&lt;br /&gt;Optei por manter o mesmo esquema de rimas, a alternância entre as imagens populares e as eruditas, o jogo entre as evocações vulgares, profanas, e as sagradas, mitológicas. Ser literal com Rimbaud é preservar sua ambigüidade, suas repetições calculadas e seus preciosismos, seu ímpeto apaixonado e seu distanciamento frio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Orgia Parisiense&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;Paris se Repovoa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah covardes, olhem lá! Desemboquem nas estações!&lt;br /&gt;O sol enxugou com seus pulmões ardentes&lt;br /&gt;Os bulevares que uma noite ficaram de Bárbaros aos milhões.&lt;br /&gt;Vejam a Cidade santa, sentada no ocidente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão! Previnirão os refluxos do que se incendia,&lt;br /&gt;Vejam as marginais, os bulevares, olhe ou&lt;br /&gt;As casas sobre o azul leve que se irradia&lt;br /&gt;Que uma noite o vermelhão das bombas estrelou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechem os palácios mortos nos nichos das hortas!&lt;br /&gt;O indignado dia ancestral refrescou seus olhares.&lt;br /&gt;Olha ali a trupe ruiva torcendo as ancas tortas:&lt;br /&gt;Sejam loucos e serão engraçados, com indignados ares!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais as cadelas em cio comendo cataplasmas,&lt;br /&gt;O grito das casas de ouro lhes reclamam. Roubem por todo lado!&lt;br /&gt;Comam! Eis a noite da alegria em profundos espasmos&lt;br /&gt;Que desce a rua. Ó bebedores desconsolados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebam! Quando a luz chega intensa e louca,&lt;br /&gt;Revistando ao lado de vocês os luxos farfalhantes,&lt;br /&gt;Você não babarão, sem atitude, de palavra pouca,&lt;br /&gt;Dentro de seus copos, os olhos perdidos em clarões distantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engulam, pela Rainha de bundas cadentes!&lt;br /&gt;Escutem a ação dos estúpidos soluços&lt;br /&gt;Dilacerantes! Ouçam saltar nas noites ardentes&lt;br /&gt;Os idiotas mal humorados, velhacos, volúveis, lacaios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó corações de sujeira, bocas de horríveis lesmas,&lt;br /&gt;Funcionem mais forte, bocas de fedores!&lt;br /&gt;Um vinho para esses torpes ignóbeis, nessas mesas...&lt;br /&gt;Suas barrigas são fundidas por vergonhas, ó Vencedores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abram as narinas para as soberbas náuseas!&lt;br /&gt;Embebam de venenos fortes as cordas de seus pescoços!&lt;br /&gt;Sobre as nucas de criança as mãos cruzadas baixam cada veia&lt;br /&gt;O Poeta diz a vocês: “Ó covardes, sejam loucos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vocês cavam o ventre da Fêmea,&lt;br /&gt;Dela temem ainda outra convulsão&lt;br /&gt;Que grita, asfixiando sua ninhada sem fama&lt;br /&gt;Sobre o peito dela, numa horrível pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sifilíticos, loucos, reis, fúteis, ventríloquos,&lt;br /&gt;O que podem fazer a Paris emputecida&lt;br /&gt;Suas almas e corpos, venenos e cacos?&lt;br /&gt;Ela sacudirá vocês dela, rancorosos apodrecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando estiverem no chão, gemendo entranhas e costelas,&lt;br /&gt;De flancos mortos, reclamando dinheiro, perdidos&lt;br /&gt;A vermelha cortesã de seios fartos de batalhas,&lt;br /&gt;Longe do estupor de vocês, cerrará os punhos ardidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando teus pés dançaram tão forte nos momentos de cólera&lt;br /&gt;Paris! quando tantas lâminas te esfaquearam,&lt;br /&gt;Quando você caiu, retendo nas pupilas claras&lt;br /&gt;Um pouco da bondade dos selvagens que se renovaram,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó cidade dolorosa, ó cidade quase morta&lt;br /&gt;A cabeça e os dois peitos lançados ao que só o Devir pode dizer&lt;br /&gt;Abrindo sobre tua palidez milhares de portas,&lt;br /&gt;Cidade que o Passado sombrio poderia bendizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpos remagnetizados por dores que enchem aldeias,&lt;br /&gt;Tu bebes de novo da vida espantosa! Tu sentes&lt;br /&gt;Silenciar o fluxo de versos lívidos em tuas veias,&lt;br /&gt;E sobre teu claro amor roçarem dedos nada quentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto não é mau. Os versos, os versos lívidos&lt;br /&gt;Não perturbarão mais teu sopro de Progresso&lt;br /&gt;Pois os Estriges não apagaram os olhos das Cariátides&lt;br /&gt;Onde as lágrimas de ouro astral caiam de azuis degraus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que seja aflitivo te rever coberta por esta rede&lt;br /&gt;Assim; ainda que não tenham feito jamais em outra cidade&lt;br /&gt;Úlcera mais fedorenta na Natureza verde,&lt;br /&gt;O Poeta te diz: “Tua Beleza é radiante!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tempestade te sacrou suprema poesia:&lt;br /&gt;O imenso revolver de forças te sacode fluido,&lt;br /&gt;Tua obra combate, a morte gonga, Cidade da escolhida fantasia!&lt;br /&gt;Recolhe estrondos do coração do clarão surdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Poeta tomará o fôlego convulsivo dos Sem Fama,&lt;br /&gt;O ódio dos Forçados, o clamor dos Malditos;&lt;br /&gt;E seus raios de amor flagelarão as Fêmeas.&lt;br /&gt;Suas estrofes bendirão: Olhem lá! olhem lá! bandidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sociedade, tudo está restabelecido: - as orgias&lt;br /&gt;Choram seus velhos gemidos aos bordéis antigos:&lt;br /&gt;E o gás em delírio nas avermelhadas muralhas,&lt;br /&gt;Queima sinistramente contra os azuis esmaecidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maio de 1871/Dezembro 2008 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Link para o original: &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://poesie.webnet.fr/poemes/France/rimbaud/39.html"&gt;&lt;em&gt;http://poesie.webnet.fr/poemes/France/rimbaud/39.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=C2e46gOtUPc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2112221988958713309?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2112221988958713309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/orgia-parisiense-ou-paris-se-repovoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2112221988958713309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2112221988958713309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/orgia-parisiense-ou-paris-se-repovoa.html' title='ORGIA PARISIENSE OU PARIS SE REPOVOA'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SUvP52IpSWI/AAAAAAAAAE4/RJbTwaZbP18/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6780926294537764065</id><published>2008-12-15T07:30:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:07:01.884-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sylvia plath'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia confessional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica literária'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='anne sexton'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura norte-americana'/><title type='text'>Um Poema de Anne Sexton</title><content type='html'>&lt;em&gt;Esta tradução é dedicada a Antonio Ferah, que me apresentou essa poeta americana, aparentada de Sylvia Plath no estilo confessional, inédita no Brasil. Intriguei-me na força quase sexual com que ela luta contra a degeneração e a morte em geral, quase como um estupor plácido. Será? Bom... Deve valer tudo para explicar a atitude dos poetas, mais até que as patologias que a ciência inventa. Principalmente, porque aqui a sensibilidade feminina, incoercícel às palavras, se resguarda, cumulando vozes fúteis da algazarra civilizatória masculina.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A escolha desse poema em específico também se deu por razões que a ciência não explica&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Music Swims Back to Me&lt;br /&gt;by Anne Sexton&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wait Mister. Which way is home?&lt;br /&gt;They turned the light out&lt;br /&gt;and the dark is moving in the corner.&lt;br /&gt;There are no sign posts in this room,&lt;br /&gt;four ladies, over eighty,&lt;br /&gt;in diapers every one of them.&lt;br /&gt;La la la, Oh music swims back to me&lt;br /&gt;and I can feel the tune they played&lt;br /&gt;the night they left me&lt;br /&gt;in this private institution on a hill.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine it. A radio playing&lt;br /&gt;and everyone here was crazy.&lt;br /&gt;I liked it and dance in a circle.&lt;br /&gt;Music pours over the sense&lt;br /&gt;and in a funny way&lt;br /&gt;music sees more than I.&lt;br /&gt;I mean it remembers better;&lt;br /&gt;remembers the first night here.&lt;br /&gt;It was the strangled cold of November;&lt;br /&gt;even the stars were strapped in the sky&lt;br /&gt;and that moon too bright&lt;br /&gt;forking through the bars to stick me&lt;br /&gt;with a singing in the head.&lt;br /&gt;I have forgotten all the rest.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;They lock me in this chair at eight a.m.&lt;br /&gt;and there are no signs to tell the way,&lt;br /&gt;just the radio beating to itself&lt;br /&gt;and the song that remembers&lt;br /&gt;more than I. Oh, la la la,&lt;br /&gt;this music swims back to me.&lt;br /&gt;The night I came I danced a circle&lt;br /&gt;and was not afraid.&lt;br /&gt;Mister?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a música nada de volta a mim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espere Senhor. Qual caminho leva ao lar?&lt;br /&gt;Eles apagaram as luzes&lt;br /&gt;E o escuro se move no canto.&lt;br /&gt;Não há nenhum sinalizador neste cômodo,&lt;br /&gt;Quatro senhoras, pra lá dos oitenta,&lt;br /&gt;De fraldas, cada uma delas.&lt;br /&gt;Lalala, Ó a Música nada de volta para mim&lt;br /&gt;E posso sentir o compasso que tocaram&lt;br /&gt;Na noite em que me deixaram&lt;br /&gt;Nesta instituição privada em uma colina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine. Um rádio tocando&lt;br /&gt;E todo mundo aqui estava louco.&lt;br /&gt;Gostei disso e dancei num círculo.&lt;br /&gt;A música verte sobre os sentidos&lt;br /&gt;E de um modo esquisito&lt;br /&gt;A música vê mais do que eu.&lt;br /&gt;Digo, ela se lembra melhor;&lt;br /&gt;Lembra da primeira noite aqui.&lt;br /&gt;Era o frio estrangulador de Novembro;&lt;br /&gt;Mesmo as estrelas estavam amarradas ao céu&lt;br /&gt;E a lua tão brilhante&lt;br /&gt;Ramificando-se pelas fechaduras para me espetar&lt;br /&gt;Com um cantar na cabeça.&lt;br /&gt;Eu tenho esquecido todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trancam-me neste assento às 8 da manhã,&lt;br /&gt;E não sinais para contar um caminho,&lt;br /&gt;Apenas o rádio batendo-se para si mesmo&lt;br /&gt;E a canção que lembra&lt;br /&gt;mais do que eu. Ó, la la la,&lt;br /&gt;essa música nada de volta para mim.&lt;br /&gt;À noite eu cheguei e dancei um círculo&lt;br /&gt;E não tive medo.&lt;br /&gt;Senhor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6780926294537764065?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6780926294537764065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/um-poema-de-anne-sexton.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6780926294537764065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6780926294537764065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/um-poema-de-anne-sexton.html' title='Um Poema de Anne Sexton'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3259080149124424512</id><published>2008-12-13T16:54:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.356-07:00</updated><title type='text'>milagre da carne</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SURnDymHphI/AAAAAAAAAEw/lNOwBwSYj_w/s1600-h/je+suis+belle+rodin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279457978003990034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 326px; CURSOR: hand; HEIGHT: 358px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SURnDymHphI/AAAAAAAAAEw/lNOwBwSYj_w/s400/je+suis+belle+rodin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rodin - Je suis belle, baseada em poema de Baudelaire&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Como pude, do inferno mais absoluto da descrença, sorrir na esperança de um sonho incerto?&lt;br /&gt;Um dia antes, estrebuchado na cama, afundando a cara na baba seca, tudo pareceu demais, o sonho uma besteira, o sexo uma desgraça, a certeza da saudade um amor que não se cumpriu como se prometeu, e eu queria tanto orientar minha vida para o amor, para o mais imbecil e absoluto dos interesses humanos, mas como crer por crer se o que me bate é um coração partido, e falo sério, não só por poesia barata, mas porque este meu órgão bate demais mesmo, quer eu ache que sofro demais, quer eu diga que a felicidade não existe. Bate mesmo quando não quero sentir nada, fica rondando atrás de alguma certeza de bem-estar passado, para me sentir vivo, para me sentir outro, um estrangeiro que a família e os amigos não conhecem nem podem, um estrangeiro que ousei mostrar para você, de vez em quando, nuns relances. Agora quero ser mistério insondável, mas multiplicando minhas próprias explicações sobre a superfície das coisas, uma revelação em cada objeto novo, em cada pessoa um irmão.&lt;br /&gt;Mas eu estava no dia anterior, e ardia de impaciência, como se não merecesse ainda o caos da incerteza de um amor. Eu desejava qualquer coisa familiar, outra tempestade, algum sinal, alguma crença em sinais. O pior do fogo foi na ira mesma acender a vaidade, orgulhando-me de ser belo, nos momentos poucos em que julgo respirar aliviado. Aflição? Alguma patologia? Uma simples e incongruente injustiça do mundo? Alguma explicação para o jeito que luto para respirar? Mas o escuro, a incerteza, a apatia e a euforia, são momentâneos, e eu fico triste por saber que posso suportar a espera comedida de que eu acredite em mim do jeito que aquele sonho mostrou. Tudo isso que sinto é passageiro, mesmo o que não sinto, só não enquanto dura.&lt;br /&gt;O tempo que resta é para investigar a realidade, descobrir uma nova arte, sair de si e entregar os braços e pernas ao mundo, de cabeça erguida. Mas eu quis sentir saudades e até o fim, até agora, e um dia será sem tristeza. Não ontem. Ontem foi suplício. Hoje espera. Para a semana, uns amigos novos e velhos. Para depois não quero saber, pois só no escuro saberei dormir, vagar pelo mundo dos sonhos, dos objetos e prazeres ilusórios, para colher alguma visão, outro sinal, alguma nova forma de ser. Com que bichos ou coisas sonharei?&lt;br /&gt;Hoje eu só quero ser “eu arderia por esta pessoa mas sou só uma vaga idéia.” Hoje eu só quero brincar com quem brinca comigo, como se eu fosse uma possibilidade de amor distante, mas não para hoje. O dia de ontem ainda está muito próximo, ontem pode retornar a qualquer momento.&lt;br /&gt;Você descobre, atordoado, que o passado não morre, que todos os amores são eternos, os que foram nos atormentam de saudades, os presentes, de dúvidas, os futuros, de medo e esperança, paradoxalmente.&lt;br /&gt;Hoje a palavra amor é a minha droga, pois foi a única que me salvou de tantos mares de palavras sobre os prazeres possíveis. O que eu faria? Ser um descrente já é viver numa crença, pouco criativa, aliás.&lt;br /&gt;Hoje eu descobri que posso escolher nomes novos para sentimentos velhos, fazendo uma coleção mais agradável de palavras. Chamei angústia de saudade. Chamei saudade de nostalgia. Nostalgia, eu chamei "tristeza com o presente", que eu chamei de inconformismo, que eu chamei de rebeldia, que eu chamei de imaturidade, mas também de força; força eu coloquei junto com as palavras hippies. Dúvida eu chamei de descanso e para o amor eu usei teu nome de novo. Só por hoje. Para ver o que acontece. Amanhã não prometo. Passei a chamar promessa de covardia. Mas, a covardia eu converti em medo. Sei que me cago de medo e o desejo sai rasteiro pelo ralo. Em seus braços eu só quero dormir. Esta noite. Mas não hoje. Hoje ainda é ressaca de ontem. Hoje é família, guitarras, conselhos de um amigo que observamos numa distância confortável, sair por aí, em outra cidade, em outro filme, em outro planeta, em algum lugar vai ter gente como eu. Quando eu conseguir ser eu de novo, um outro, um estrangeiro cheio de sonhos, estarei livre em seus braços, apenas pelo tesão de sentir que todo aquele desejo vale a pena, aquele corpo, cada parte onde afoguei meu fio de certeza, um corpo que abre meu corpo como onda marinha, até toda dor afogar em desejo, em mais um gozo, em mais uma torrente inconstante e necessária.&lt;br /&gt;Vou parar de fechar o meu peito por tristeza e deixar o ar entrar mesmo com todas as palavras duvidosas de ontem, anteontem e sempre. Eu determino que meu corpo desfaleça na entrega ao resto de sensação que me sobrou entre as pernas. Que eu suspire fundo e entregue a coluna que me organiza ao prazer de ver o que virá, me testar em você, gemendo de tristeza, de descrença, mas de vontade de sentir o coração bater na preguiça de uma nova partida do jogo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3259080149124424512?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3259080149124424512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/milagre-da-carne.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3259080149124424512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3259080149124424512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/milagre-da-carne.html' title='milagre da carne'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SURnDymHphI/AAAAAAAAAEw/lNOwBwSYj_w/s72-c/je+suis+belle+rodin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-3431136670458887617</id><published>2008-12-09T11:52:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:09:08.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia em inglês'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ST7UAKMb0aI/AAAAAAAAAEY/MAuzg64ucM0/s1600-h/OceanRocker.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277888912526397858" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ST7UAKMb0aI/AAAAAAAAAEY/MAuzg64ucM0/s400/OceanRocker.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;I want to stay one hundred, hungry times&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;feel a few glimpses of sunset fade away&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;turn my face to the thunder, a thousand places behind&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;follow the long line over the open sea, just to find&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;the whale's track, the howling wolf, the whole pack&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;wearing the wuthering voices&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;swearing the winds you worth in skin&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;climbing the breath in spine 'til the neck&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;spying the way we spin knots in our hair&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;what's about light at dawn anyway?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;who and how they'll knock tonight or another day?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;which ties fix these fists like a playful pain?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;which promises would please you to bleed your veins?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I'm still waiting for the ancestral tempest,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;still walking over walls like cats in anthems,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;recognizing patterns of pests,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;collecting unique pleasures of plastic,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;winning the fathers' fears in a fantastic contest with fairs and such&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;enjoying everything and not talking too much&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-3431136670458887617?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/3431136670458887617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/i-want-to-stay-one-hundred-hungry-times.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3431136670458887617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/3431136670458887617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/i-want-to-stay-one-hundred-hungry-times.html' title=''/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/ST7UAKMb0aI/AAAAAAAAAEY/MAuzg64ucM0/s72-c/OceanRocker.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6653516597979444043</id><published>2008-12-07T12:05:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:10:27.136-07:00</updated><title type='text'>um sonho lúcido</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/STww4oJoaUI/AAAAAAAAAEQ/iZnQIDKodKU/s1600-h/ParkeHarrison-LucidDreamE.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277146612780001602" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/STww4oJoaUI/AAAAAAAAAEQ/iZnQIDKodKU/s400/ParkeHarrison-LucidDreamE.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 399px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 393px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;&lt;em&gt;"if you're ever feeling blue then write another song about your dream of horses"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;O rapaz descobre que a escrita tem poder. Sozinho, com as palavras e imagens de mundos tantos, arde pelo contato com as pessoas, as essências. Regendo uma sinfonia infinita de guitarras, tatuagens, traços primais, ele descobre que nada do que disseram era tão importante quanto o gesto livre de seu corpo agora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;Falo com quem quiser, falo o que quiser, poderei descobrir e defender um eu, alguém para preencher o abismo desta liberdade que, às vezes, nesses quadrados cheios de lembranças em que nos trancamos, me faz chorar. Crio dramas com palavras. Descubro que a alma é criada no abrir da boca. Agora sigo o gesto livre que me suspira o coração, já nem sei se triste ou feliz. Os nomes das coisas são todos ilusões, inclusive sentimento. Eu queria este calor comigo agora. As guitarras continuam, ninguém vai parar por você agora. Não adianta pedir. Há garotos cheios de fé e loucura lá fora. Nosso céu é o mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;E eu que não acredito senão que tudo isso é ficção? Atraio as pessoas que, como eu, criam seus próprios rituais, que vislumbram um rito circular em cada momento, até no tedio. Eu sei, tudo isso porque você quer acreditar na poesia hoje também, embora o sol e a chuva e o desejo sejam mais absolutos. Já morremos tanto nos últimos tempos que podemos enfim praticar uma série simples de atos inocentes. Não temos que salvar as pessoas. Ouvimos suas histórias. Distribuímos calor e frio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: #000099; font-family: arial;"&gt;Mas, se eu estivesse em silêncio com você agora, tudo não seria mais que um solo de guitarra. Sonhamos grande ou eles é que sonham pouco? Em todo caso, vamos cantar Belle &amp;amp; Sebastian.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6653516597979444043?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6653516597979444043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/um-sonho-lucido.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6653516597979444043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6653516597979444043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/um-sonho-lucido.html' title='um sonho lúcido'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/STww4oJoaUI/AAAAAAAAAEQ/iZnQIDKodKU/s72-c/ParkeHarrison-LucidDreamE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5036270081556029718</id><published>2008-12-05T10:52:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.378-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Fazer de um jeito diferente tudo o que já foi.&lt;br /&gt;Primeiro é brincar de máscaras.&lt;br /&gt;Depois, perceber que o rosto que acreditávamos verdadeiro&lt;br /&gt;Era uma máscara que quisemos usar e esquecemos.&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, básico. Clarice nas entrelinhas, sempre.&lt;br /&gt;Podemos acreditar no que quisermos.&lt;br /&gt;Podemos acreditar que éramos mais verdadeiros quando crianças.&lt;br /&gt;Alguma coisa deu errado, o mundo, as pessoas,&lt;br /&gt;a justiça dos homens e a da natureza.&lt;br /&gt;Mas você está vivo. Fazer o quê? O tempo corre, olhares mais duros.&lt;br /&gt;Não sei se quero viver de questões.&lt;br /&gt;Não sei mais se vivo sem elas.&lt;br /&gt;Onde repousar a cabeça?&lt;br /&gt;Ainda muitas madrugadas de sonhos e tristezas, de amor e morte.&lt;br /&gt;Um dia seremos práticos. Uma música agora, por favor.&lt;br /&gt;Porque hoje eu cantei e até compus e até fui feliz. Mas custou uma lágrima.&lt;br /&gt;Os músculos pediam expansão como num encontro entre amantes,&lt;br /&gt;O que eu queria era não fazer nada o dia inteiro com você. Qualquer música assim.&lt;br /&gt;Sim, enfim alguma verdade razoável que me tira das missóes, dos projetos, mesmo dos sonhos.&lt;br /&gt;Enfim, uma realidade.&lt;br /&gt;Duvidosa: será que a oportunidade que perdi era o grande sonho?&lt;br /&gt;E o mar? Direi a ele que anda duro ser livre. Ser livro, então...&lt;br /&gt;Sobra tempo para pensar: você é amado, enfim? Quanto como onde quando.&lt;br /&gt;Questões para o momentos de vazio, mais vale um desespero inocente.&lt;br /&gt;Será que eu quero alguma coisa ainda na vida, além desse riso?&lt;br /&gt;O que o mundo quer me mostrar?&lt;br /&gt;O que mais seus olhos podem conceber?&lt;br /&gt;Fui eu que criei toda esta fantasia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando somos muito fortes - quem recua? muito alegres - quem cai no ridículo? Quando somos muito maus, - que se faria de nós?&lt;br /&gt;Enfeitai-vos, ride, dançai. JAmais poderei jogar o Amor pela janela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Minha companheira, mendiga, criança monstruosa! pouco te importam essas pobres mulheres e suas manobras, e os meus embaraços. Junta-te a nós com tua voz impossível, tua voz! único lisongeio deste vil desespero."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frases - Iluminações - Rimbaud&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5036270081556029718?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5036270081556029718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/fazer-de-um-jeito-diferente-tudo-o-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5036270081556029718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5036270081556029718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/fazer-de-um-jeito-diferente-tudo-o-que.html' title=''/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4659622496672363258</id><published>2008-12-05T10:33:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:11:40.130-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>HÁ O MUNDO AINDA</title><content type='html'>Tem que ser doce. Tem que ser coca-cola.&lt;br /&gt;Mas o que dizem as estrelas?&lt;br /&gt;Você vestiu todas as ilusões da lua,&lt;br /&gt;como ela, está seco para o choro.&lt;br /&gt;Crateras que você não põe no poema com o nome de dor.&lt;br /&gt;Há que ser como um livro de viagens.&lt;br /&gt;Há que se respirar no trânsito.&lt;br /&gt;Desde quando sou esta pedra fria que ouve as histórias de fogo nesses olhos?&lt;br /&gt;Eu os vi, reconheci as dores que perdi e as que nunca terei.&lt;br /&gt;Inventamos histórias de almas, melodias.&lt;br /&gt;É doce. Tem que.&lt;br /&gt;Há também o lado das sombras.&lt;br /&gt;Diferenças, incertezas, inseguranças,&lt;br /&gt;ciúmes, apatia, dúvida, euforia, angústia.&lt;br /&gt;Espera. Escolher entre bom e mau, espontâneo e medido.&lt;br /&gt;Cada um com sua vida, em comum uma aventura.&lt;br /&gt;- O que mais? - eu rezo a não sei quem para saber.&lt;br /&gt;Será verdade. Sonho, dôo de saudades. Amor. Eu sinto você desde antes do mundo.&lt;br /&gt;Se é para usar as palavras grandes, usemo-las todas, sem distinção nem caráter.&lt;br /&gt;Escolha nova cidade, novo amor,&lt;br /&gt;quem sabe lar, quem sabe quem,&lt;br /&gt;estudar para saber, fazer, expressar,&lt;br /&gt;deixar para a eternidade o registro de umas vidas.&lt;br /&gt;Espero que me soprem sempre as palavras certas com amor,&lt;br /&gt;Mas às vezes quero as ordens de um pai para recusar.&lt;br /&gt;- A rebeldia será sempre o meu frisson.&lt;br /&gt;E o sexo? Haverá tanto, a descoberta incessante de todas as portas e janelas.&lt;br /&gt;Que bicho você será dessa vez, marinheiro?&lt;br /&gt;Abençoadas sejam nossas presenças no zoológico cosmopolita.&lt;br /&gt;É preciso conhecer um mundo.&lt;br /&gt;É preciso correr, sobreviver,&lt;br /&gt;afundar-se na onda de novos mergulhos, viagens, a que chamaremos loucura, revelação,&lt;br /&gt;palha e agulha.&lt;br /&gt;É preciso rir.&lt;br /&gt;É uma paixão que convida, uma curiosidade que espeta, uma razão que comanda,&lt;br /&gt;uma entrega do prazer ao destino. Radical, rebelde, lúcido e confuso.&lt;br /&gt;Iluminado e sombrio.&lt;br /&gt;Acho que já me acostumei a carregar um certo peso,&lt;br /&gt;às vezes minha preguiça dirige sozinha a minha vida.&lt;br /&gt;Mas estarei onde me chama o prazer, o mistério, a arte.&lt;br /&gt;Não quero promessas, quero o desejo que há no corpo,&lt;br /&gt;a escolha do razoável,&lt;br /&gt;a redenção de todas as saudades,&lt;br /&gt;de todo mundo neste Brasil tanto,&lt;br /&gt;que hei de circular para não perder os laços.&lt;br /&gt;Há o mundo ainda.&lt;br /&gt;Há o mundo ainda.&lt;br /&gt;E todos virão para a festa da grande alegria,&lt;br /&gt;em meu lar,&lt;br /&gt;sob o olhar ciente dos gatos. Tantos.&lt;br /&gt;Silêncios agora.&lt;br /&gt;Incrível como a música é sempre outra.&lt;br /&gt;Guarde bem todas as chaves. Seja triste por um minuto.&lt;br /&gt;Assim não se desaprende de amar.&lt;br /&gt;Se não der certo, a gente faz uma banda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4659622496672363258?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4659622496672363258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/ha-o-mundo-ainda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4659622496672363258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4659622496672363258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/12/ha-o-mundo-ainda.html' title='HÁ O MUNDO AINDA'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-5050032485312934172</id><published>2008-11-30T04:44:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:12:30.782-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>DESCANTO</title><content type='html'>Vamos, vamos! Continuemos.&lt;br /&gt;Alguém inventou que é preciso.&lt;br /&gt;Embora meu corpo queira se acomodar como uma estrela de morte,&lt;br /&gt;tragando toda a luz numa fome que é também preguiça.&lt;br /&gt;Mas nem isso, irmãos!&lt;br /&gt;Nem a inveja dos astros, esta carniça.&lt;br /&gt;Só umas palavras pelo vício humano de entender&lt;br /&gt;o que a carne come, porque come e quando.&lt;br /&gt;Ah, tempo! Como ando?&lt;br /&gt;As palavras de ordem querem me tirar do se de uma hora que dorme.&lt;br /&gt;Minha sede vagabunda de não ser além,&lt;br /&gt;de ser um aqui puro e tão somente,&lt;br /&gt;uma semente de possíveis que reste quieta em seu retiro,&lt;br /&gt;um número primo sem rima, uma réstia contra o vampiro.&lt;br /&gt;Vamos, vamos! Leve-me então, amigo.&lt;br /&gt;Seja um convite da espécie,&lt;br /&gt;seja um alvite de estrela.&lt;br /&gt;Queira-me aqui, só por dizer, sem querer.&lt;br /&gt;Leve-me, leve-me!&lt;br /&gt;Meu descanso é negro,&lt;br /&gt;meu descanto, pleno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-5050032485312934172?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/5050032485312934172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/descanto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5050032485312934172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/5050032485312934172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/descanto.html' title='DESCANTO'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-618192812314826097</id><published>2008-11-24T16:30:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:14:19.590-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>Primitivo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SStJxsWPcGI/AAAAAAAAAEI/64tFtTHtOYQ/s1600-h/ring-of-fire.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272388906834161762" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SStJxsWPcGI/AAAAAAAAAEI/64tFtTHtOYQ/s400/ring-of-fire.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 398px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;A primeira palavra foi um grito de dor, de prazer. Interjeições apontavam para o vazio até que alguém as ecoasse. Alguém era ninguém ainda, e todos os olhos, se se destacavam nas trevas, sofriam do mesmo estupor. Um macho, de falo magoado, ergueu as vistas ao sol e pediu piedade ao molhado da água e ao seco da terra, inventando-nos uma origem que justificasse a caprichosa economia da morte. Ao redor do fogo calculado, os sobreviventes alinharam-se em círculo num pacto de silêncio e até as crianças ganharam o nome de homem, na digestão da fome que fez gerar a prece inaugural. E só por isto baixou-lhes o tempo e a criação de uns intervalos, a que puderam chamar de diversão. Os jogos iludiam a carne e fortaleciam a espreita do acaso e a certeza do destino. Tudo era sempre; tudo era já.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;- Tenho saudades do tempo em que contávamos com a fantasia do conforto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-618192812314826097?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/618192812314826097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/primitivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/618192812314826097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/618192812314826097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/primitivo.html' title='Primitivo'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SStJxsWPcGI/AAAAAAAAAEI/64tFtTHtOYQ/s72-c/ring-of-fire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4108958775642071098</id><published>2008-11-24T00:05:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:15:15.030-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>INSEGURANÇAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSpn41M738I/AAAAAAAAAEA/tUfJT2n6k_I/s1600-h/jealousy-big.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272140539842256834" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSpn41M738I/AAAAAAAAAEA/tUfJT2n6k_I/s400/jealousy-big.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 316px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Haverá alguém que achará profundo não falar de coisas profundas num blog, quando todo mundo é profundo demais. Haverá alguém que saberá revelar uma vulnerabilidade sujinha, fora da hora, fora da idade. Haverá alguém que depois de tanta convicção, não saberá ser senão poético. Haverá algum jovem velho, que não defenderá, que não acusará, que não quererá ser budista vegetariano anarquista. Haverá algum jovem que deixará de ser iconoclasta ao compreender como sua uma dor universal, que não tem graça mesmo. Haverá algum jovem belo e inteligente que não será rebelde e engraçado só porque tem um quarto protegido numa boa família. Haverá algum jovem belo e inteligente que saberá rir de compaixão, sem saber que esta é sua natureza fatal. Haverá alguém que se tornará rico por odiar o mercado de trabalho. Haverá alguém a quem o rock n’ roll não salvará às pressas de um desejo insatisfeito. Haverá o meu sonho, idiota, franco, por determinação da esperança vã, defendida com petulância, fora de idade, fora dos sonhos, fora das graças de um belo rosto defendido no escárnio da juventude. Não haverá mais a repetição, o verso vazio. Haverá apenas o ato falho da espontaneidade. Haverá um dia em que os jovens perceberão que os conceitos são provisórios e que só brincam como crianças mimadas de serem verborrágicos. Haverá um fim do meu rancor. Haverá um fim do meu ciúme. Haverá dois olhos furados pela inveja. Haverá meu ódio me condenando mais uma vez, como se eu desconhecesse a paz. Haverá cada vez mais essa sublime humanidade superpopulando os vãos do universo conhecido. Haverá alguém que rirá deste dia anotado num blog e me salvará de mim. Haverá alguém que acredita em salvação. Eu tentei acreditar em tudo: de Cristo a Marilyn Manson. Amo muito tudo isso, como um idiota. E gosto de ser idiota, apesar de detestar outros idiotas como eu. Ao menos sou sincero. Mas isso é o que todos dizem. Coitadinho de mim. Haverá alguém que reconhecerá que minha revolta universal é um amor que está para ser inventado sem mais palavras. Haverá quem saberá que aqui só se pretende mostrar a inutilidade de expor uma dor que já não nos faz justiça. Haverá quem saberá calar quando descobrir que tenho encontrado a fonte da felicidade suprema, sem sorrisos de encanto. Haverá quem rirá de minha arrogância tardia. Haverá quem me julgar de um dicionário inteiro, por eu pretender ser além. Hoje eu quero a violência de mandar a juventude calar a boca, junto com os capitalistas que adoram criticar. Hoje eu quero que esta dor rasgada, imoral, anti-literária, entorte a cara das pessoas de bom gosto. Hoje eu sou um bicho egoísta cavando espaço para amar sem a interferência de algum filho de pai melhor que eu. Vão todos tomar no cu. Vão todos rir do meu ódio. Vão todos me ignorar, pois não mereço nem ser crucificado. Vão todos rir ou se compadecer do meu lamento, mal sabendo que me curo, que me fortaleço, que tenho demônios da madrugada sim, e que sei que vai passar, mas hoje não quero pensar duas vezes antes de cuspir na cara de quem me mostra que não consigo ser seguro o tempo todo. Haverá quem se calará por saber que eu já sei que essa falta de humor, essa dor, é de minha responsabilidade, mas o mundo anda uma merda mesmo. Mas eu amo o mundo. Eu amo o Minhocão e amo Paris. Eu amo os assaltantes que me apontaram uma arma na minha cabeça deitada no travesseiro, pois também me ensinaram a viver. Eu amo até quem me quer tirar o amor, pois sei que ainda tem muito a aprender e seu aprendizado salvará o mundo. E agora, por favor, deixem-me amar, deixem-me amar uma só pessoa, só uma. Deixa eu te amar, só você e mais ninguém. Veja que me torno bicho e canto e elevo penas sagradas como um tolo pavão só para não te perder para alguém mais ou menos idiota como eu. Fique em paz em meu peito. A juventude do mundo apenas começou. As festas da consagração, as novidades dos vinte anos são todas velhas já, mas você não saberá, não saberá, pois tem que experimentar o próprio erro, como uma profecia maldita que se colhe em lábios lindos de quem queremos beijar por sabermos que irá nos esnobar. De quem ousamos beijar porque temos quem nos acolha depois em casa, como se as traições fossem justas. E muitas vezes são. Devo escolher a dor de um novo amor? Deste amor? Destas mãos de poucas linhas que me solicitam, sem ter certeza se outras mãos são como as minhas? Deste meu ciúme infernal de saber que o amor tem fim e que já começo a ficar careca? Pobres homens, pobres pintos... Mas eu direi, mesmo velho, como Joyce: eu quero sim, eu digo sins. Sim! Haverá o fim das reflexões, das convicções, das palavras. Como se pudéssemos, enfim, acreditar na fé. Como se esta história toda, que é humana e não mais, pudesse terminar com a emoção de uma poesia que tivemos a ilusão de compreender. Mais ou menos como quando se diz: e foram felizes para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4108958775642071098?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4108958775642071098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/insegurancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4108958775642071098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4108958775642071098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/insegurancas.html' title='INSEGURANÇAS'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSpn41M738I/AAAAAAAAAEA/tUfJT2n6k_I/s72-c/jealousy-big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4063097205827593855</id><published>2008-11-19T15:08:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:16:57.944-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><title type='text'>Uma História da Pedra</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSdvepLfSI/AAAAAAAAACs/S7h2gK2yyGc/s1600-h/buda.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270510902935518498" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSdvepLfSI/AAAAAAAAACs/S7h2gK2yyGc/s400/buda.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 262px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A História, como forma de entendimento do mundo, tem lutado nos últimos duzentos anos para se tornar uma “ciência”, com verdade e método. Os fatos, as ações humanas, assim como as pedras, teriam o seu mistério a ser desvelado. Sim, pois o curso da história, escrita e não escrita, tem conduzido os homens a se arrogarem de preencher de sentidos precisos o desconforto do silêncio universal. Para o cientista, uma pedra deve ter um lugar em algum catálogo. Para o poeta, deliberadamente mais ambíguo, a pedra também deve portar algumas palavras ocultas e bem-vindas, ainda que imprecisas. Disto podemos dizer que o poeta e o cientista encontram-se assim na mesma ambição de revelar uma luz universal, transmissível a todos os homens do presente e do futuro. Uma luz mais eterna que o tempo.Ainda bem que o mundo não é só o Ocidente com seus artistas e cientistas, e seu deserto de palavras e símbolos. Ainda bem que temos o Oriente, ainda que um Oriente mítico, criado por nosso estupor ocidental, para nos reportarmos sempre que se renova nossa sede de mistério. Lembro-me, por exemplo, de algumas práticas orientais, em que um iogue coloca-se diante de uma pedra para meditar, como uma das últimas etapas de iniciação aos mistérios universais. A este homem é dada uma única instrução mestra: fique aí, até descobrir que você e a pedra são uma coisa só. Tarefa fácil, deve responder o homem ocidental, afinal, a pedra também é feita de átomos, como se o verbo descobrir implicasse tão somente a elaboração de uma interpretação racional; como se a essência do homem fosse esta razão criadora que o torna deus. Um poeta poderia argumentar: esta pedra dura, inerte, eterna, compartilha comigo o segredo de minha morte. De fato, o estupor diante da morte é universal, e nos insere num campo de experiência comum, na história de desejos e angústias comuns, ainda que de aparências sempre diferentes. Mas, seria uma “verdade universal” o que esses iogues querem encontrar? Sua jornada com a pedra, tecendo um tempo paciente, seria para descobrir verdades? O que deseja descobrir o iogue e sua pedra?Sabemos que o objetivo último de muitas técnicas de meditação é atingir o silêncio bruto da pedra, e não uma lapidação de suas propriedades concretas e abstratas. Podemos supor, então, que ainda deve haver algo de humano para além das palavras, e isto não é nenhuma novidade, embora também não possamos dizer que exista o óbvio. Podemos facilmente aludir a momentos em que o silêncio foi uma das experiências mais plenas do estar vivo, e sabemos que tais experiências são intransferíveis e assim devem permanecer, como prova de nossa individualidade, esta sim, universal. Pois o silêncio, talvez fenômeno mais universal que o próprio universo observável onde habita, nunca é igual, como também os fatos singulares que formam a universalidade da ciência histórica. Atingir um contato renovado e constante com esses silêncios tão desiguais, talvez seja o objetivo do iogue com sua pedra. Seria outra obviedade necessária notar que é só no silêncio universal de uma pedra, de uma estrela, que encontramos nossa individualidade, e que só por esta originalidade de cada ser o silêncio se repete. Entretanto, isto não seria tão óbvio de se dizer se o homem ocidental não confundisse já há alguns séculos a afirmação da individualidade com a negação do outro, no fenômeno mais que conhecido do individualismo moderno. Ser original parece ainda assumir uma luta contra outras individualidades, ao invés de, no destaque de uma originalidade, celebrar as experiências comuns. Muitos historiadores, por exemplo, apelam a valores universais para se contraporem a outros historiadores, seja por vaidade, seja por assumirem um partido específico na luta pela verdade da justiça e da liberdade.Não estou sendo original ao destacar essas questões. Diante desta pauta em branco – minha pedra de hoje – vejo-me profundamente imerso na história: anoto verdades, defendo palavras, levanto meus olhos ao céu, convido os homens a celebrar mistérios e a fazer desta celebração uma crença quase religiosa. Mas quem, pergunto, juntou tais obviedades nesta mesma combinação de palavras? Não pretendo com esta questão afirmar minha individualidade, mas sim destacar que, se realmente não há nada de novo sob o sol, que festejemos com uma humildade quase idiota nossas repetições reelaboradas, provisórias, pretensamente universais, pois o que vale ainda é o processo, a tentativa de cada um e de todos, de cada pedra enterrada ou transformada, ainda que numa lâmina pré-histórica. O que vale não é o que fazemos com a pedra, mas o que fazemos com a observação que dela fazemos; o que fazemos, enfim, com o tempo.A história usa o tempo para descrevê-lo e empresta a filosofia para interpretá-lo. E ambas as ciências – este modo provisório, histórico, de apreensão do mundo – se unem à poesia e à meditação no que talvez seja a experiência humana mais universal: a própria invenção do tempo, esta dimensão onde destacamos nosso ser atônito. Provisoriamente universal. Pois a folha desta impressão, reciclável, também voltará a ser uma pedra, umas tantas vezes, ao menos. Mas sempre é bom ressaltar: talvez. Quem sabe mais é uma pedra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4063097205827593855?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4063097205827593855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/uma-historia-da-pedra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4063097205827593855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4063097205827593855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/uma-historia-da-pedra.html' title='Uma História da Pedra'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSdvepLfSI/AAAAAAAAACs/S7h2gK2yyGc/s72-c/buda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-9178952699691133484</id><published>2008-11-19T14:59:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:20:01.577-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Egito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Roma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Thomas More'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='EUA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cleópatra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blaise Pascal'/><title type='text'>Se o nariz de Cleópatra...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSfftG48xI/AAAAAAAAAC0/6pgzptmZXEQ/s1600-h/cleaosnosead.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270512830963577618" src="http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSfftG48xI/AAAAAAAAAC0/6pgzptmZXEQ/s400/cleaosnosead.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 374px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 350px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem sempre a escrita da História é composta de asserções de intenção esclarecedora; às vezes a humanidade soma também a este legado alguns enigmas divertidos, como o que nos deixou Pascal, sem qualquer explicação adicional, em meio aos seus mais edificantes Pensamentos. Ele nos diz, no fragmento 162 de seu mais famoso livro: se o nariz de Cleópatra tivesse sido menor, a face da terra teria sido outra. E nos sentimos tentados a especular, numa atitude contradicente a dos cautelosos cientistas da História: se o rosto de Cleópatra fosse um outro, talvez menos belo, teria conquistado os corações dos donos do mundo, Júlio César e Marco Antônio? O destino do mundo estaria impresso no acaso de um traço físico, e a inteligência da rainha do Egito contaria pouco neste caso? E os senhores de Roma, livres da sinuosidade irresistível da exótica soberana, teriam tido mais força para contribuir para a manutenção de uma permanência maior do grande império, livrando-nos da Idade das Trevas e outras conseqüências mais drásticas?&lt;br /&gt;Os historiadores de hoje, analistas de grandes movimentos estruturais das sociedades antigas, nos diriam que poucos fatos isolados poderiam alterar decididamente tendências históricas de longa duração. Sob essa perspectiva, o declínio de Roma não seria de responsabilidade de alguns de seus administradores, mas sim um fruto necessário de estruturas sociais difíceis de mudar, como a constatação de que o poder dos romanos foi secularmente calcado numa administração de cunho militar, dependente de uma expansão e exploração colonial sempre ativas. Soma-se a esta característica mais geral uma distribuição de títulos meritórios, geradora de uma inflada classe de parasitas improdutivos e escravos. Deste modo, sendo o nariz de Cleópatra um outro ou o mesmo, o Egito, afamado celeiro do mundo antigo, teria sido conquistado de uma forma ou de outra e, do mesmo modo, se esgotaria sem suprir as crescentes necessidades dos romanos. Assim, podemos pensar que há um limite razoável para as espetaculares especulações que nos sugerem os enigmas como o que nos provocou o pensador francês.&lt;br /&gt;Uma questão similar a esta de Pascal, freqüentemente repetida pelos brasileiros é: seria o Brasil um país melhor se tivesse sido colonizado pelos ingleses? A resposta geral dos brasileiros ressentidos é que sim. Interroguemos esta possibilidade. Em primeiro lugar, o Brasil jamais receberia o mesmo modelo colonizador das Colônias Inglesas do Norte, grandes responsáveis pela formação da democracia norte-americana, já nossas condições geográficas eram propícias à exploração de produtos tropicais, mais valorizados no mercado europeu e mais compensadores para os comerciantes de alto escalão, os únicos que podiam arriscar-se numa empreitada tão dispendiosa quanto a travessia transoceânica. Assim, se os ingleses tivessem chegado aqui primeiro que os portugueses, possivelmente adotariam a mesma estrutura exploratória que condicionou nossa história. E se assim fosse, os ingleses não sofreriam concorrência com os países ibéricos e talvez não tivessem investido na produção de algodão, menos valorizada que o açúcar e, com isto, não teriam a necessidade de otimizar a produção de tecidos com a invenção das máquinas que abriram as portas da revolução industrial e conduziriam o mundo para o capitalismo industrial. Além disso, se os ingleses tivessem se tornado grandes proprietários de terra, como foram os ibéricos, sua nobreza de terra permaneceria quem sabe ainda fortemente ligada às antigas estruturas medievais, permanecendo católicos como a maior proprietária de terras da Europa, a Igreja. Na Inglaterra dos Tudor, a nobreza de terra aliou-se à burguesia mercantil por não poder concorrer com os grandes proprietários europeus, tornando assim necessária a criação de uma religião mais livre dos interesses hegemônicos no continente. É sabido que a revolução protestante aconteceu em mãos de comerciantes inimigos do clero feudal, e foram esses protestantes, aliás os mais radicais entre os ingleses, que foram banidos para o mundo novo, fundando as colônias do norte nos atuais EUA, uma região sem grandes interesses econômicos para a coroa, mesmo porque esta terra de segregados, geograficamente similar a Europa, não podia produzir algo que o velho mundo já não produzisse, com menor custo. E foi devido a este quase abandono que os colonos protestantes puderam organizar-se em pequenas propriedades independentes que estimularam a ética individualista necessária às novas formas predatórias de capitalismo, como bem descreveu o sociólogo Max Weber. Finalmente, os apelos revolucionários vindos da França empobrecida, jamais gerariam um eco tão forte no Brasil como aconteceu nos EUA, uma vez que os senhores daqui viviam ainda muito bem com sua economia baseada na antiga estrutura agrária e predatória, apesar das frotas inglesas terem já dominado o comércio marítimo à época das revoluções.&lt;br /&gt;Mas, como os enigmas debatidos acima, essas análises também não passam de especulações. E não pretendem, de modo algum, desvalorizar a importância das instigantes inquisições das mesas de bar, taxistas e pescadores. Se, por um lado, esses enigmas nos fazem incorrer em preconceitos, por outro ativam nossa imaginação para a renovação das utopias. Pois não seriam com perguntas semelhantes que os historiadores abordam o passado, questionando-o com perguntas do tipo “por que não somos diferentes do que somos”?&lt;br /&gt;Lembro-me do país ideal imaginado por Thomas More em sua obra-prima Utopia, que nos deu o conceito para a imaginação de paraísos modernos. Teria este pensador, aliás um crítico dos interesses ingleses, criado o grande sonho das repúblicas modernas, em forma sábia e ao mesmo tempo divertida, se não valorizasse igualmente as críticas prudentes dos nobres analistas de sua época e as fantasias insensatas de um mundo melhor, de ilhas maravilhosas, sonhadas nas cabeças dos marinheiros mais ingênuos?&lt;br /&gt;Se essas inquisições acerca dos rumos do tempo são lícitas ou ilícitas, não nos cabe julgar, desde que continuem a provocar nossa imaginação para relativizar com mais leveza a concretude de nossas necessidades presentes, estas sim grandes enigmas a serem resolvidos com o melhor dos humores possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-9178952699691133484?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/9178952699691133484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/se-o-nariz-de-cleopatra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/9178952699691133484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/9178952699691133484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/se-o-nariz-de-cleopatra.html' title='Se o nariz de Cleópatra...'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSfftG48xI/AAAAAAAAAC0/6pgzptmZXEQ/s72-c/cleaosnosead.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-1166343375382998521</id><published>2008-11-19T14:55:00.001-08:00</published><updated>2010-06-24T12:22:33.383-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>DEPOIS DO PARAÍSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSShclW7fiI/AAAAAAAAAC8/lcOBOwKnQWg/s1600-h/pedra1.bmp"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270514976367017506" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSShclW7fiI/AAAAAAAAAC8/lcOBOwKnQWg/s400/pedra1.bmp" style="cursor: hand; display: block; height: 267px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu sufoco esse coração que bate até ranger a porta dos olhos.&lt;br /&gt;Eu inspiro fundo a angústia da noite após o prazer.&lt;br /&gt;Eu treino a paciência como um beduíno que enfaixa de tiras negras a cabeça que cruza o deserto.&lt;br /&gt;Eu esculpo a quietude da beleza na casca frágil que tenta conter a tempestade de uma alma.&lt;br /&gt;Eu crio novas orações quando todas as palavras parecem mortas.&lt;br /&gt;Eu olho como um deus para fraqueza de minha humanidade.&lt;br /&gt;Eu expulso os demônios dos quartos trancados dos filhos de boa família.&lt;br /&gt;Eu danço como um macaco santo para pisotear a infâmia dos bons costumes.&lt;br /&gt;Eu ressuscito das trevas para trazer o sorriso da manhã aos jovens que temem tudo, menos o sexo.&lt;br /&gt;Eu invoco os punhos dos escravos que construíram a pirâmide de Gizé para exigir piedade dos céus.&lt;br /&gt;Eu venço as horas como quem se deixa vencer pelo amor.&lt;br /&gt;Eu treino a disciplina do ferro e do fogo na entrega total.&lt;br /&gt;Eu retorno para contar uma história de todo mundo e merecer a amizade de um só senhor a todo custo,&lt;br /&gt;Ao custo de uma vida.&lt;br /&gt;Cuspida no barro.&lt;br /&gt;Escarrada no acaso de uma estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23SET08&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-1166343375382998521?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/1166343375382998521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/depois-do-paraiso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1166343375382998521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/1166343375382998521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/depois-do-paraiso.html' title='DEPOIS DO PARAÍSO'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSShclW7fiI/AAAAAAAAAC8/lcOBOwKnQWg/s72-c/pedra1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-6940261228321261083</id><published>2008-11-19T14:55:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:30:28.840-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>BONDE DA CHARADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSjEdybQJI/AAAAAAAAADE/RgCWmGAkzA0/s1600-h/now_watch.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270516761041256594" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSjEdybQJI/AAAAAAAAADE/RgCWmGAkzA0/s400/now_watch.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 386px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vamos lá amiguinhos, esse é o bonde da charada,&lt;br /&gt;que já não me levo a sério num país que não se leva.&lt;br /&gt;Mas sou solidário, porra. Brasileiro-palavrão.&lt;br /&gt;Embora eu pegue carona na piada de um silêncio.&lt;br /&gt;Porque charada é assim: não se sabe de que lado o céu se abre.&lt;br /&gt;(Pegou o bonde andando e quer sentar na janelinha?)&lt;br /&gt;O tempo que lhe abro está nublado?&lt;br /&gt;Recomeço-me para seu entendimento:&lt;br /&gt;Não sou nenhum nome do amor e da morte.&lt;br /&gt;Não sou nem o que escolhe a sorte.&lt;br /&gt;Excesso de subjetividade é medo das horas.&lt;br /&gt;Além de porra,&lt;br /&gt;Sou agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06set08&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-6940261228321261083?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/6940261228321261083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/bonde-da-charada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6940261228321261083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/6940261228321261083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/bonde-da-charada.html' title='BONDE DA CHARADA'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSjEdybQJI/AAAAAAAAADE/RgCWmGAkzA0/s72-c/now_watch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-4586632663452396203</id><published>2008-11-19T14:54:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.436-07:00</updated><title type='text'>WONDERLAND</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSj2sEi4rI/AAAAAAAAADM/XBAUIbB4tfU/s1600-h/whiterabbitlores.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270517623868809906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSj2sEi4rI/AAAAAAAAADM/XBAUIbB4tfU/s400/whiterabbitlores.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A revolução das espécies se dá no ventre pobre de um poeta que mereça,&lt;br /&gt;Pois que o estômago despede a poesia para que só a verdade aconteça.&lt;br /&gt;E eu me lembrarei, tendo visto os olhos de uma mulher no parto,&lt;br /&gt;Que as estrelas explodiram com dor para vivermos na ilusão do prazer farto.&lt;br /&gt;- Dê-me um naco de carne, companheiro.&lt;br /&gt;Dividamos esta hora vã, em que tudo é eterno, grato e rasteiro.&lt;br /&gt;Se a vida é ou não acaso certeiro, vale um sorriso de tanto-faz - assim disfarço.&lt;br /&gt;Veja a tarde cair sem medo, conte-me uma história de céu,&lt;br /&gt;pois que me desço para lhe compreender - é fato - e meu resto eu enlaço.&lt;br /&gt;Compreenda-me assim: meu estômago é o espelho do buraco de Alice;&lt;br /&gt;minha fé sem âmago, o que o maldito coelho branco não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28jul08&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-4586632663452396203?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/4586632663452396203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/wonderland.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4586632663452396203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/4586632663452396203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/wonderland.html' title='WONDERLAND'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSj2sEi4rI/AAAAAAAAADM/XBAUIbB4tfU/s72-c/whiterabbitlores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-2337919238524643265</id><published>2008-11-19T14:53:00.000-08:00</published><updated>2009-09-04T03:37:27.428-07:00</updated><title type='text'>PARADOXO TEMPORAL</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSkbfmoiTI/AAAAAAAAADU/nxZAtyKEBE4/s1600-h/0146-0098_alter_und_junger_mann_im_profil.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270518256177285426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSkbfmoiTI/AAAAAAAAADU/nxZAtyKEBE4/s400/0146-0098_alter_und_junger_mann_im_profil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Da Vinci - Velho e  jovem de perfil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento nas coisas abstratas é uma virtude para o jovem,&lt;br /&gt;Que saberá encarar a vida com a coragem da complexidade.&lt;br /&gt;A expressão da concretude, seu aprendizado de humildade&lt;br /&gt;No treino da compaixão para com a lentidão dos velhos,&lt;br /&gt;Que desconhecem as coisas de novos valores num mundo antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento nas coisas concretas é uma virtude para o velho,&lt;br /&gt;Que saberá encarar a morte com a coragem da simplicidade.&lt;br /&gt;A expressão da abstração, seu aprendizado de humildade&lt;br /&gt;No treino da compaixão para com a pressa dos jovens&lt;br /&gt;Que desconhecem as coisas de velhos valores num mundo recém-nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ser velho nem jovem é a arte da sabedoria.&lt;br /&gt;15jun08&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/729351343473331142-2337919238524643265?l=alerabelo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alerabelo.blogspot.com/feeds/2337919238524643265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/paradoxo-temporal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2337919238524643265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/729351343473331142/posts/default/2337919238524643265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alerabelo.blogspot.com/2008/11/paradoxo-temporal.html' title='PARADOXO TEMPORAL'/><author><name>Alexandre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591569971733608328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/S35J9U_ak1I/AAAAAAAAAOw/ZV9X24AoPbM/S220/thais+018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SS8kQnyFM7k/SSSkbfmoiTI/AAAAAAAAADU/nxZAtyKEBE4/s72-c/0146-0098_alter_und_junger_mann_im_profil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-729351343473331142.post-8426731809023798684</id><published>2008-11-19T14:51:00.000-08:00</published><updated>2010-06-24T12:50:31.120-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mitologia grega'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orfeu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa poética'/><title type='text'>Sonho de Orfeu no Vale da Morte</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;ALÔ?... CÂMBIO? CONTATO?! MÃE?! PAI?! QUEM AMA?? ALÔ!!! S.O.S.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Esta é uma charada a cobrar, para aceitá-la continue na fila ou...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;NÃO CONSIGO OUVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVV... ZZZZZZZZZZZZ!!! Não sei que sonho. De lugar nenhum, recebo a notícia de que na Terra predadores de todas as espécies correm por um deserto de resto tecnológico, no rastro da última guerra. Alguém me lembra de que nos cantos do universo expandido, as estrelas explodem em silêncio. Aceito um convite silencioso para me deitar na escuridão vazia. Ouço a paz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Shhh... Ohmm... zzzz...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Seja bem vindo...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Você não está sozinho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Esqueça seus perseguidores – cace...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Eu visitei o fim do universo, onde é só sonho sem lugar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sem fronteira, sem razão, sem saída, sem andar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Retorno para lhe contar as histórias que viraram sonho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Durma agora! Acorde para este sonho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Conecte-se ao enigma. Siga-me. Pulse!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Não posso parar de correr! Tenho que me preparar, alcançar o abrigo! Os soldados não se cansaram no campo inimigo... E não restou campo amigo. Aqui, é cada um pelo próprio corpo... Em algum lugar, alguém nunca saberá que a guerra acabou. Em todo lugar, ninguém sabe de nada. Eu sei que naves piratas se escondem na fumaça tóxica. Legiões de sobreviventes sem família, pátria ou memória, reviram o deserto de escombros em busca de carniça. Profetizo para a minha sombra: VOCÊ É UM DELES! RESPIRE E VÁ. NÃO PARE PARA PENSAR. FUJA DAS CRIANÇAS-SEM-LÍNGUA – ABORTOS QUE VINGARAM E APRENDERAM A FALAR COM OS GEMIDOS DOS MORTOS. SÃO OS PIORES ASSASSINOS...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Conecte-se ao enigma! Pulse comigo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Meus pés batem na terra árida um compasso inerte de fuga. O coração adormece. Quero me entregar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Pulse. Ossos para o chão, carne para o céu! &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Isto não é sonho, é ciência – lei e observação ao léu.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Quer experimentar?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Você sente sono. Acha os destroços de um avião carbonizado, parecido com a carcaça de uma baleia branca. Reconheço a coisa como um abrigo futuresco-saudosista. Desvendo que sonho quando sinto este cheiro de lembrança afundada onde quase me descubro. Duvido da realidade do sonho, mas um sono me bate como realidade e esqueço de sonhar: os músculos pesam, os pulmões deixam o ar sair, o coração sangra espaço, alivia-se, sonha com o lar. Está consciente. Segue com o tempo. Pulsa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Não é só ciência, é religião também.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Entre e saiba o que não se observa na escuridão.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sou seu guia entre dois mundos, perto de onde a luz escapa. Siga-me!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Deixe que eu sele seus olhos, cegando-os com delicadeza de areia. Durma agora...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;O avião-baleia é invadido por uma espécie de cordão d’água, suspenso no ar como fio de cristal. Brilhante sob o luar vazado em listras pelas costelas da baleia, o fio mágico aponta para o meu rosto como um dedo de deus. Você diz por dentro: VOCÊ TINHA ESQUECIDO DEUS. E o dedo sem nome divide-se como língua de cobra e entra pelos meus olhos, sem fazer pressão. Alguma força preenche meu corpo e puxa o fio de volta à origem. Rasteiro, escorrego pelo rastro da guerra como ave de rapina. O lixo final, a natureza enfim devastada por fragmentos de objetos humanos: corpos, civilizações antigas e novas reviradas do inferno ao céu. Pedras, prédios, telas, robôs, crateras lunares. Filmo o apocalipse conectado ao fio de água. Peço ajuda ao fio para me afastar em direção ao céu. Elevo-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Não se preocupe. Deixa que eu leve a memória dos fatos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Adormeça desde a pele. Desperte para a teia de luzes.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Sob um tímido luar, a areia quase invisível parece ganhar um brilho líquido – uma praia, o mar! Descubro: esta era a fonte que me puxava. Apesar da noite, bato em águas quentes. Dentro d’água, o fio que me guia vira uma trança de luzes douradas e prateadas que iluminam de azul a desgraça do último dilúvio. Alguém me sopra que os pólos foram incendiados. Deserto aquoso adentro, a megalópole submersa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Pulse! Conecte-se ao enigma. Não olhe a face da morte pelas janelas dos prédios, deixe a cidade para os tubarões. O fundo virgem do oceano não está longe. Não há com o que se preocupar, todas as ocupações foram desfeitas. Escolha ser livre na eternidade do sem-mundo. Você navega e eu lhe mergulho. Acorde este corpo enquanto dura este sonho. A voz que lhe guia é a voz que lhe quer. Gostaria de experimentar o futuro?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Desço pela escuridão profunda do longe-de-mim. Aqui e ali, distingo conglomerados multicromáticos de luzes derretidas. Não sei se estou no vazio das profundezas do oceano, cercado por estranhos seres abissais, ou se vago pelo vazio do espaço, entre distantes galáxias perdidas. Do fundo mais fundo, julgo ouvir melodias fúnebres em doces vozes feminis, enquanto pressinto a voz masculina que me guia no silêncio pesado das águas negras. Minha cabeça é tragada para o fundo da areia, o resto de meu fardo passa a flutuar num balé às avessas. Não sinto nada, esqueço-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Não sou um canto de sereia, tritões não sabem entoar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sonhe para não se confundir, afunde para respirar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;O amor é onda futura que se funde em pedra pura.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Não há mistério, é só o tempero que misturo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Esqueço que estou no fundo mudo dos desastres e sinto sono. Desmaio e começo a sonhar dentro do sonho marinho. Primeiro eu ouço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Este é o tempo dos últimos sonhos. Antes de abrir os olhos, mantenha o coração na linha do horizonte. Sinta-se em casa. E não tema coisa alguma.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Qual deus descreveria o que vejo? Estou no centro de uma multidão de milhares de sobreviventes da última guerra, nus ou em farrapos, dançando desgovernados pelo deserto de pátria alguma. No ar de gazes vermelhos, aeronaves cruzam ataques que explodem máquinas no céu e corpos na terra. Ao meu lado, uma mulher ri histérica sobre as pernas que bate no chão por insistência, sem querer cansar. Um homem acalma o ritmo dos pés num transe louco que reza entrelábios. O cheiro do sexo predomina sobre o cheiro da morte. Os braços se procuram. Chove suor. À minha frente, um jovem se destaca com seus cabelos finos revoltos sob o vento da guerra, o olhar manso de sabedoria, a boca cheia de desejos – seu sorriso esconde uma inocência que a malícia de seus olhos denuncia. Sua roupa é de um tecido misto de plásticos e trapos pretos reciclados, cruzados e amarrados em caos ordenado por todo o contorno do corpo alto, até o pescoço. Veste um coturno gasto, antiquado. Não carrega nada nas mãos. Ambíguo, caminha devagar, quase sem decisão, como se não houvesse a dança da guerra, como se entardecesse sobre uma praia, como se a vida apenas começasse... Intuo que este rapaz é aquele que se diz guia, a voz que me assopra como intruso, e ele se confirma quando se faz ouvir sem abrir a boca, pelos olhos simplificados na verdade da hora urgente. Ao redor, o êxtase leva os corpos à ruína.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Estrangeiro em minha terra e desconhecido no estrangeiro, eu vigiei para não ser pego, cheguei aos campos de concentração nas colônias lunares, mirei os olhos secos de quem implora só mais um litro de ar. Para fugir, tive que cair até o fim do universo, limite de todo existir, fora do tempo que duram as maiores ilusões. Fora dos fatos quadrados ou em cacos, não pude salvar mais que um nome humano, nem meu nem de ninguém, mas que serve a todo aquele o ultrapassa. No deserto dos sonhos, cacei os perseguidores do nome e, desses todos, muitos eram deuses que nunca existirão. Como saí de lá e o que fiz para chegar aqui é história que não cabe em sonho. Digo apenas que amei para me inocentar e retorno para lhe contar. Se você se lembrar dos caminhos em que lhe conduzirei, será meu guia também.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Caio deitado. Acima de mim o céu estrelado sobre as costelas negras do avião-baleia. Ao redor, o deserto e seu nada. O tempo umedeceu. Minha cabeça está molhada de água do mar. Respiro aliviado, como se estivesse na pausa de um beijo. Em meus ouvidos reverberam ecos que já não sei se saem de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sou a voz do deserto, senti o amor do sem fim, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Retorno da eternidade para contar seus sonhos de mim.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Pouco a pouco, pulso por pulso, a voz retorna ao espaço incorpóreo. E antes de acordar, durmo pensando de cabeça na areia fria: COMO CONTAR OS GRÃOS DE UM SONHO ASSIM?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiôêô!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIÔÊÔ...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Um chamamento vindo dos fornos do tempo me acorda. Abro os olhos num chão de asfalto rachado e vejo uma avenida larga amanhecer abandonada. As luzes artificiais estão quebradas, pendem dos fios como fardos de enforcados. Ao longe, ruídas pelos séculos, vejo duas fileiras de arranha-céus de uma alta tecnologia já antiquada. Fora isso, ninguém. Eu conheço este lugar: minha cidade natal – mas o tempo é outro. Sei que estou no futuro, a guerra passou por aqui. Estar no futuro não é uma surpresa para mim, estaria tudo no esquecimento do prazer se meus sentidos não entrassem em estado de alerta diante desse vazio suspeito. Fico de pé num salto. Existe uma leveza de criança neste corpo. Olho para mim e vejo pés fincados, mãos em posição de ataque, músculos quentes em pura definição, tingidos pelo trabalho sob o sol. Mantenho-me firme com o coração na boca. Assim, descubro-me belo. Sou uma versão mais delicada de mim, sem o peso das horas, suspenso na oportunidade da sobrevivência. O futuro não corre, parece preso num instante do passado. Ouço um zumbido se aproximar. Abelhas?! Tenho medo de abelhas porque elas não voam em linha reta. Olho para trás. Borboletando no ar com quatro penas brancas, duas asas, uma pedra do tamanho de um punho orbita ao meu redor. Sinto-me observado como se um sonhador gaiato pegasse carona no meu sonho. Sem aviso, a coisa traça uma fuga reta em direção à esquerda, onde pressinto uma rua escura, sem saída. Pisco os olhos e, pela força do pressentimento, vejo-me já no beco, onde consigo captar um relance da pedra voadora, descendo uma rampa que parece dar numa espécie de estacionamento. Tenho medo, mas sei que devo descer também, meus instintos confiam na pedra. Pisco de certeza e caio dentro do lugar. Teto baixo, concreto sobre concreto. No lado oposto ao que desci, sobe uma outra rampa em direção à visão de um céu de sol pleno, com verdejantes copas de árvores. No centro do lugar-concreto, um homem nu, ajoelhado numa das pernas, cabeça pensa, cabelo basto. Reconheço-o não sei de onde. A forma de seus grandes músculos expostos ressoa na memória, mas não se identifica. Olho para as mãos rústicas e reconheço as minhas próprias, mais calejadas pelo uso da força. O ser levanta uns olhos tristes para mim. Meus olhos! Por trás da sobrancelha esparsa, da barba cheia, dos muitos pêlos e suor, eu. E o eu sorri para mim escondendo intenções – não me desvendo. Ao invés, vejo-o levantar o que parece ser uma flauta descomunal, feita de um tipo de bambu selvagem. Vejo-o assoprar um zumbido longo que faz sair da ponta do instrumento um nevoeiro denso de abelhas. Elas giram em agonia e se derretem no ar como chuva de cera sobre minha versão encardida. Ele deixa-se cair macilento no chão e começa a torcer um canto rouco. Rápidos focos de luzes coloridas partem de todas as superfícies do concreto reinante, inundando-nos numa cama de gato mutante, numa pista de dança cibernética.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Ai meu deus, olha só onde acordei!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Fui eu que pedi, não peço outra vida – me ferrei.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;A plenitude vai seguindo e você é o meu carimbo, eu sei.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Então por que eu fico triste se você abaixa os olhos?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Meu lábio cantarola quando toca aquele idílio:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Eu sou o mais certo à sua frente agora!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Preste atenção em quem te rodeia esta noite,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Hoje você trouxe aquele sol bem-vindo,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas eu não sinto nem preguiça de luar...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Quando toca o estribilho, meu coração até vai,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas o meu pé vai fugindo do outro pé, de mansinho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Você quer que eu pegue leve, passe liso,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas eu não sinto nem preguiça de luar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Esta noite é pra outras luzes, pode passar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Tem uma coisinha que não me deixa dançar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;E eu sei que nada poderia ser mais amoroso.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Tem uma coisinha que não me deixa cantar:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Por que você não estoura, se não estou pra isso hoje?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;É melhor eu me esconder enquanto você chora de mim...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Ando pelas caras e são todas caras,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;ando pelas bocas e todas são poucas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;E não sinto nem preguiça...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Cidades brotam e tombam como pista que enche e esvazia,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;E tudo que a gente faz é mudar e fingir que retornou para o lar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;E você tem todas essas luzes que cabem numa praia,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;mas por que na sua frente eu não abro os olhos e os abraços?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Parado na vida, brinco de ter um objetivo:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Dizer pra todo mundo que seu nome é meu.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Eu só peço que você me ouça, enquanto eleva os braços livres:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sei que se você sair por aí, estará como eu fui,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;E eu não sinto nem vontade de luar...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Quando toca o agudinho, meu peito até respira,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas meu pé segue outro pé que quer sair.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Você me quer de ombro erguido, desfilando micos,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas eu não sinto nem fome de luar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Esta noite é pra outras cruzes!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Não me deixe dançar e cantar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Inclusive se nada mais puder me incluir.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Matei minha febre de luar, aprendi a suar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Por que você não melhora quando não está comigo?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Vou me esconder até você rir de si, sinceramente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Vou soprar uma fé que fará a lua virar carruagem,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Verei as formigas cativas do amor enquanto sigo viagem.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Sem dançar, fico quieto para receber seu pé no meu peito.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Deixe-me escorrer pelo seu canto,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Enquanto você corre pelas luzes além.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas aviso que não sinto nem preguiça de ficar!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Quando toca o estribilho, meu amor até vai,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas o calcanhar finca nesse coração mansinho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Você quer que eu mude firme, muro pro seu furacão,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Mas não sinto nem a carícia do luar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Esta noite é pra outras coisas, pode passar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Parem de dançar e cantar!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Tem alguém que não quer fazer isso hoje...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Parem de dançar e cantar!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Por que você não arromba a pista sem dança?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;Hoje ninguém vai cantar e dançar,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;É melhor cair na cama que ver os seus olhos baixarem.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Entonteço com a visão da versão melada de mim. Uma náusea sobe à garganta sem convulsões, calma e persistente. Sem pavor, a vista escurece diante do meu duplo grotesco. Rendido no chão, ele parece inconsciente, desabrigado de qualquer sonho. Olho para a direita: na rampa que sobe ensolarada, a pedra voadora rodopia elipses. Olho para a esquerda: uma chuva fina cai sobre o fim da madrugada e, encostada na entrada do estacionamento-vórtice, uma doce-moça-cachos-de-mel, também nua, um pingo de ouro como gargantilha, risinho tenso, desejo embrulhado nas mãos entre pernas. Sei que ela apareceu pelo chamado da música. Meu coração dispara sem nome de terror, pavor, amor ou pânico algum. Vou até ela e simplesmente encosto meu desejo no seu e experimento sua boca de uma vez. Ela me empurra com os punhos leves e diz: VOCÊ BABA! E foge madrugada acima. Arrasto-me pelas suas pegadas, meus dentes crispam no ar frio do fim das horas: TENHO QUE PEGÁ-LA! Alavancando a flauta gigante, meu duplo escrachado nos segue, saltando distâncias superiores a vinte metros. Corro por um grande vazio de escombros de edifícios e arcos rachados de colossais viadutos. Salto e corro com a agilidade e precisão que meu novo corpo gracioso permite, mas perco o ritmo toda vez que ela olha para trás e sorri. Um helicóptero de guerra inclina rasantes e holofotes sobre nós. Entre pulos, meu duplo arreganhado gargalha guinchos de prazer. Tropeço e caio. Levanto-me e rastreio o cheiro dela. Nada, o sonho não tem cheiro, e eu não sei que é sonho. Sei que é desejo, e guio-me pelo movimento das coisas. Ouço gritos e lamentos. No meio da cidade destruída, um rio semi-morto barra o meu caminho. Alcanço a margem pouco íngreme, onde bandos de sobreviventes pranteiam objetos de outras épocas, que bóiam lúgubres em caldo contaminado. Na outra margem, uma plantação daquele bambu titânico flexiona em reverente choro. Consigo ver uma das hastes gigantes vazar mel pelas juntas. Ouço a risada de meu duplo folgazão atrás de mim. Torno-me e vejo-o encher-se de ar, esticado em cima de uma piramidal quina de prédio jogada ao acaso sobre o entulho. Ele sopra a flauta que magicamente faz soar a voz da lourinha fugida: AONDE SERÁ QUE EU ME ESCONDI? Entendo que ela virou música e fecho os olhos para me distrair. Acordo outra vez no estacionamento das bifurcações. Ainda sou belo. Meu eu carnavalesco ainda ri à minha frente e, como ele-eu, eu-ele porto uma flauta de bambu. Olho para a esquerda: a pedra que voa, jaz parada no ar, de penas eriçadas, no meio de uma chuva relampejante. Na rampa à direita, sob a luz do dia aberto, uma jovem branca de olhos ocultos em franja de seda negra. Veste uma bota plástica branca de salto ferroento, que lhe aperta até as coxas, e uma tira de couro branco envolvendo o pescoço alto, onde se lê em fina caligrafia de sangue: VIRGEM. Em seus braços, enroscam-se arabescos de serpentes e dragões tatuados em ampla escala de cores, misturando estilos artesanais, desde os nós mais primitivos até os mais modernos, industriais, retilíneos. Do canto do sorriso mais que rubro, escorre um filete de mel que a língua recolhe acanhada, só uma pitada. De repente, abre-se no teto baixo de concreto um fosso alto onde se gruda uma escada de mão enferrujada. Meu duplo simiesco se posiciona abaixo do buraco, tendo o bastão musical como eixo, e entoa: IEÔ-AAH! IEÁ-OHM... E, tomando impulso com o bambu salteador, parte num único pulo reto pelo poço aberto. A virgem vem até mim, prende os lábios nos lóbulos ao pé do meu ouvido e sussurra com voz robotizada: GUARDO O CANTO DE UM FOGO ANTIGO. E como aranha veloz, agarra-se ao sumidouro e o escala sem esforço, religiosamente sobre-humana. Fico a sós com pedra de olho oculto. Não sei se é sua muda observação ou se é a vibração colibrinesca de suas asas que me apavora, mas meu coração dispara, liberando uma força de medo que me faz preferir o amor da sacerdotisa cibernética a mais um instante com a coisa sem nome. Fecho os olhos para sonhar um atalho. Acordo sacudido por ventos uivantes. Estou no alto do maior arranha-céu, acima e abaixo as nuvens passam pela cidade abandonada antes da destruição. Na altitude de meu olhar, a mulher de olhos acortinados está equilibrada no parapeito de um prédio gêmeo. Ao meu lado, minha versão predadora atinge o terraço, sem fôleg
